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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Significado de comer ervas: penitência


No dia 25 de fevereiro, Nossa Senhora mandou Santa Bernadette se lavar com a água da gruta e comer ervas da mesma gruta.

No dia anterior (24 de fevereiro) Nossa Senhora tinha feito um apelo insistente à penitência.

O comer ervas insere-se num contexto penitencial, por certo o mais explícito e taxativo de todas as aparições.

Num primeiro momento, o público ficou vendo a Santa comer ervas e se lavar com a água barrenta da fonte achou que enlouquecera. No diálogo que então aconteceu encontramos, vindos dos próprios lábios da vidente, a explicação do até então insólito gesto:

― “E essa erva que tu comeste?”

― “Ela também pediu que fizesse…”


― “O que Ela te disse?”

― “Come dessa erva que está ali”.

― “Mas são os animais que comem erva!”

― “Mas por quê essa agitação hoje? Ontem, Ela me tinha dito de beijar a terra em penitência pelos pecadores”.

― “Mas você sabe que por causa dessas coisas, o pessoal acredita que você está doida?”

― “Pelos pecadores...”

Alguns autores narram o fato atribuindo a Nossa Senhora simplesmente o seguinte pedido:

― “Queres comer erva pelos pecadores?”

Fica assim claro que, como bem entendeu Santa Bernadette, o comer ervas é um ato penitencial em benefício dos pecadores.

Romaria "des Guardians"
O Êxodo do Egito, outro exemplo

Ainda que não tivéssemos as palavras de Santa Bernadette, a exegese católica nos conduziria à mesma conclusão.

De fato, na véspera da partida do Egito, Moisés mandou os judeus prepararem um cabrito e o comerem com ervas amargas (Êxodo 12, 8). É a origem da Ceia Pascal e uma prefigura da Redenção.

Os judeus conservaram o costume como lembrança da escravidão no Egito, que simboliza a escravidão ao pecado do qual Nosso Senhor veio nos libertar.

O cordeiro da Ceia Pascal era recheado com ervas amargas, prefigurando que o Cordeiro de Deus assumiria a tarefa de nos redimir do pecado com um sacrifício satisfatório.

A essência da penitência está precisamente no abandono do reino do pecado em que possamos ter tido parte, simbolizado pelo Egito, para nos voltarmos para a fidelidade a Deus e trilhar o caminho da Lei e da Terra Prometida.

Terra Prometida esta que no contexto histórico de Lourdes, La Salette e Fátima, é bem claramente o Reino de Maria, que Nossa Senhora prometeu dizendo: “No fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.



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quarta-feira, 14 de julho de 2010

A “água milagrosa” de Lourdes

Manancial de Lourdes, dentro da Gruta
Incontáveis multidões de fiéis vão a Lourdes a venerar à Santíssima Virgem, no local das Suas aparições à Santa Bernadete Soubirous.

E, obedecendo ao pedido da Mãe de Deus, essas multidões de fiéis bebem e lavam-se com a água da gruta das aparições.

Significado da “água milagrosa”

Já desde os tempos das aparições, a água da fonte de Lourdes foi tida como “milagrosa”. E, no mesmo sentido em que numerosas imagens de Nosso Senhor, de nossa Senhora e de incontáveis Santos são tidas por “imagens milagrosas”. Do mesmo modo que, também a justo título, numerosas relíquias são chamadas “relíquias milagrosas”.

Assim são incontáveis os brasileiros que, em sã consciência, tem a Nossa Senhora Aparecida em conta de imagem milagrosa. Assim, a Ela se dirigem em romarías para solicitar a cura das suas doenças, a solução para seus problemas mais delicados, a paz e o conforto de alma para suas aflições espirituais.

Se lavando com água em Lourdes
No mesmo sentido, tem-se difundido aos milhões no mundo a “Medalha milagrosa”, indicada por Nossa Senhora nas Suas aparições na Rue du Bac à Santa Catarina Labouré.

Com expressões como “água milagrosa”, “imagem milagrosa”, etc., gerações e gerações de fiéis, na sua simplicidade, não entendem outra coisa senão o que a Santa Igreja ensina em matéria de milagres.

