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quarta-feira, 24 de setembro de 2025

O 69º milagre reconhecido em Lourdes

Danila Castelli em sua casa
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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A beneficiada pelo 69º milagre de Lourdes canonicamente reconhecido é a italiana Danila Castelli.

Nota: Felizmente após este reconhecimento se deu mais um. O da Irmã Bernadette Moriau,

Ela foi curada miraculosamente da síndrome da cauda equina, quando tinha 79 anos em 11-07-2008. 

Ela é de Beauvais (França) e o reconhecimento aconteceu em 11-02-2018. 

Veja como foi em "Mais um milagre de Lourdes proclamado oficialmente. É o nº 70"

Ela nasceu em 16 janeiro de 1946 na cidade de Bereguardo, Itália, é casada, mãe de família e mora em Pavia, Itália.

Até os 34 anos de idade levou uma vida normal, quando começou a padecer de crises de hipertensão (pressão alta) espontâneas graves.

Em 1982, exames radiológicos e ecografias revelaram a existência de um tumor para-uterino e um útero fibromatóide

Danila foi objeto então de uma histerectomia (ablação do útero) e de uma anexectomia (excisão de anexos uterinos).

Sua situação foi piorando e em novembro de 1982 ela foi objeto de uma ablação parcial do pâncreas.

"Estava desenganada pelos médicos,
mas em Lourdes fiquei curada"
No ano seguinte, uma cintilografia (exame que permite a visualização de órgão) confirmou a presencia de “feocromocitomas” (doença tumoral que produz catecolaminas, ou tumores raros que se desenvolvem na região medular das glândulas suprarrenais) na região do rectum, da vesícula e da vagina.

Até 1988, passou por diversas intervenções cirúrgicas com o objetivo de eliminar os focos que provocavam as crises de tensão arterial. Porém, o efeito foi nulo.

Desde 1983, Danila começou a peregrinar todo ano a Lourdes.

A peregrinação de 1989 parecia ser a última. Ela passava muito mal. “Estava desenganada”, conta ela.

Mas, foi nessa romaria em que tudo parecia perdido, quando ela tinha 43 anos e após 9 anos de sofrimentos continuados, que Nossa Senhora lhe concedeu o milagre.

No dia 4 de maio, Danila tomou banho nas piscinas do santuário obedecendo ao pedido de Nossa Senhora transmitido por Santa Bernadette: “a Senhora me disse que eu deveria beber da fonte e lavar-me nela”.

Naquele momento sentiu um bem-estar extraordinário.

D. Giovanni Giudici, bispo de Pavia,
decretou o milagre
A seguir, ela se apresentou ao Escritório de Constatações Médicas de Lourdes (Bureau des Constatations Médicales de Lourdes) e declarou o que lhe tinha acontecido.

Como é de praxe, foi analisada, teve que fornecer os resultados dos exames antes e após a cura extraordinária e responder a todas as perguntas médicas.

O Bureau realizou cinco reuniões (em 1989, 1992, 1994, 1997 e 2010 respectivamente) e acabou constatando a cura inexplicável pela ciência.

Os médicos tiveram ainda que votar o caso e com um voto formal e unânime declararam:

“A Sra. Castelli esta curada de maneira completa e durável, desde sua peregrinação a Lourdes em 1989, do síndrome que ela sofria, e isto sem relação com as intervenções e tratamentos médicos”.

Desde a data do milagre, Danila Castelli retomou uma vida totalmente normal.

O caso de Danila foi então para o Comitê Médico Internacional de Lourdes – CMIL (Comité Médical International de Lourdes).

O CMIL é uma espécie de segunda instância médica que revisa e critica a decisão dos médicos do Escritório de Constatações Médicas de Lourdes, que é uma espécie de primeira instância. Os médicos do CMIL não tem relação com o Escritório de Lourdes e é composto de outras autoridades, que muitas vezes moram no exterior.

Por fim, o CMIL, reunido em Paris, em 19 de novembro 2011, confirmou e certificou:

“que o modo da cura continua sendo inexplicável no atual estágio dos conhecimentos científicos”.

A ciência havia dado sua última palavra. Depois disso, era o momento da Igreja falar, pois o milagre é um fato religioso e só a autoridade diocesana do beneficiado é capaz de se pronunciar a este respeito.

No caso concreto, a responsabilidade recaia no bispo de Pavia, que ainda entregou o caso à análise de uma comissão teológica-médica. O resultado foi a aprovação plena.

Hoje Danila também é voluntária em Lourdes para ajudar aos doentes
Hoje Danila é voluntária em Lourdes para ajudar os doentes
Diante das evidências e sem temer as críticas dos céticos e da cristianofobia, no dia 20 junho de 2013, Dom Giovanni Giudici, bispo da diocese de Pavia (Itália) onde mora Danila Castelli, declarou o caráter “prodigioso e milagroso” e a categoria de “sinal” de dita cura.

Este é a 69ª cura de Lourdes reconhecida milagrosa por um bispo, de forma canônica, quer dizer de acordo com a lei da Igreja, não havendo mais razão para se duvidar dela.

Hoje Danila também é voluntária em Lourdes para ajudar os doentes.

Quem sabe o leitor romeiro em Lourdes passou ao lado dela e não chegou a perceber, de tal maneira o sobrenatural impregna o ambiente do santuário.


