quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Lourdes e Santa Bernadete sofrem

Missa na Gruta no centenário das aparições
No século XIX
Para Santa Bernadete não foram fáceis os dias que vieram após as aparições. Entretanto, ela em nada perdia a serena e sobrenatural disposição de alma.

O micro-mundo da política, do judiciário e da polícia de Lourdes estava dominado pelas utopias anti-cristãs da Revolução Francesa. Ele tramou vários golpes.

Do ponto de vista médico tentaram forjar um diagnóstico segundo o qual Bernadette seria uma psicopata e devia ser encerrada num manicômio. Como vimos, foi em vão. As tentativas fracassaram face à solidez moral e psíquica de Bernadette.

Vieram, então, intimidações por parte do procurador, do juiz e do delegado de polícia. Eles acenaram com metê-la no cárcere se não declarava que as visões eram uma fraude. Também não lhes adiantou de nada.


O prefeito de Lourdes, Adolphe Lacadé, queria acabar de vez com as manifestações de piedade em torno da gruta. Para ele não passavam de crendices de um povo atrasado que não conhecia a "luzes" das idéias democráticas revolucionárias novas ― aliás, falsas, igualitárias e licenciosas ― e do progresso, então idolatrado.

O prefeito de Midi-Pyrenées, barão Massy
Prefeito de Lourdes
Quando o prefeito percebeu que a procura da água milagrosa de Lourdes era irrefreável, concebeu o mirabolante projeto de montar um hotel de águas termais no local da gruta. Também não deu certo.

Mais tarde, como político matreiro foi visto presidindo a procissão das velas ao local da maravilhosa aparição, por ele tão detestada ao menos de início.

Pseudo visionárias criam confusão

Houve ainda outros fatores de perturbação.

Cinco mulheres, falsas visionárias, entraram numa anfractuosidade da Gruta. Voltaram dizendo ter visto uma dama branca resplandecente. Tratava-se em verdade de uma estalagmite de vaga forma feminina, mas sem cabeça.

A impostura serviu de pretexto ideal para as autoridades anticlericais. Elas que já estavam montadas contra a verdadeira aparição fecharam a gruta com cercas.


Foi por isso que, na última aparição, na festa de Nossa Senhora do Carmo, Santa Bernadette não pode entrar na gruta e ficou do outro lado do rio, vendo igualmente a Nossa Senhora.

A cerca, entretanto, revoltou a população. Esta a demoliu diversas vezes.

Quando era posta abaixo, as falsas visionárias se adentravam na gruta para supostos contatos com o sobrenatural, dando azo a novas interdições.

As autoridades anti-católicas, que se inspiravam na trilogia revolucionária Liberdade-Igualdade-Fraternidade, na Razão e no progresso, mandavam reerguê-la outras tantas vezes.

O caso das falsas visionárias só foi encerrado pela intervenção do bispo, Mons. Laurence que as advertiu de não mais se apresentarem no local.

O fim da proibição

Enquanto Lourdes assim se agitava, chegavam peregrinos das cidades vizinhas e, em pouco tempo, de Paris, a capital.

O procurador imperial Vital Dutour passou vergonha e perdeu o cargo
Procurador Vital-Dutour
Os guardas apostados para bloquear o acesso não davam conta do recado. Tarefa, aliás, que cumpriam sem muita convicção.

A visita de uma dama ilustre teve um efeito impactante. Tratou-se da esposa do almirante Bruat. Ela era nada mais e nada menos que a governanta do príncipe imperial que estava doente. Era o filho único do imperador Napoleão III.

A imperatriz Eugênia a encomendara de ir a Lourdes para trazer água para o principezinho no leito.

Um guarda de nome Callet, encarregado de impedir quem quer que fosse beber ou colher água da fonte, não teve mais zelosa iniciativa do que prende-la enquanto mandava encher um garrafão e a levou ante o procurador imperial Vital-Dutour.

O procurador já tinha aprontado uma cena para intimidar Santa Bernadette ― sem sucesso, aliás. Ele bancava a mais extrema fidelidade ao imperador. Ele fez um discursinho diante da dama e a multou por colher água. A multa era de cinco sous (tostões), mas a imponente dama puxou uma nota de cem francos fazendo questão de levar a garrafa de todas as maneiras.

O procurador se opôs e ainda pediu à dama que se identificasse, coisa que ela fez.

Quando ouviu o nome da esposa do almirante Bruat, governanta do príncipe imperial, o procurador engoliu suas palavras, fez salamaleques, mas sua carreira tinha acabado. E sua perseguição contra a aparição também. Tempo depois, ele e o delegado foram “promovidos” a outras cidades em verdadeiros exílios administrativos.

A perseguição escancarada acabou.


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