domingo, 14 de julho de 2019

O escapulário de Nossa Senhora do Carmo
e a mais antiga devoção marial do mundo

Nossa Senhora do Carmo, São João del Rei
Nossa Senhora do Carmo, São João del Rei
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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A Ordem do Carmo foi fundada pelo Profeta Elias, tendo sido Santo Eliseu seu sucessor e sendo conhecida no Antigo Testamento como a “escola dos profetas”. Tal vez o próprio São João Batista tenha se ligado a ela.

Alguns acham que até Nosso Senhor Jesus Cristo os frequentou durante o período de sua vida no deserto.

O fato é que a Ordem do Carmo representa o primeiro filão da devoção marial no mundo, em virtude da famosa visão do profeta Elias de uma nuvenzinha que preanunciou uma imensa chuva após uma seca devastadora.

A nuvenzinha foi uma prefigura de Nossa Senhora, Mãe dAquele que atrairia um sem-fim de graças para o mundo.

Santo Elias, fundador do Carmo, mosteiro de La Encarnación, Ávila, Espanha
Santo Elias, fundador do Carmo,
primeiro devoto de Nossa Senhora,
mosteiro de La Encarnación,
Ávila, Espanha
“41. Então Elias disse a [o rei] Acab: Vai, come e bebe, porque já ouço o ruído de uma grande chuva.

“42. Voltou Acab para comer e beber, enquanto Elias subiu ao cimo do monte Carmelo, onde se encurvou por terra, pondo a cabeça entre os joelhos.

“43. Disse ao seu servo: Sobe um pouco, e olha para as bandas do mar. Ele subiu, olhou (o horizonte) e disse: Nada. Por sete vezes, Elias disse-lhe: Volta e (olha).

“44. Na sétima vez o servo respondeu: Eis que, sobe do mar uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão. Elias disse-lhe: Vai dizer a Acab que prepare o seu carro e desça, para que a chuva não o detenha.

“45. Num instante, o céu se cobriu de nuvens negras, soprou o vento e a chuva caiu torrencialmente.” (I Reis, 18, 41-45
A mais antiga invocação de Nossa Senhora no mundo é “Virgo Flos Carmelij”, ou “Virgem Flor do Monte Carmelo”.

O Carmo representa o extremo da devoção a Nossa Senhora, que lutará no fim do mundo contra o Anticristo e contra os últimos inimigos de Nosso Senhor.

Ela constitui uma ponte desde o início da devoção a Nossa Senhora no mundo, séculos antes dEla ter nascido, até a luta contra os últimos inimigos de Nossa Senhora no fim do mundo. Contra esses virá lutar precisamente Santo Elias como está anunciado no Apocalipse.

Nossa Senhora dá o escapulário do Carmo a São Simão Stock. Anônimo, Sainte Marie-aux-Mines, França.
Nossa Senhora dá o escapulário do Carmo a São Simão Stock.
Anônimo, Sainte Marie-aux-Mines, França.
O Carmo desde muito cedo cultivou a verdadeira devoção a Nossa Senhora pregada por São Luís Maria Grignion de Montfort.

Fica fácil compreender a importância da emergência diante da qual São Simão Stock foi levado a realizar o seu apostolado.

Os carmelitas reconstituídos no tempo das Cruzadas, tiveram que abandonar a Terra Santa perseguidos pelos invasores islâmicos e passaram para o Ocidente.

Mas no Ocidente havia indiferença para com eles, não eram compreendidos e estavam meio dispersos.

São Simão Stock (1165 aprox - 1265), era o Geral deles, mas não exercia uma autoridade efetiva porque a Ordem do Carmo era como os destroços boiando sobre um mar revolto de um navio, a estrutura jurídica, coesa e uniforme, capaz de conservar, promover e transmitir um espírito à posteridade.

Nessa situação, rezando a Nossa Senhora com muita devoção, num convento de Cambridge, na Inglaterra, pediu que Ela não deixasse morrer a Ordem do Carmo.