Fato confirmado pela avidez e entusiasmo com que os fiéis adquirem as publicações com a reta doutrina sobre os milagres, e pela pacífica e irrestrita aceitação do ensinamento da Igreja a respeito.

O ensinamento esclarecedor de São Tomás de Aquino



Como ensina Santo Tomás de Aquino, o milagre propriamente dito, não é produzido pela imagem milagrosa ou pela relíquia milagrosa, nem mesmo pelo Santo em vida. Nestes casos, o milagre é obra do próprio Deus que se serve instrumentalmente das imagens, relíquias ou do Santo em pessoa, para obrar Suas maravilhas.

Tanto nas imagens quanto nas relíquias, e mesmo ainda no Santo, não há uma virtude própria e intrínseca pela qual se operam os milagres. (Cfr. Suma Teológica, II-II, q.178, 1c ad 1 et ad.5; I, q. 117, 3 ad 1; II-II, q. 178, 1 ad 1).

Foi sempre assim que os católicos do orbe inteiro entenderam o valor da água de Lourdes, quando a denominavam, cheios de Fé, simplesmente “água milagrosa”.

E o mesmo se poderia dizer do modo pelo qual os católicos se referem a imagens e relíquias milagrosas. Embora tenham elas sido assim qualificadas pelos fiéis desde sempre, nem por isso foram estes advertidos de as estarem transformando em objetos mágicos ou talismânicos.

E ainda poder-se-ia perguntar: a Igreja teria se enganado durante quase dois mil anos à respeito do culto prestado às imagens e objetos milagrosos, alimentando a superstição e a crendice de raízes pagãs. Então, o que restaria do culto e da liturgia católicas?

Colhendo água nas torneiras de Lourdes
Santo Tomás de Aquino ensina que, falando com propriedade, a Fé não opera milagres por si, mas obra como uma virtude que dispõe bem a pessoa a recebê-lo. E junto com a Fé cooperam a abstinência e a continência (Suma Teológica, II-II, q. 178, 1c ad 5.). Por conseguinte, a Fé não é causa nem condição necessária para o milagre.

Isto pode ver-se nos casos de milagres recebidos por ateus ou pagãos, em ordem à sua conversão, ou para afastá-los de fazer mal à Igreja.


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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Por quê o mundo não abre mais os olhos para Nossa Senhora de Lourdes? - 2

Doentes diante da Gruta de Lourdes
continuação do post anterior

Nossa Senhora é taumaturga?

É! Mas um curandeiro recebe mais propaganda em jornais ou TV. Mas por que comparar aquelas coisas, misturas de patifarias com demônios, com as coisas de Nossa Senhora de Lourdes?

Quem é que faz, a respeito de Lourdes, a propaganda que se fez a respeito do Arigó ou Uri Geller?

O demônio faz uma coisa, então a propaganda fala dele.

Nossa Senhora faz uma coisa, e a propaganda cala. Para o bem, olhos fechados; para o mal, olhos abertos.

Rezando diante da Gruta de Lourdes
Isso indica essa espécie de má fé sistemática do ímpio em relação àquele que procura servir a Nossa Senhora.

E isto para nós católicos é uma fonte de alegria, porque se somos frutos da mesma parcialidade que há contra Ela, é porque temos parte com Ela e estamos debaixo de seu manto. De maneira que isso, para nós, deve ser objeto de reconhecimento e de gratidão.

Todas as coisas de Nosso Senhor foram julgadas assim: fazia aquelas curas, aquela santidade prodigiosa, aquela doutrina extraordinária, aquela presença inefavelmente perfeita.

Porém o Sinédrio dizia-se d’Ele que era glutão, que freqüentava mulheres perdidas, que tinha parte com o demônio. É sempre a mesma história.

Isso nos deve alegrar e fazer-nos pedir a Nossa Senhora que dê coragem e alegria a todos os católicos por serem também um signo de contradição, como foi Ele, como é Nossa Senhora, como é a Igreja e o Papado nos dias de hoje.

Veja a procissão das velas, no dia 20.05.2010

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(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 3.2.64. Sem revisão do autor)


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