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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Chegando a Lourdes como à casa materna

Santuário à esquerda, rio Gave à direita
Chegando a Lourdes, um instinto misterioso conduz o neófito rumo à Gruta. Os cartazes são inexistentes e desnecessários. Os guardas são escassos e sem trabalho. A multidão é ordenada, composta e fervorosa. Tudo é pulcro e bem conservado.

Magotes de peregrinos convergem para o local das aparições. Uns rezam em grupo ou isoladamente, em voz alta ou baixa; outros cantam.

Ainda outros caminham em atitude recolhida, ou com ávida curiosidade, até o fulcro dessa unção que a tudo envolve maternalmente.

Não há algazarra nem pesado silêncio. Há uma plenitude de vida harmoniosa, impregnada de sobrenatural, que empolga.

Alguns chegam acompanhados de um sacerdote. A imensa maioria vem por iniciativa própria.

O que os levou lá? O que a graça disse na alma daquele romeno, australiano, japonês, brasileiro ou sul-africano, para virem de todos os recantos da Terra a Lourdes, com tanta consonância de espírito?

À direita de quem chega, o caudaloso rio Gave corre impetuosamente, emitindo leve murmúrio, imagem material dessa torrente de graças que ali age tão poderosa e discretamente nas almas.

À esquerda estão as numerosas torneiras onde os romeiros colhem e bebem a água da fonte aberta por Santa Bernadete por ordem de Nossa Senhora.

Logo a seguir, a Gruta das aparições. Como descrevê-la? É difícil. Nada há nela que não se pareça com mais uma concavidade lavrada na rocha pelo vento e pelas águas.

No fim da procissão das velas
Imagem no fim da procissão
Porém, olhando-a, tem-se a impressão de contemplar uma janela que abre direto para o Céu. No alto, à direita, numa espécie de túnel aberto na rocha, a famosa imagem de Nossa Senhora de Lourdes, tão simples, sem mérito artístico especial, irradiando um oceano de graças.

No canto inferior à esquerda, no fundo, a fonte que Santa Bernadete cavou com suas próprias mãos, a mando de Nossa Senhora. A água jorra límpida, incessante, com a musicalidade aconchegante de um despretensioso manancial de montanha.

Eis a água de Lourdes, eis o simples instrumento de que Nossa Senhora se serve para vencer a doença e o pecado, a lubricidade igualitária da humanidade que recusou a Civilização Cristã.

Que contraste! Que glória, que poder da Santíssima Virgem! Toda a obra de impiedade erigida em séculos de Revolução, vencida pela Rainha dos Céus e da Terra com um simples fio de água!


3 comentários:

Myriam Silva disse...

Que benção,poder ir até a gruta de Lourdes pela internet ,em minha casa e orar com fieis de todo mundo.Em espírito aí estou.Amém.

Anônimo disse...

Eu tive a felicidade de ter passado meu aniversário diante de Nossa Senhora de Lurdes, na gruta ano passado. Para min foi o maior presente. Obrigado Mãe Querida por existir na minha vida e da minha familia.

Walter Maffra disse...

Permita a liberdade de louvar o enfoque e a fluidez "pulcra" do texto anexo. Agradeço a fartura e a propriedade de todas as matérias sobre Lourdes, mostrando a inesgotável misericórdia do Pai e a ternura infindável de Maria. Grato.

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