No auge dessa aflição Nossa Senhora lhe apareceu, e lhe deu o escapulário do Carmo, que é o escapulário grande da Ordem que é como que uma libré, que se coloca sobre a túnica.

Ao mesmo tempo, revelou o famoso privilégio sabatino, ligado a quem usa piedosamente o escapulário do Carmo: a graça da perseverança final.

E se vai para o purgatório, será liberto no primeiro sábado que ocorrer depois da sua morte.

Escapulário do Carmo (deve ser de tecido, mas a imagem não é obrigatória).
Escapulário do Carmo (deve ser de tecido, mas a imagem não é obrigatória).
Então, depois dessa intervenção de Nossa Senhora, a Ordem começou a florescer e ao Ocidente, para falar senão em três pessoas, Santa Teresa, a Grande; São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus.

Para não falar em outros santos, são três sóis no firmamento da Igreja.

Mais ainda do que isso, Nossa Senhora assegurou a continuidade da Ordem até os últimos dias.

São Simão Stock cumpriu uma missão enorme. Ele foi o traço entre a vida ocidental e a vida oriental da Ordem num momento em que essa espécie de istmo, entre dois continentes históricos, se adelgaçava parecendo sumir, Nossa Senhora interveio para salvá-la e lhe dar muito mais do que tinha antes.

A Ordem teve, no Ocidente, uma prosperidade muito maior do que teve no Oriente.

E com esses dois privilégios, Nossa Senhora transmitiu uma ideia exata de como se deve confiar nEla e de qual é o papel dEla nas obras que Ela ama.

Porque nas obras que Ela ama, as coisas podem chegar a ponto de se estraçalhar quase que completamente.

Mas quando tudo fica perdido, é o momento que Ela reserva para intervir.

As grandes intervenções de Deus são precedidas por uma fase onde tudo fica perdido, para ficar inteiramente claro que nenhum socorro humano adianta de nada.

São Simão Stock, Sabang Baliuag, Bulacan, Filipinas
São Simão Stock, Sabang Baliuag, Bulacan, Filipinas.
O santo inglês recebeu o escapulário de Nossa Senhora
Depois que ficou provado que tudo quanto era humano fracassou, na desolação e no caos, Nossa Senhora intervém e salva a situação.

Foi o que Ela fez com a Ordem do Carmo. Quer dizer, uma lição de confiança magnífica.

Há um fato da história francesa que também se aplica ao momento atual: havia um general ruim defendendo a praça de guerra de Cremona.

Os inimigos investiram, o general saiu a combate e acabou preso. Mas os inimigos não conseguiram tomar a praça porque um outro general mais competente começou a dirigir a defesa.

Então, os franceses fizeram uma cançãozinha, que era mais ou menos assim:

– Français rendez grâce à Belone – Belona era a deusa da guerra – car votre bonheur est sans égal; vous avez gardé Cremone e perdu votre géneral.

– Franceses agradecei a Belona – a deusa da guerra – porque vossa felicidade não tem igual: vós conservastes Cremona e perdestes vosso general.

Na crise atual, nós também guardamos o escapulário e perdemos os maus generais.

Enquanto tudo desaba ou é abandonado, no fundo ficamos soberanamente bem servidos com a situação.

É uma lição de confiança em Nossa Senhora do Carmo no dia de sua festa.










Vídeo: Procissão de Nossa Senhora do Carmo 2016 em São João del Rei, MG





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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Nossa Senhora cura o corpo, porque quer curar a alma

Luis Dufaur
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Há uma certa tendência um pouco exagerada para pedir favores materiais.

Essa desdenha os favores espirituais, mas se impressiona muito com as graças de Lourdes no que têm de material.

Vamos falar como amigos.

Compreendam que os favores materiais que Deus dá são de fato favores.

E favores que a gente deve pedir.

Mas que eles só visam elevar a nossa alma a desejar os favores espirituais.

As graças para a alma.

É por aí que verdadeiramente Deus atrai as almas para Ele.

