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quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Por que se faz a “Missa do Galo” na noite de Natal?

Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal.

A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa.

A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.

Desde o início desta devoção a véspera de Natal é suave e nobremente jubilosa. Por isso é chamada de Noite Santa. Seus cânticos são festivos, como o tradicional Glória litúrgico.

Adoração do Menino Jesus no fim da Missa do Galo, igreja do Oratório, Londres
Adoração do Menino Jesus no fim da Missa do Galo, igreja do Oratório, Londres
Segundo uma tradição católica muito generalizada, os fiéis iam acendendo uma vela a mais em cada semana do Advento, ou período de quatro domingos antes do Natal.

Elas já estavam todas acesas na “Missa do Galo”, solenemente celebrada e na qual a comunhão era oferecida pelo nascimento do Messias.

Em Roma, o Papa deve conduzir pessoalmente a celebração, pois ele é sucessor de Pedro, o Apóstolo designado pelo próprio Jesus para primeiro monarca da Igreja (Mt 16,18).

O Natal é uma das raríssimas datas litúrgicas que contemplam três Missas diferentes: a da noite, a da aurora e a do dia.

Segundo São Gregório Magno, a Missa da noite, ou “do Galoin galli cantu (à hora em que o galo canta) comemora a vinda de Jesus à Terra; a Missa da aurora, celebrada logo depois, comemora o nascimento de Jesus no coração dos fiéis; a Missa do dia, ou Missa de Natal propriamente dita, evoca o nascimento do Verbo de Deus.

A Missa começava com um cântico natalício. No momento do “Gloria in excelsis Deo”, as campainhas tocavam para assinalar o nascimento do Redentor. No fim da celebração, todos iam oscular o Menino. Em algumas Igrejas, o presépio permanecia coberto até o momento do cântico.

De início jejuava-se durante a vigília, como forma de desprendimento e convite à contemplação do grande mistério que vai se celebrar. Comia-se apenas peixe — e em Portugal bacalhau, costume que ainda perdura em muitos lares brasileiros.

Depois que se aboliu o jejum, o povo continuou a chamar a ceia de Natal de “consoada”, embora esta tenha passado a ser mais abundante. “Consoada” significa pequena refeição e surgiu no século XVII. Era feita após a “Missa do Galo”.

Os fiéis chegando para a 'Missa do Galo' (Clarence Gagnon,1933)
Os fiéis chegando para a 'Missa do Galo' (Clarence Gagnon,1933)
Até a revolução “pós-conciliar”, após a “Missa do Galo” as famílias voltavam para suas casas, colocavam a imagem do Menino Jesus no Presépio, cantavam e rezavam em seu louvor, faziam a Ceia de Natal e trocavam presentes.

O nome “Missa do Galo” usa-se apenas em português e espanhol. Na maior parte do mundo chama-se simplesmente Missa da noite de Natal ou Missa da meia-noite.

Na Espanha havia uma tradição peculiar: “Antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite de 24 de dezembro, cada lavrador da província de Toledo matava um galo, em memória daquele que cantou três vezes, quando Pedro negou Jesus, por ocasião da sua morte”.

Em seguida, a “ave era levada para a igreja e oferecida aos pobres”, informa a agência católica Ecclesia.

Apesar do laicismo moderno e da escalada do ateísmo materialista, nessa abençoada noite as catedrais de Paris, Londres, Barcelona e muitas outras se enchem, para acompanhar os coros que cantam as santas alegrias do Natal iminente... até o galo cantar anunciando a Boa Nova!



"Stille Nacht, Heilige Nacht" (Noite silenciosa, noite santa, Alemanha)




"Il est né le Divin Enfant" (Nasceu o Divino Menino, França)




"Gabriel, fram Heven-King" (Gabriel anunciou o Rei do Céu, Inglaterra)





"Pastores loquebantur" (Os pastores falavam, Daniel Bollius)





"Adeste fideles" (Vinde, fiéis, Daniel tradicional)





"Canta ruiseñor" (Canta rouxinol, Peru, tradicional)





"O du fröhliche, o du seliche" (O você feliz, oh você mesmo, Alemanha)





"Dormi Jesu dulcissime" (Dorme, oh meu docíssimo Jesus, Pal Esterhazy, Áustria)






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quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Coroa do Advento:, o nascimento de Jesus se aproxima

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Entre os muitos costumes do Natal cujas origens nem muitos sabem, figura a de montar uma coroa de galhos de pinheiro – ou equivalente – ornada com flores, frutas, bolas, fitas, muita imaginação e o mais importante: quatro velas.

Trata-se da “Coroa do Advento”.

A palavra Advento vem do latim adventus e significa “vinda” ou “chegada”.