(Fonte: Bureau des Constatations Médicales du sanctuaire de Lourdes


Vídeo: Fala o Dr. de Franciscis, presidente do Bureau des Constatations Médicales du sanctuaire de Lourdes (italiano)




Vídeo: Danila Castelli conta o que ela sentiu na sua cura milagrosa




Acompanhe online o que está acontecendo agora na própria gruta de Lourdes pela Webcam do santuário. 



quarta-feira, 30 de julho de 2025

O milagre de Théa Angele

Théa Angele
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Em Lourdes, os milagres acontecem de modo imprevisível a pessoas de todas as idades e condições.

Mais comumente acontecem por ocasião do uso da água da Gruta denominada "água de Lourdes" — bebendo-a ou banhando-se nela — ou em cerimônias litúrgicas tradicionais, como a bênção do Santíssimo Sacramento aos doentes.

A grande maioria dos milagres reconhecidos ocorreu em Lourdes.

Porém houve curas — também reconhecidas — em outros continentes, de pessoas que recorreram à água da Gruta, ou de alguma gruta local evocativa da gruta de Lourdes.

Caso típico em Lourdes foi o de Théa Angele (foto), jovem alemã atingida por arteriosclerose em placa, que chegou quase moribunda a Lourdes em 17 de maio de 1950.

Veja vídeo
Procissão final: 
canto do Credo
Seu corpo repelia tudo que lhe davam. Ela subsistia com soro endovenoso, pesava 34 quilos, estava inconsciente e quadriplégica.

Seu único movimento eram espasmos dos olhos e da mandíbula.

Acreditou-se que morreria em plena viagem. Um sacerdote administrou-lhe a Extrema Unção, achando que ela já era cadáver.

― “Como pode se enviar ao exterior uma moribunda que têm que fazer uma viagem de 30 horas”, protestou um de seus médicos na cidade de Colônia quando soube da vontade da doente.

A ficha de Théa na Sala dos Milagres, Lourdes
Em Lourdes, após o quarto banho consecutivo, sorriu e falou pela primeira vez, dizendo:

“Agora posso falar tudo, e estou com uma fome terrível”. E comeu com apetite.

No dia seguinte foi levada ao Bureau Médico, onde a paralisia acabou de se dissipar diante dos médicos.

No outro dia, após mais dois banhos, venceu a fraqueza e caminhou até a capela do asilo.

O milagre é acompanhado de uma conversão espiritual.

Théa fez-se religiosa, como várias miraculadas.

Mas outras, e numerosas, foram mães de família.

Geralmente os miraculados atingiram grande longevidade, embora um tenha morrido com 44 anos num acidente.

Com muita frequência eles voltam a Lourdes para trabalhar como benévolos na assistência aos doentes.


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quarta-feira, 26 de março de 2025

O que sente um miraculado na hora do milagre? - 3

Jean-Pierre Bély: seu médico era ateu e acabou se convertendo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: O que sente um miraculado na hora do milagre? - 2



 Jean-Pierre Bély prossegue seu relato

“À tarde, conduziram-me de maca à cerimônia de encerramento da peregrinação. Lá, fui dominado por uma vontade irrefreável de me levantar e de caminhar.

“Mas, vendo em torno de mim todos os outros doentes de maca, tive medo de chocá-los. Desde aquele momento, decidi agir discretamente”.

“Naquela noite fui acordado delicadamente. Senti que alguém me tocava. Julguei que era a enfermeira da noite, que queria colocar-me o cobertor.

“Então acordei e não vi ninguém. Ouvi o sino da Basílica tocar três vezes. Mais tarde, interroguei a enfermeira sobre o fato, mas ela disse não se lembrar de me ter coberto durante a noite...

“Comecei então a relembrar todos os acontecimentos da peregrinação, quando me veio uma idéia inesperada, e que se apresentou a meu espírito como uma ordem, um convite: 'Levanta-te e caminha!'

“Eu julgava estar imaginando coisas; além disso, levantar-me em plena noite, quando eu não tinha nenhuma necessidade!

“Eu estava bem aconchegado e não sentia nenhum incômodo... Virava-me na cama, tentando afastar essa idéia de meu espírito. Fechei os olhos, tentando voltar a dormir. Mas era impossível.

“O apelo voltava, mais insistente, mais premente que a primeira vez. Tudo isso me deixava mal à vontade...

“Virava-me e revirava-me no leito... O apelo tornou-se firme. O que eu ouvia não eram palavras, mas era como se alguém me falasse sem dizer palavras.

“É difícil explicar. 'Vamos, levanta-te, é a hora, caminha!'” ( )

“Vendo que eu me movia no leito, a enfermeira da noite perguntou-me o que eu tinha. Disse-lhe que desejava levantar-me para ir à toalete.

“E caminhei pela primeira vez. Ela simplesmente segurava-me pelo braço. Dei os meus primeiros passos na noite, como um bebê que aprende a caminhar”.

Grande surpresa na cidade do miraculado

Bély narra em seguida: “Eu não quis ir ao Bureau Médico de Lourdes. Minimizei voluntariamente as coisas. Na estação de trem de Angoulême, aguardei minha esposa numa cadeira de rodas. No carro que me conduzia à casa, expliquei-lhe que meu estado de saúde tinha melhorado.

“Quando me viu subir os degraus da escada, ela entendeu”.

O Dr. Patrick Fontanaud, que cuidava de Bély, passou mal quando o viu sentado na sala de espera. Fontanaud é agnóstico, mas confessa que a cura é inexplicável.