Não se pense que a cura de Lourdes é só porque Nossa Senhora tem pena do homem que é capenga.

No sentido físico da palavra, Ela corrige o coxo, tem pena dele, tem gosto em corrigir a capenguiçe do coxo, é claro.

Mas muito mais do que tudo Ela quer fazer um bem para a alma dele.

E serve-se de um milagre físico, para fazer bem para a alma dele e dos outros que vêem isto.

E o bem que no caso está em vista é uma grande fé na verdade de que Ela é medianeira todas as graças.

Vamos frequentar a cerimônia das velas de São Braz.

Aquele mundo de gente, no meio do qual estamos nós, vai lá para se proteger contra a dor de garganta.

Numa paróquia de São Paulo a fila demorou quarenta.

Delizia Cirolli, miraculada em Lourdes
De gente que foi lá com medo de dor de garganta.

É claro que Nossa Senhora ama, preza, de nos livrar de um mal da garganta, nos casos em que esse mal não nos conduza para a salvação.

Porque às vezes uma dor da garganta, e às vezes muita doença faz muito bem para muita gente.

Se não houvesse doença na terra, o inferno estaria muitíssimo mais cheio do que está.

Portanto, não é qualquer doença que Nossa Senhora cura.

Mas quando é o caso de curar, Ela cura com amor materno, gosta muito de curar.

Ela cura para que?

Para fazer sentir às pessoas a bondade dEla.

E para lhes estimular o desejo de se curarem dos males, das doenças da alma.

Para adquirirem os bens da alma; é para isso que Ela faz.

E é assim que a cura do corpo visa sobretudo a cura da alma.


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quarta-feira, 3 de julho de 2019

Lourdes iniciou a salvação
no naufrágio universal dos homens

Atentado destruiu imagem de Nossa Senhora de Lourdes em Valparaiso, Antioquia, Colômbia
Atentado destruiu imagem de Nossa Senhora de Lourdes
em Valparaiso, Antioquia, Colômbia
Luis Dufaur
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Quantas vezes pensando na maldade que se estadeia nos grandes meios de comunicação ou até mesmo na vida de todos os dias a gente é levada a pensar que o inimigo está mais forte do que nunca!

Há almas boas, há movimentos bons, mas diante de tanto poder do mal, poder-se-ia perguntar, o que resulta para a Igreja diante de tão poderosos adversários externos e internos?

Alguém me dizia que a julgar pelo que acontecia com ele todos os dias só falta choverem canivetes.

Tudo fala de crime, corrupção, impiedade, falta de respeito às coisas mais sagradas, da família, dos pais, dos professores, da lei, etc.

Não parece que nos aproximamos daquela era sonhada pelos iluministas há tantos séculos, de naturalismo dominado pela técnica materialista; da república universal ferozmente igualitária onde foram varridos todos os resquícios de uma religião sobrenatural?

Não está aí o comunismo, não está aí o perigoso deslizar da própria sociedade ocidental, pretensamente anticomunista, mas que no fundo também caminha para a realização de um mundo sem lei e sem moral, sem família e sem bons costumes?

Jesus da Sentença, Sevilha. Ele é o grande perseguido na era dos 'direitos do homem'
Jesus da Sentença, Sevilha.
Ele é o grande perseguido na era dos 'direitos do homem'
O mundo inteiro geme nas trevas e na dor.

Sim. E se aproxima a um perigo difuso, mas geral, que é até maior do que se pensa.

E enquanto vai tomando forma um sinistro desígnio sobre o mundo, um profundo, um imenso, um indescritível mal-estar se vai apoderando dele.

É um mal-estar muitas vezes inconsciente, que se apresenta vago e indefinido até mesmo quando é consciente, mas que ninguém ousaria contestar.

Dir-se-ia que os homens todos sofrem violência, que estão sendo postos em uma fôrma que não convém à sua natureza, e que todas as suas fibras sadias se contorcem e resistem.

Há um anseio imenso por outra coisa, que ainda não se sabe qual é.