O período litúrgico do Advento foi instituído pelo Papa São Gregório I Magno para preparar os fiéis para a vinda de Cristo.

O Advento começa quatro domingos antes do Natal e marca o início do ano litúrgico.

No século XVI na Alemanha apareceu o costume de montar a Coroa de Advento para ir marcando os domingos que faltavam até o Natal.

Em cada domingo acendia-se uma das velas, de maneira que quando todas estivessem acessas o Natal era iminente.

Também em muitas famílias ou igrejas se acrescenta no centro uma grande vela branca. Essa quinta vela é acessa na Noite de Natal.

Na Alemanha há muitas variantes em torno da ideia central e tradicionalmente as velas são vermelhas, que é a cor do fogo da graça e da Luz que o Menino Jesus vem trazer ao mundo.

Porém, na Suécia, elas são brancas para evocar a pureza da festa e, na Áustria são roxas, cor litúrgica do Advento, e simbolizam a penitência que nos prepara para bem receber o divino Redentor. Fonte.



“Rorate Caeli”: sublime canto gregoriano nos prepara para o nascimento de Jesus




Veja mais sobre o Rorate Caeli, letra, significado, etc.



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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Tesouros de Natal: São Nicolau, a árvore maravilhosa, Santa Lucia e o pudding real

Natal 2020, anônimo peruano e igreja colegiata de Thann, Alsacia
Natal 2020, anônimo peruano e igreja colegiata de Thann, Alsácia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
sócio do IPCO,
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Natal abre clareiras de luz e alegria nas trevas e nas tristezas.

Enquanto em Belém raiava a salvação, o imperador Augusto refletia o fracasso de sua política moralizadora.

Perto dele iam noite adentro as orgias e os arúspices e falsos teólogos jogavam as sortes com o oculto.

Eles não sabiam a sociedade do futuro se decidia num estábulo da Judeia.

Ali as mãos virginais de Maria davam ao mundo o Messias que o redimiria com seu sangue, o reorganizaria com seu Evangelho e o inundaria de gáudios com sua graça.

Quem foi São Nicolau?


Foi o caso de São Nicolau (270–343) de Bari, Itália, bispo de Myra, hoje na Turquia, e cuja festa é o 6 de dezembro, no Advento.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Senhora, perdoai as recusas de um mundo que expira!

Maria e José constrangidos a um estábulo
Maria e José constrangidos a um estábulo.
Que acolhida daremos ao Natal neste ano?
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A data de Natal se aproxima e já entramos no Advento, o período para preparar nossas almas para dar uma boa acolhida ao Menino Deus prometido aos Patriarcas e aos Profetas para nossa salvação.

Natal abre uma clareira alegre e tranquila no curso normal e laborioso da vida de todos os dias.

Na nossa época a trégua natalícia vale por um grande e universal apelo a uma humanidade tumultuosa e sofredora, que vai imergindo aceleradamente no caos da mais completa dissolução moral e social.

Nossa época é um vale sombrio entre duas culminâncias, a civilização do passado, da qual decaímos através de sucessivas catástrofes marcadas pela Revolução Protestante e pela Revolução Francesa, e culminaram com os totalitarismos da direita e da esquerda e a civilização do futuro, para a qual caminhamos através de lutas e de dissabores que enchem, a cada momento, de cruzes o nosso caminho.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Imaculado nascimento do Menino Jesus confirmado em Lourdes

Giotto di Bondone entre 1302 e 1306,
Capela degli Scrovegni, Pádua (Itália)
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O afresco representa o Nascimento do Menino Jesus e é de autoria do célebre pintor italiano Giotto.

São José está dormindo, as ovelhinhas estão por perto, o burrico também, e os Anjos enchem o céu, cantando a Glória de Deus.

Os pastores estão ouvindo o cântico celeste: “Glória a Deus no mais alto dos Céus, e paz na Terra aos homens de boa vontade”.

É exatamente o que a Liturgia celebra na noite do dia 24 para 25 de dezembro.

É noite, e Nossa Senhora acaba de dar à luz o Menino Jesus, de modo misterioso e maravilhoso.

O gesto d'Ela, a sua atitude, são apresentados como os de uma pessoa inteiramente sadia, que se empenha em aconchegar o Menino Deus.

Mas Ela o faz com um desembaraço físico de movimentos, que não é o da mãe comum após o parto.

O processo de nascimento é dolorido e difícil, em virtude do pecado original.

Contudo, tendo Nossa Senhora sido virgem antes, durante e depois do parto, esse nascimento se deu de modo milagroso.

Foi a grande verdade indubitável que Nossa Senhora veio confirmar em Lourdes!

Não representou nenhum esforço para a Virgem Santíssima. Ela parece ter acordado de um sono brando.