“Na paróquia, as pessoas choraram quando o viram voltar com suas próprias forças. Raymond, o carteiro, declarou à imprensa local: “Agora eu serei obrigado a acreditar no Bom Deus!”

Pormenorizado e indispensável inquérito médico

O bispo de Angoulême insistiu para que Bély voltasse ao Bureau Médico de Lourdes um ano após a cura. O inquérito durou 11 anos e consistiu numa longa série de exames médicos e psiquiátricos.

“Queriam ver se meu juízo era normal, se eu não era um iluminado ou um místico”.

Cada ano, ele comparecia diante de um auditório composto de 60 a 80 membros do Comitê Médico Internacional e respondia a um pinga-fogo de perguntas. “Alguns tentavam colocar cascas de banana” — conta Bély. “Certa vez, um deles me disse: 'Então o Sr., desse jeito, viu a Santíssima Virgem'. Respondi-lhe: 'É o Sr. que o diz, não eu'”.

Em 14-11-1998, o Comitê Médico Internacional de Lourdes concluiu tratar-se de “cura inesperada” e “fato inabitual e inexplicável em função dos dados da ciência”. ( ) Em 9-2-1999, o bispo de Angoulême, D. Claude Dagens, reconheceu publicamente em nome da Igreja o caráter autêntico do milagre.( )

Singular paradoxo: o Estado francês, herdeiro da Revolução de 1789, é ostensivamente agnóstico e laicista.

Essa posição face à Religião explica que mantenha a pensão e benefícios em favor de Bély, pois prefere pagar qualquer preço a ter de reconhecer a ocorrência de uma cura inexplicável...

Antecedente do triunfo do Imaculado Coração de Maria?

A cura do corpo, insiste Bély, foi precedida de uma cura da alma. Uma como que conversão. Seu caso permite supor, guardadas as devidas proporções, como poderá transcorrer a imensa ação a ser efetuada por Nossa Senhora, que resultará no triunfo do seu Imaculado Coração sobre a humanidade.

A humanidade é a grande enferma da Terra.

Corpo incorrupto de Santa Bernadette
E ela não padece de uma doença qualquer, mas sofre as consequências de um espírito igualitário, de revolta e de sensualidade — a Revolução — capaz de lançá-la numa ruína extrema, próxima da morte.

Em meio a crises e padecimentos inenarráveis, a graça tirará do abismo moral as almas que se voltarem para a penitência, a oração e os sacramentos.

Elas poderão até resistir à graça, mas ouvirão de alguma maneira, o “levanta-te e caminha”, que Jean-Pierre Bély escutou tão imperativamente.

Então a humanidade regenerada voltará à senda bendita da Santa Igreja e da Civilização Cristã, no Reino do Imaculado Coração de Maria, profetizado por Nossa Senhora em Fátima.

É uma analogia que o extraordinário caso de Jean-Pierre Bély sugere.


Vídeo: Lourdes: o milagre de Jean-Pierre Bély




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quarta-feira, 12 de março de 2025

O que sente um miraculado na hora do milagre? - 2

Jean-Pierre Bély descreveu com pormenor o milagr
Jean-Pierre Bély descreveu com pormenor o milagre
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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continuação do post anterior: O que sente um miraculado na hora do milagre? - 1



Sem dúvida, em cada caso as impressões variam muito em função das doenças e das situações.

Contudo, a descrição de um dois últimos milagres de Lourdes oficialmente reconhecido pela Igreja chega até nós com detalhes que arrepiam, comovem e inspiram uma reflexão.

Em 1987, Jean-Pierre Bély era um paraplégico em fase terminal. Hoje esbanja saúde. Ele descreveu sua miraculosa cura nos mínimos detalhes, com uma singeleza tocante.

Bély mora em La Couronne, perto de Angoulême, no interior da França. Na entrada da sua casa, uma gruta de Lourdes em miniatura recebe o visitante.

A mobília é discreta e tradicional, típica da pequena burguesia provinciana. Há uma imagem de Nossa Senhora e duas fotos: uma de Santa Bernadette e outra de Santa Teresinha. Tudo está arranjado despretensiosamente.

O ambiente nada tem de comum com o de místicos, visionários, ou alumbrados, os quais, infelizmente, não são poucos nestes conturbados dias de falsas aparições, pretensos prodígios e pseudo-revelações.

Ele nasceu em 1936. É casado e pai de dois filhos. Trabalhava como enfermeiro no hospital de Angoulême quando, em 1972, a doença manifestou nele seus primeiros sintomas. Começou a sentir fadiga, formigamentos nas mãos e nos pés. Numa manhã de 1984, acordou com todo o lado direito do corpo paralisado.

Era a esclerose em placa, enfermidade degenerativa do sistema nervoso que conduz a uma dolorosa morte. “É uma doença desmoralizadora — narra ele —, que avança aos pulos. A pessoa acredita sentir-se melhor, e depois, subitamente, o estado de saúde piora. Por fim eu tinha os punhos tão deformados, que já não podia mexer mais as mãos”. ( )

Em 1987, seu quadro clínico era desesperador. O sistema de saúde público o tinha declarado 100% inepto a título definitivo, e pagava um assistente para suas necessidades básicas como alimentação, higiene, etc. Ele era transportado em maca.

Filas de doentes na procissão em Lourdes, até sob a chuva
Filas de doentes na procissão em Lourdes, até sob a chuva
Em 5 de outubro daquele ano, Bély peregrinou a Lourdes. Quatro dias depois, tudo ia mudar.