Mas, enfim, fato talvez novo desde que começou, no século XV, o declínio da civilização cristã, o mundo inteiro geme nas trevas e na dor.

Ele está precisamente como o filho pródigo quando chegou ao último da vergonha e da miséria, longe do lar paterno.

É um paradoxo, mas no próprio momento em que a iniquidade parece triunfar, há algo de frustrado em sua aparente vitória.

Sim, como o filho pródigo que olhando para as bolotas dos porcos começou a lembrar da casa paterna.

Quem o visse de fora miserável e pesaroso poderia dizer: “esse homem está acabado!”

Mas quem pudesse auscultar seu coração com fé, diria o oposto: “nesse homem começou a restauração!”

O saudoso Papa Pio XII com a coroa pontifícia (tiara)
na sedia gestatoria, em Roma.
Num certo momento, o filho pródigo vencendo sua miséria moral, se ergue, começa a caminhar e escolhe uma direção definida.

Ele não suporta mais esse estado e começa a retornar à casa paterna.

No fundo do descontentamento com sua merecida desgraça, brota um pedido regado com lágrimas: “Perdão, meu pai, perdão!”

A experiência nos mostra que é de quedas e descontentamentos assim que também nascem as grandes surpresas da História.

À medida que a contorção se acentuar, acentuar-se-á o mal-estar geral. Então, quem poderá dizer os magníficos sobressaltos de alma que daí podem provir?

No extremo do pecado e da dor, está muitas vezes, para o pecador, a hora da misericórdia divina...

Ora, este sadio e promissor mal-estar que se alastra pelo mundo é, a meu ver, um fruto da ressurreição da fibra católica.

Ressurreição essa que repercute favoravelmente sobre o que há de restos de vida e de sanidade em todas as áreas de cultura do mundo, da política, da religião, etc.

A grande conversão do filho pródigo aconteceu no momento em que seu espírito embotado pelo vício adquiriu nova lucidez.

Jesus está a toda hora batendo na porta da alma pecadora
Jesus está a toda hora
batendo na porta da alma pecadora
Quando sua vontade adquiriu novo vigor na meditação da situação miserável em que caíra, e da torpeza de todos os erros que o haviam conduzido para fora da casa paterna.

Tocado pela graça, encontrou-se, com mais clareza do que nunca, diante da grande alternativa: ou arrepender-se e voltar, ou perseverar no erro e aceitar até o mais trágico final as suas consequências.

Tudo quanto a educação reta do pai nele implantara de bom, renasceu maravilhosamente nesse instante doloroso, mas providencial.

No momento em que a tirania dos maus hábitos nele se afirmava quiçá mais terrível do que nunca, deu-se o embate interno.

Ele escolheu o bem. E o resto da história, pelo Evangelho o conhecemos.

Não nos estaremos aproximando desse momento?


Todas as graças acumuladas para a humanidade pecadora pela devoção à Sagrada Eucaristia, a Nossa Senhora e ao Papado não produzirão a grande conversão?

Essa não poderá acontecer precisamente nos lances trágicos de uma crise apocalíptica que parece inevitável?

Aqui se encaixa o grande ensinamento de Lourdes.

Estamos vivendo uma terrível hora de em que as recusas dos homens caem sobre eles como generalizados castigos.

Mas essa hora também pode ser a ocasião admirável da misericórdia. E misericórdia rima com Lourdes.

A condição para obter o milagre da graça é que olhemos para Maria, a Estrela do Mar, que nos guia em meio às tempestades desde sua gruta sagrada em Lourdes.

As misericórdias de Nossa Senhora em Lourdes não têm limites. Teremos nós pena e pediremos perdão por nossas faltas?
As misericórdias de Nossa Senhora em Lourdes não têm limites.
Teremos nós pena e pediremos perdão por nossas faltas?
Durante mais de cem anos, movida de compaixão para com a humanidade pecadora, Nossa Senhora tem alcançado para nós os mais estupendos milagres.

