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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Contra Lourdes: literatos e filósofos céticos nada puderam


A investida laicista contra Lourdes procurarou assumir aparências científicas. E nada conseguiu.

Então, o espírito de orgulho apelou para a literatura anti-clerical. Num escrito profundamente marcado pela impiedade e pela blasfêmia, intitulado Vida de Jesus, Ernest Renan (foto ao lado), que abandonara a carreira eclesiástica, lançou exaltado desafio a quem ousasse apresentar um milagre qualquer.

Logo — dizia — será convocada uma comissão de cientistas que analisará a ocorrência, repeti-la-á quantas vezes forem necessárias, e por fim demonstrará, com certeza, ser fato inteiramente explicável pela ciência, ficando esmagada para sempre a crença em intervenções sobrenaturais.

Renan escreveu isto cinco anos após as aparições de Lourdes. Entretanto, as numerosas curas dariam cabal e insofismável desmentido ao exacerbado autor revolucionário.

Anatole France, Prêmio Nobel de Literatura, cobria de ironias toda espécie de religiosidade.

Durante sua visita a Lourdes, mostraram-lhe a enorme quantidade de muletas penduradas na parede da Gruta.

Torcendo o nariz, só soube dizer: “Mas não tem sequer uma perna de pau!”.

Na realidade, o racionalismo igualitário e libertino, inspirador da Revolução Francesa, estava sofrendo duríssimos golpes em conseqüência dos prodígios ocorridos em Lourdes.


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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

De nada adiantou a onda de difamações contra Santa Bernadette

No século XIX generalizaram-se as doenças nervosas, como repercussão da industrialização e das megalópoles nascentes. E os primeiros vagidos da moderna psiquiatria revelaram toda uma coletânea de novas patologias, perturbações e desequilíbrios mentais.

Três médicos de Lourdes analisaram Santa Bernadette buscando pretexto para interná-la num asilo psiquiátrico. Nada conseguiram.

Em 1872, o Dr. Voisin, médico do famoso hospital da Salpêtrière (Paris), em conferência sobre doenças psíquicas, apresentou Santa Bernadette como exemplo de alienada mental, de “criança alucinada”, “encerrada num convento das Ursulinas de Nevers”.

O Bispo dessa cidade respondeu em carta pública, esclarecendo que Bernadette não estava nas Ursulinas, mas no convento das freiras da Caridade, e convidou o pouco informado psicólogo a constatar diretamente como ela era “uma pessoa de uma sabedoria pouco comum e de uma calma que ninguém consegue nem de perto imitar”. O Dr. Voisin sumiu...

A seguir, o Dr. Jean Martin Charcot, também da Salpêtrière, conhecido pelas suas teorias sobre as idéias fixas no inconsciente — tese desenvolvida depois por Freud — atribuiu os milagres de Lourdes a uma “fase de exaltação” físico-afetiva que produziria uma aliás enigmática “operação cerebral”. Tumores e feridas curadas miraculosamente seriam produtos da histeria.

Concomitantemente o Dr. Bernheim, chefe da Escola de Nancy, desqualificava os mesmos milagres como artifícios da sugestão. Estes opositores e suas teorias afundaram sob uma maré de críticas até de seus próprios seguidores e discípulos.

Em 1955, os Drs. Thérèse e Guy Valot publicaram uma rumorosa contestação intitulada “Lourdes e a ilusão terapêutica”. Segundo eles, tudo não passa de uma tríplice ilusão:

1) dos fiéis mergulhados na credulidade e na ignorância;

2) dos médicos viciados na parcialidade, nos erros de diagnóstico e na leitura incorreta dos resultados dos exames;

3) dos comerciantes, hoteleiros e autoridades locais que lucrariam com o “negócio”. O ataque foi amplamente refutado por teólogos e doutores.

Em 1957, nova investida, desta vez articulada nos caliginosos arraiais da parapsicologia. O Dr. West, dos EUA, estudou onze curas miraculosas. Com base numa só delas, julgou tratar-se de fenômeno histérico misturado com auto-sugestão inconsciente e tapeação médica. Sofismas que nem mereceram refutação.


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