A unção dos enfermos e a paz interior


Bély estava no fim da peregrinação, e só piorava. Seus acompanhantes temiam que morresse antes de voltar. Deixemos o miraculado descrever o que sentiu.

“Eu estava sobre a esplanada diante da Basílica, deitado numa maca. Era a cerimônia da unção dos doentes. O ambiente era extraordinário. Eu tinha a impressão de viver intensamente o momento. Após receber a extrema-unção, senti uma paz, uma alegria, uma serenidade extraordinárias. Como se tudo o que havia de mau na minha vida me tivesse sido tirado: meu esgotamento, minha ansiedade, meus escrúpulos...

“Eu estava exultante, desligado do mundo. Tinha a impressão de flutuar. Sentia-me alheio ao mundo. Meu corpo não interessava. Posso dizer que recebi a cura do coração antes que a do corpo. Essa paz, essa serenidade não me deixaram mais. E todos os dias tenho a impressão de reviver esse momento.

“Os maqueiros me levaram para o quarto. Quando me deitaram na cama, voltei a prestar atenção no meu corpo. [...] Senti frio. Não era um frio que vinha de fora, mas a impressão de afundar num buraco frio. Parecia-me que ia morrer. [...]

“Mas depois, de uma só vez, senti um calor nos artelhos, como uma luz longínqua que cresce, aquece e devolve a vida. Esse calor subiu progressivamente pelos meus pés, pelas minhas pernas, pelos meus músculos, por todo o meu corpo. À medida que ele ia subindo, era como se a vida voltasse. Eu tive a impressão de que era puxado pela pele das costas e tirado fora daquele buraco frio.

“Tudo isso deve ter sido muito rápido, mas eu não tinha noção do tempo. Num instante senti-me como que puxado para cima, e vi-me sentado à borda da cama, perguntando-me o que é que eu fazia lá.”


continua no próximo post: O que sente um miraculado na hora do milagre? - 3



Vídeo: Lourdes: o milagre de Jean-Pierre Bély






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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

O que sente um miraculado na hora do milagre? - 1

Théa Angele chegou moribunda em 17 de maio de 1950
Luis Dufaur
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O que sente o doente quando é objeto de um milagre em Lourdes?

Uma consolação? Uma luz? Uma dor? O leitor já imaginou?

De modo geral, na hora do milagre os beneficiados percebem sensações  características. A mais citada é a “de um calor desacostumado que toma conta do corpo”.

Frequentemente os miraculados mencionam dores muito agudas, como Jeanne Gestas, que teve uma “sensação de que algo lhe era arrancado”.

Os milagres acontecem de modo imprevisível a pessoas de todas as idades e condições. Mais frequentemente é por ocasião do uso da água de Lourdes — bebendo-a ou banhando-se nela — ou em cerimônias litúrgicas tradicionais, como a bênção do Santíssimo Sacramento aos enfermos.

A grande maioria dos milagres reconhecidos ocorreu em Lourdes, mas houve curas — também reconhecidas — em outros continentes, de pessoas que recorreram à água da Gruta.

Um caso típico em Lourdes foi o de Théa Angele, jovem alemã atingida por arteriosclerose em placa, que chegou quase moribunda a Lourdes em 17 de maio de 1950.

O corpo repelia tudo que lhe davam. Ela subsistia com soro endovenoso, pesava 34 quilos, estava inconsciente e quadriplégica. Seu único movimento eram espasmos dos olhos e da mandíbula. Acreditou-se que morreria em plena viagem. Um sacerdote administrou-lhe a Extrema Unção, achando que ela já era cadáver.

― “Como pode se enviar ao exterior uma moribunda que têm que fazer uma viagem de 30 horas?!”, protestou um de seus médicos na cidade de Colônia quando soube da vontade da doente.

Em Lourdes, após o quarto banho consecutivo, sorriu e falou pela primeira vez, dizendo: “Agora posso falar tudo, e estou com uma fome terrível”. E comeu com apetite.

No dia seguinte foi levada ao Bureau Médico, onde a paralisia acabou de se dissipar diante dos médicos. No outro dia, após mais dois banhos, venceu a fraqueza e caminhou até a Capela do Asilo.

O milagre é acompanhado de uma conversão espiritual. Théa fez-se religiosa, como várias miraculadas. Mas outras, e numerosas, foram pais ou mães de família.

Geralmente os miraculados atingiram grande longevidade, embora um tenha morrido com 44 anos num acidente. Com muita frequência eles voltam a Lourdes para trabalhar como voluntários na assistência aos doentes.


continua no próximo post: O que sente um miraculado na hora do milagre? - 2



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quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

71º milagre de LOURDES, reconhecido um século depois

John Traynor, antes e depois da cura milagrosa
John Traynor, antes e depois da cura milagrosa
Luis Dufaur
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Recente confirmação da cura, oficialmente reconhecida como milagrosa, do soldado John Traynor, da Marinha Real Britânica.

Em sua pesquisa, o Dr. Moriaty descobriu várias pastas nos arquivos de Lourdes, que incluíam os depoimentos dos três médicos que naquela época examinaram Traynor antes e depois de sua cura, juntamente com outras evidências.

Isso levou a que o caso de Traynor fosse declarado não explicável pela ciência médica e considerado milagroso pela Igreja.

