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quarta-feira, 21 de março de 2012

Rue du Bac, La Salette, Lourdes e Fátima: uma corrente de apelos extraordinários de Nossa Senhora semi-ouvidos e semi-recusados (3ª parte)

Aspecto da confêrencia
Luis Eduardo Dufaur

Conferência pronunciada no Clube Homs, Av. Paulista, São Paulo, em 8 de fevereiro de 2012.

Continuação do post anterior

E a França, o que fez da advertência de Nossa Senhora? Sem dúvida alguma, a Medalha Milagrosa produziu inúmeros benefícios, continua produzindo e produzirá até o fim do mundo, enquanto alguém queira portá-la consigo.

Mas e a conversão pedida?


A França, é preciso reconhecê-lo, e com ela o mundo todo, não respondeu positivamente ao apelo. E uma e outro continuaram afundando no caminho que os trouxe ao caos contemporâneo.

* * *

Nossa Senhora, entretanto, continuou a agir como a boa mãe que sentindo a dor da recusa, tira de si novos extremos de amor e de generosidade para tentar corrigir o mau filho.

Ela chama novamente o filho, fala-lhe longamente de modo muito raciocinado, e com palavras carregadas de cores e verdade, desvenda-lhe em todo o seu horror o abismo que o aguarda caso ele não volte atrás.

Foi o que Ela fez em 1846 em La Salette, ao apresentar o panorama dos eventos futuros na França e no mundo, na sociedade temporal e na Igreja até o fim dos tempos; ao revelar os imensos castigos que cairiam sobre as nações, a degradação do clero infiel a seus deveres, a demolição da família, o poder destruidor dos infernos abertos e se desencadeando sobre os homens.

Nossa Senhora não se deteve aí. Exímia conhecedora da fraqueza e da dureza de coração do filho desvairado, Ela – que é a “onipotência suplicante” diante de Deus – não se contentou em La Salette a falar pesado, mas excogitou meios que só uma Rainha do Céu e da Terra seria capaz de excogitar e implementar: ordenou que o Segredo de La Salette só fosse publicado em 1858. E, de fato, assim se fez.

1858. – Por que 1858?

* * *

Lourdes! Em 1858, Nossa Senhora apareceu a Santa Bernadette Soubirous na famosa gruta e abriu uma nova economia da graça. Uma continuidade intérmina de milagres e graças continua até hoje. Só em matéria de curas inexplicáveis para a ciência, há mais de 7.000 casos reconhecidos por comissões médicas após exaustivos exames.

Mas há um fato surpreendente que vai mais além desses milagres. E esse fato humanamente é incrível. Milhares, centenas de milhares, talvez milhões de fiéis foram a Lourdes – mais de seis milhões de peregrinos vão cada ano — para pedir explicitamente o milagre de que precisavam. E, entretanto, eles não receberam o milagre, voltando para casa no mesmo estado de saúde ou de alma em que saíram.

As Sras., os Srs. imaginem um banco que não paga aos seus clientes o dinheiro prometido, ou uma empresa que não distribui os lucros que deve. O clamor de indignação das pessoas ludibriadas percorreria a Terra toda, um pouco como se fala hoje das dívidas dos países falidos com o euro.

Entretanto, nós nunca ouvimos dizer que alguém tenha ido a Lourdes, pedido o milagre e não fosse atendido!

Isso é um mistério. O que acontece em Lourdes?

Olhai para as multidões que voltam de Lourdes sem o milagre, mas com o coração cheio, com o desejo profundo de um dia retornar.

Essas multidões talvez não o saibam dizer, mas algo de muito profundo aconteceu nas suas almas. Pois sem que na aparência tenham sido ouvidas, na realidade elas voltam com a sensação de terem sido atendidas com fartura.

O que há aqui? Eu devo voltar para abordar este mistério. Mas permiti-me que, por uma questão de método, eu o faça depois de concluir esta visão histórica de conjunto.

* * *

Em Lourdes, como na Rue du Bac, Nossa Senhora deu ao filho doente – pior, ao filho perdido – uma ajuda enorme para ele se recuperar: a água da Gruta! A água de Lourdes!

Água da montanha, natural, mas que toca os corações e transforma as pedras em filhos de Abraão.

E, da mesma maneira que na Rue du Bac em 1830, em La Salette em 1846, e depois em Fátima em 1917, a palavra chave de Lourdes foi “Penitência”.

Um incontável número de testemunhas ouviu o apelo à penitência pelos lábios de Santa Bernadette.

Mas não a uma penitência qualquer. Uma penitência digna da França, como aquela que São Remígio exigiu do rei dos francos Clóvis no tempo de sua conversão: “Curva-te, Sicambro, queima os deuses que adoras e adora aquilo que queimaste”.

Em Lourdes Nossa Senhora, como a mãe que usa meios que só um amor extremo pode inspirar, usou desta vez uma linguagem mais lacônica, porém mais comovedora: Ela derramou os tesouros de amor concentrados no seu coração para ver se pela manifestação de sua extrema liberalidade conseguia a conversão do filho perdido.

E o filho perdido – o mundo, o catolicismo decadente – ouviu com meia orelha, viu com um olho, e prosseguiu no caminho da perdição. Não se escapa a esta conclusão. É só ver o estado do mundo hoje.

Continua no próximo post







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