O arcebispo Dom McMahon declarou:

“Dado o peso das evidências médicas, o testemunho da fé de John Traynor e sua devoção a Nossa Senhora, é com grande alegria que declaro que a cura de John Traynor, de múltiplas condições médicas graves, deve ser reconhecida como um milagre realizado pelo poder de Deus por meio da intercessão de Nossa Senhora de Lourdes.”


O fato de o Arcebispo de Liverpool declarar depois de tanto tempo que a cura do militar inglês pode ser considerada milagrosa, mostra todo o rigor da Igreja em aprovar um milagre.

Para se ter ideia disso, constate-se que o Bureau Médico de Lourdes, encarregado de analisar as possíveis curas tidas por milagrosas, registrou, desde 1905, sete mil curas “medicamente inexplicáveis”.

Entretanto, destas, só 70 foram declaradas “milagrosas” pela Igreja.

De família profundamente católica John Traynor nasceu em Liverpool, em 1883, de mãe irlandesa. Ela faleceu quando ele ainda era jovem.

Em seu testemunho apresentado no site do santuário, Traynor afirma que “sua devoção à Missa e à Sagrada Comunhão e sua confiança na Mãe Santíssima permaneceram com ele como uma memória e um exemplo frutífero”. Pois sua mãe era, naquela época, “comungante diária quando poucas pessoas o eram”.

Feridas incuráveis das batalhas


John Traynor, indo para a I Guerra Mundial
John Traynor, indo para a I Guerra Mundial
No início da Primeira Grande Guerra (1914-1918), participando no sítio de Antuérpia como membro da Reserva da Marinha Real, John Traynor foi atingido na cabeça por estilhaços ao tentar carregar um oficial para fora do campo. Recuperando-se rapidamente, voltou ao serviço.

Em 25 de abril de 1915, ele participou de um desembarque anfíbio nas costas de Galípoli, como parte de uma tentativa mal-sucedida das tropas britânicas e francesas de capturar a península na Turquia ocupada pelos otomanos.

Traynor foi dos poucos soldados a chegar à costa naquele primeiro dia, apesar do ataque de fogo de metralhadora pelas forças turcas que estavam no topo de barrancos íngremes junto à praia.

Por mais de uma semana ele permaneceu ileso enquanto tentava liderar o pequeno contingente que sobrevivera ao ataque.

Entretanto, no dia 8 de maio o destemido militar recebeu uma rajada de metralhadora na cabeça, no peito e no braço, durante uma carga de baioneta.

Seus ferimentos o deixaram com o braço direito paralisado e o tornaram suscetível a ataques epiléticos.

Os médicos tentaram várias cirurgias para reparar os nervos danificados em seu braço e tratar dos ferimentos na cabeça que se acreditava serem a causa de sua epilepsia, mas sem sucesso.

Tendo sido considerado “completa e incuravelmente incapacitado”, oito anos depois da batalha Traynor foi designado para internação em um hospital para incuráveis.

Ele, entretanto, ignorando os apelos da es- posa, dos médicos e sacerdotes, insistiu em participar da peregrinação de sua paróquia a Lourdes, de 22 a 27 de julho de 1923.

John Traynor curado podia carregar sacas de mais de 90 kilos
John Traynor curado podia carregar
sacas de mais de 90 quilos
Efeito dos banhos nas piscinas


Nos três primeiros dias da viagem, Traynor esteve gravemente doente. Já em Lourdes, enfrentando a resistência de seus cuidadores, conforme ele afirma em seu depoimento, “conseguiu ser banhado nove vezes na água da piscina da gruta”.

No segundo dia em Lourdes, o militar sofreu um severo ataque epi- lético enquanto era levado à piscina. Diz ele: “Sangue escorria da minha boca, e os médicos ficaram muito alarmados”.

Mas quando tentavam levá-lo de volta ao seu alojamento, Traynor se recusou, puxando os freios da cadeira de rodas com sua mão sadia.

Então, afirma ele em seu depoimento, “eles me levaram para o banho e me banharam da maneira usual. Nunca mais tive um ataque epilético depois disso”.

Quando estava na piscina no dia seguinte, sentiu que sua perna direita, até então paralisada, tornou-se “violentamente agitada”, e ele sentiu como se tivesse recuperado o uso dela.

Como deveria retornar para a procissão eucarística, os seus cuidadores, que acreditavam que ele estava tendo outro ataque epilético, levaram-no às pressas para a igreja do Rosário.

Lá, quando o Arcebispo de Reims passou por ele com o Santíssimo Sacramento, também seu braço direito foi “violentamente agitado”. Então ele rompeu suas bandagens e fez o Sinal da Cruz, pela primeira vez em oito anos.

Sentindo-se curado, na manhã seguinte Traynor pulou da cama e correu para a gruta.

Diante da imagem da Virgem, ele disse: “Minha mãe sempre me ensinou quando alguém pede um favor a Nossa Senhora ou deseja mostrar a Ela alguma veneração especial, deve fazer um sacrifício”.

Então, continua, “eu não tinha dinheiro para oferecer, pois havia gastado meus últimos shillings em rosários e medalhas para minha esposa e meus filhos. Mas, ajoelhado diante da Mãe Santíssima, fiz o único sacrifício que pude pensar: resolvi parar de fumar”.

Conclui Madalaine Elhabbal, no artigo em que nos baseamos:

“Na manhã de 27 de julho, Traynor foi examinado por três médicos, os quais descobriram que ele havia recuperado sua capacidade de andar perfeitamente, assim como o uso e a função completos de seu braço e perna direita.

“As feridas em seu corpo haviam cicatrizado completamente e seus ataques epiléticos cessaram. Uma abertura em seu crânio, criada durante uma de suas cirurgias, também havia diminuído consideravelmente.

“Um dos relatórios oficiais emitidos pelo Bureau Médico de Lourdes em 2 de outubro de 1926 mais tarde descoberto por Moriarty afirma que a ‘cura extraordinária de Traynor está absolutamente além e acima dos poderes da natureza’”.


John Traynor voltou todo ano a Lourdes como maqueiro
John Traynor voltou todo ano a Lourdes como maqueiro.
Foto de sua última viagem (no alto, no centro)
Traynor teve três filhos após sua cura; deu a uma das filhas o nome de Bernadette.

Acredita-se que John Traynor seja o primeiro católico britânico a ser curado em Lourdes, de acordo com o site do santuário.

Notas:

* Healing at Lourdes of British World War I soldier declared “mi- raculous” by Madalaine Elhabbal Catholic News Agency Dec 10, 2024. https://www.catholicnewsagency.com/news/260945/healing-at-lourdes-of-british-world-war-i-soldier-declared-miraculous”utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_ campaign=catholic_news_healing_at_lourdes_of_british_world_war_i_soldier_officially_declared_miraculous&utm_term=2024-12-10

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Na consolação ou na aridez, Nossa Senhora age como Mãe

Doentes em Lourdes, uns Nossa Senhora leva pela consolação, outros pela aridez
Doentes em Lourdes, uns Nossa Senhora leva pela consolação, outros pela aridez
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Em Lourdes nós vemos um exemplo de como Nossa Senhora pode agir. E que é um modo diferente do que nós queremos, mas é mais sapiencial.

Há doentes que chegam a Lourdes e tem uma consolação espiritual extraordinária.

Depois, banham-se na piscina, curam-se.

E voltam para casa cantando os louvores de Nossa Senhora.

Esse é um quadro clássico.

Mas há outros doentes que chegam e tem uma aridez do outro mundo.

Eles têm a impressão de que aquilo não da em nada nada. Banham-se na piscina, não saram, e voltam para casa tristes.

Mas, às vezes, no trajeto de volta, saram!

Nossa Senhora quis conceder através da aridez aquilo que Ela não concederia através da consolação.

Porque Ela tem os seus caminhos para cada um.

Então, é também típico caso de Lourdes o das pessoas, por exemplo um surdo que está voltando para casa.

De repente um companheiro lhe faz uma pergunta, ele responde e começa a conversar.

O companheiro:

— Você não está notando que você esta ouvindo?

— Ah, é verdade, imagine! Reza o Magnificat, etc. Aconteceu num momento em que a pessoa menos se deu conta.

Há graças assim que Nossa Senhora da por essa via porque quer aproximar dEla alguns pela aridez.

Procissão de doentes em Lourdes conduzidos por cavaleiros e voluntários da Ordem de Malta
Procissão de doentes em Lourdes
conduzidos por cavaleiros e voluntários da Ordem de Malta
E a outros quer aproximá-los pela consolação.

Ela é Mãe, Ela sabe.

Então, se uma imagem causa uma impressão profunda, não deve ser uma razão para achar que todos têm que ficar também manifestamente impressionados com essa imagem.

Pode ser que alguns não tenham tido essa consolação, essa impressão sensível.

E esses tampouco devem se sentir abatidos ou diminuídos com isso.

Nossa Senhora tem suas vias, Ela é Mãe de misericórdia, e Ela tem em relação a todos que estão lendo estas linhas.

Ela deu ou dará alguma coisa a todos.

De maneira que ninguém ficará sem algo.

É questão de esperar, porque a graça virá.

Ninguém deve se recriminar. Ninguém deve procurasse atribuir a aridez a faltas especiais suas.

A nós se aplicam verdadeiramente as palavras do Memorare (o “Lembrai-vos”): “gemendo sob o peso de nossos pecados” e nos cabe nos prostra aos pés dEla, que é Mãe de misericórdia para os pecadores.

De maneira que não é o caso de nós dizermos: eu tive tal desolação, portanto estou mal nesse e naquele outro ponto.

Nesse pensamento errado entra o demônio da dúvida e do desespero que só prejudica a vida espiritual.

Nessa hora lembremos dos milagres de Lourdes em toda a sua enorme variedade e imprevisibilidade, na consolação ou na aridez.



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quarta-feira, 22 de maio de 2024

O milagre do terço salvou os missionários em Hiroshima

Os padres Hugo Lassalle (Superior dos jesuítas no Japão), Hubert Schiffer,
Wilhelm Kleinsorge e Hubert Cieslik [assinalados no círculo da foto]
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






No dia 6 de agosto de 1945, solenidade da Transfiguração de Nosso Senhor e praticamente no fim da II Guerra Mundial, a aviação americana lançou sobre a cidade de Hiroshima, no Japão, a bomba atômica “Little Boy”, de urânio, que provocou a morte de 140 mil pessoas, mais de 70 mil feridos, e grande parte da cidade destruída.

Três dias depois, a mesma aviação lançou a bomba nuclear de plutônio, “Fat Man”, sobre a cidade de Nagasaki. Essa bomba destruiu a catedral da Imaculada Conceição, matando muitos católicos que estavam no templo.

Foi a primeira e única vez em que armas nucleares foram usadas contra alvos civis.

Devido à radiação, entre dois a quatro meses após os ataques atômicos, os efeitos agudos das explosões mataram entre 90 e 166 mil pessoas em Hiroshima, e 60 a 80 mil em Nagasaki.

Durante os meses seguintes, várias pessoas morreram por causa do efeito de queimaduras, envenenamento radioativo e outras lesões, que foram agravadas pelos efeitos da radiação.

Nesse terrível cenário, ocorreu nessa cidade um fato surpreendente, que passou a ser conhecido como o “Milagre de Hiroshima”: quatro sacerdotes jesuítas alemães sobreviveram à catástrofe, inclusive a seus efeitos, apesar de estarem muito perto do local onde a bomba explodiu.

Pe. Hubert Schiffer SJ
Esses religiosos eram os padres Hugo Lassalle (Superior dos jesuítas no Japão), Hubert Schiffer, Wilhelm Kleinsorge e Hubert Cieslik.

No momento da explosão, eles se encontravam na casa paroquial da igreja de Nossa Senhora da Assunção, um dos poucos edifícios que resistiu à bomba.

Um dos sacerdotes estava celebrando a Santa Missa, outro tomava o café da manhã e os demais se encontravam em dependências da paróquia.

O edifício religioso sofreu apenas danos menores, como vidros quebrados, conforme escreveu o Pe. Hubert Cieslik em seu diário, mas nenhum dano em consequência da energia atômica liberada pela bomba.

O Pe. Schiffer escreverá depois o livro O Rosário de Hiroshima, no qual narra tudo o que lhes sucedeu naqueles dias fatídicos.

Os religiosos atribuem sua preservação a uma proteção particular da Santíssima Virgem, pois “vivíamos a mensagem de Fátima e rezávamos juntos o Rosário todos os dias”.

Quando, mais tarde, esses jesuítas receberam tratamento médico, foi-lhes dito que devido à radiação eles teriam lesões graves, enfermidades, e inclusive uma morte prematura.

Porém, contra todas as expectativas, tal não sucedeu. Nenhum deles teve qualquer transtorno físico.

Pelo contrário, em 1976 — 31 anos depois do lançamento da bomba —, o Pe. Schiffer participou do Congresso Eucarístico de Filadélfia, onde relatou sua história.

Ele confirmou que os quatros jesuítas ainda viviam, sem nenhuma enfermidade.

Isso foi comprovado por dezenas de médicos que os examinaram cerca de 200 vezes nos anos posteriores, não encontrando qualquer sinal da radiação em seus corpos.

Catedral da Assunção de Nossa Senhora, em HIroshima, o novo templo hoje
Catedral da Assunção de Nossa Senhora,
em Hiroshima, o novo templo hoje
O Pe. Hugo Lassalle continuou em Hiroshima, e em 1948 naturalizou-se japonês com o nome Enomiya Mabiki.

De passagem por Roma, recebeu do Papa Pio XII autorização para recolher fundos destinados a reconstruir a igreja dedicada à Assunção de Nossa Senhora.

Em 1959, com a elevação de Hiroshima a diocese pelo Papa João XXIII, ela passou a ser catedral.

Sua construção começou em 1950 e foi concluída no dia 6 de agosto de 1954, nove anos após a explosão da bomba atômica.

É preciso dizer que a rendição do Japão se daria na solenidade da Assunção da Virgem aos Céus, 15 de agosto de 1945, poucos dias depois da explosão das bombas atômicas.

Hiroshima foi reconstruída totalmente, com aquela tenacidade própria aos filhos do Sol Nascente, contando hoje com mais de um milhão e cem mil habitantes.


(Fonte: ACIPrensa)


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quarta-feira, 6 de março de 2024

Lourdes e a Mediação Universal de Nossa Senhora

Nossa Senhora de Lourdes. Igreja da Madelaine, Paris.
Nossa Senhora de Lourdes. Igreja da Madelaine, Paris.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Dos muitos aspectos que tem a devoção de Nossa Senhora de Lourdes, um me parece que tem sido insuficientemente acentuado e é o seguinte: os senhores sabem que para o Reinado de Maria, uma verdade fundamental é a Mediação Universal de Nossa Senhora.

Porque para Nossa Senhora ser verdadeiramente Rainha, é preciso que Ela possa junto a Deus tudo quanto Ela queira, pois é por esta forma que Ela governa o mundo.

Nossa Senhora, pela Sua própria natureza, – Ela tem uma natureza humana como a nossa – não tem mais poder sobre os astros, sobre os homens, do que nós temos.

De maneira que, para ter o reinado de todo o universo, para ser a Rainha de todos os Anjos, a Rainha de todos os Santos, a Rainha de todos os homens, a Rainha de todo o mundo material e dominadora terribilíssima e completa do demônio, Ela precisa ter a graça de Deus.

E é exatamente enquanto ponto de convergência de todas as graças de Deus que ela é Rainha.

A onipotência de Nossa Senhora tem sido muitas vezes chamada, e muito adequadamente, onipotência suplicante, porque é por meio da súplica que Ela faz, que Ela pode tudo.

Porque Ela pode tudo junto dAquele que pode tudo, é por isso que é Rainha. E, portanto, o Reinado de Nossa Senhora é o reinado das súplicas que Ela faz, do valor das orações que Ela oferece.

Portanto, a realeza de Nossa Senhora está numa conexão íntima com o fato de Ela ser o canal de todas as graças. Ela é a Rainha de tudo porque todas as graças passam por Ela.

Todas as graças que são dadas aos homens, são dadas pelas mãos dEla. Todos os pedidos que os homens fazem são apresentados por meio dEla.

E se todos os santos e anjos do Céu pedissem algo que não fosse por meio dEla não obteriam. Ela sozinha, pedindo sem nenhum deles, obtém. De tal maneira o foco da predileção Divina se concentrou por inteiro nEla.

Lourdes: Basílica do Rosário
E depois, parte dEla de novo para toda a criação.

É porque Ela é medianeira de todas a graças que Ela é onipotente.

Há, portanto, uma espécie de correlação íntima entre uma coisa e outra.

Agora, as aparições de Lourdes se inserem numa série de aparições de Nossa Senhora no século XIX, que são as mais célebres dessas aparições e, debaixo de alguns pontos de vista, merecidamente as mais célebres.

Essas aparições de Nossa Senhora no século XIX, que culminam com Fátima, culminam com a afirmação do Reinado de Maria.

E a aparição de Lourdes, portanto, está num pontilhado de aparições que são como que, nas noites extremas de nossos dias, uma clarinada do Reino de Maria, pontos alvos anunciando que o Reino de Maria virá.

Em Lourdes, em cada uma dessas aparições, seria muito interessante estudar a presença da idéia da Mediação Universal das graças e do Reinado de Maria.

Em Lourdes, especialmente, se pode dizer debaixo de um título: Nosso Senhor poderia ter dado essa fecundidade estupenda de milagres a um santuário dEle.

Na França, por exemplo, há um santuário magnífico consagrando uma devoção estupenda a Ele, que é o Santuário de Paray-le-Monial, onde Nosso Senhor fez suas revelações a Santa Margarida Maria Alacoque.

Ele poderia perfeitamente fazer com que esses milagres se dessem lá, se dessem em todos os santuários consagrados a Ele.

Mas Ele quis que a maior fonte de milagres que houve na História da Igreja, na História do mundo, fosse num santuário consagrado a Nossa Senhora.

Lourdes: rezando no local onde rezava Bernadette
Quer dizer que Ele quis que aquelas curas todas só fossem obtidas sob a égide de Nossa Senhora, depois de uma aparição de Nossa Senhora, como uma graça de Nossa Senhora, e mediante um pedido feito a Nossa Senhora.

Ou seja, Ele quis que todas essas curas estupendas passassem pelas mãos dEla.

Quis que passassem para que?

Evidentemente para documentar o dogma, que ainda não é dogma, é verdade de fé, da Mediação Universal, para os homens compreenderem bem até que ponto Ela pode tudo.

As piores doenças, os maiores males, os sofrimentos mais horrorosos Ela cura, toma as leis mais inflexíveis da natureza e as elimina. Ela vence tudo: uma pessoa que vê sem nervo ótico...

Isso é um tal domínio de Nossa Senhora sobre a natureza, como mais não se pode imaginar! Bem, isto tudo é feito por meio dEla.

Por que? Para mostrar que todas as graças vêm por meio dEla. E a presença de todas as graças nas mãos dEla para serem distribuídas, por sua vez, quer dizer que Ela é a Rainha do Céu e da Terra. E por Ela passa tudo.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 4 de fevereiro de 1965. Sem revisão do autor.)



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quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Lourdes: como se constata um milagre científicamente

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Para o processo de reconhecimento médico de um milagre foi instituído em Lourdes um Bureau Médico.

Esse Bureau tem sede no próprio santuário e está sempre à disposição de quem se apresente. Fazem parte dele médicos de todas as especialidades, católicos ou não católicos.

Qualquer médico presente no santuário pode assistir à verificação de cura que esteja sendo feita.

O fiel que se julga beneficiado pode se apresentar no Bureau. Nessa ocasião é elaborada uma ficha clínica do caso e feito um primeiro reconhecimento médico.

No momento de se apresentar ao Bureau, é fundamental que o interessado vá acompanhado da documentação que comprove o estado da doença antes da cura (resultados de exames, atestado médico sobre a natureza e gravidade da doença etc.).

Milhares de casos não foram aceitos para estudo por carência desse tipo de documentação, apesar de parecerem verdadeiros milagres.

Quando o Bureau julga — à luz dos documentos e da análise in loco — que o caso tem características extraordinárias, o interessado é convidado a voltar dentro de um ano, para verificar se a cura é durável.

Houve casos de fiéis que voltaram até vários anos consecutivos para conferir que a cura era definitiva.

Quando os médicos do Bureau, após atento exame, se pronunciam pela inexplicabilidade da cura, todo o dossiê é encaminhado a uma segunda instância: o Comitê Médico Internacional de Lourdes — CMIL.

O CMIL é inteiramente independente e nem sequer tem sede em Lourdes.

Ele revisa todos os dados, pode proceder a novas investigações e análises, e até ao exame da pessoa curada, ou consultar especialistas alheios ao Comitê.

Satisfeitas todas as exigências, os membros do Comitê devem responder a uma série de 16 perguntas, que não deixam margem a objeção alguma sobre a natureza da cura.

Por fim, devem responder “sim” ou “não” à pergunta: “A cura constatada em ....... constitui, nas condições em que aconteceu ou se mantém, um fenômeno contrário às observações e às previsões da experiência médica, sendo cientificamente inexplicável?”.

Caso pelo menos dois terços votem pelo sim, o dossiê com o parecer final é encaminhado para o Bispo da diocese do miraculado, para eventual proclamação canônica. O processo todo costuma durar anos.


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