Esta piedade de Mãe jamais se extinguiu.

Têm fim as misericórdias de uma Mãe, e da melhor das mães?

Não, não tem. Quem ousaria afirmá-lo?

Se alguém duvidasse, Lourdes lhe serviria de admirável lição de confiança. Nossa Senhora há de nos socorrer.

Já está vindo em nosso socorro. Ouçamos seus passos ainda que nossos ouvidos tenham ficado surdos.

Eles se fazem sentir nas almas que a invocam do fundo de sua dor: Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!


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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Nossa Senhora de Lourdes há de nos socorrer

"A última onda", Emilio Ocón y Rivas, detalhe
"A última onda". Emilio Ocón y Rivas (1845- 904), Museu de Málaga
Luis Dufaur
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Nossa Senhora de Lourdes há de nos socorrer.

Essa expressão em parte é verdadeira, e em parte falsa.

Paradoxo? Não.

Na realidade Ela já começou a nos socorrer.

A definição dos dogmas da Imaculada Conceição e da infalibilidade papal pelo Beato Papa Pio IX, a renovação da piedade eucarística nos fastos mariais do pontificado subsequente de São Pio X, foram passos precursores decisivos.

Nossa Senhora apareceu em Fátima sob o pontificado de Bento XV.

Em 13 de maio de 1917, deu-se a primeira da série de aparições.

Desde o pontificado de Pio XI, a mensagem de Fátima se foi espraiando suave e seguramente por toda a terra.

Enquanto isso, crescia a devoção a Nossa Senhora de Lourdes confirmando o dogma que está no início desse processo de conversão: “Eu sou a Imaculada Conceição!”

Em La Salette, no ano de 1846, Nossa Senhora tinha descrito toda a dimensão do drama que se aproximava.

terça-feira, 18 de junho de 2019

O milagre eucarístico de Bolsena
na origem da festa de Corpus Christi

Altar com as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena
Altar com as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena
Luis Dufaur
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Na Basílica de Santa Cristina em Bolsena, Itália, conserva-se zelosamente há sete séculos, as relíquias menores do milagre eucarístico de Bolsena.

Dizemos as ‘menores’ pois as ‘maiores’ estão na catedral de Orvieto.

Trata-se de uma das pedras sagradas onde ainda são bem perceptíveis grumos do precioso Sangue de Nosso Redentor.

O fato miraculoso aconteceu em 1264 e está ligado a dois dos mais poderosos expoentes do pensamento teológico universal: São Tomás de Aquino e São Boaventura.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

De joelhos, sozinho, na meia luz e no silêncio ante o Santíssimo Sacramento


Luis Dufaur
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Neste ano a festa de Corpus Christi se comemora o dia 20 de junho.



O maná que Deus enviou para alimentar os judeus durante a travessia do deserto, após abandonar o Egito sob a direção do profeta Moisés rumo à Terra Prometida, mudava de gosto.

Por causa disso diante do Santíssimo Sacramento exposto, antes de dar a bênção, o padre ajoelhado usando uma muito bonita capa pluvial cantava: Panem de caelo, prestistis eis alelluia, Vós destes a eles pão do Céu, aleluia. Quer dizer, o maná.

O coro respondia: Omne delectamentum in se habentem, alelluia, Que tinha em si todos os sabores aleluia.

Isso fazia parte daquela distinção, daquela classe, daquela categoria, de uma bênção do Santíssimo Sacramento bem dada.

Com o Santíssimo resplandecente dentro de um sol de ouro, a interlocução entre o oficiante e o povo representado pelo coro, era esta: vós destes a eles um pão do Céu.

E o coro respondia: que contém em si todos os sabores.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Em Lourdes, Deus instalou o milagre em série
rumo à vitória da contrarrevolução

No início do século XIX parecia que os inimigos da religião, inspirados na Revolução Francesa iriam devastar a Igreja
No início do século XIX parecia que os inimigos da religião,
inspirados na Revolução Francesa iriam devastar a Igreja.
Luis Dufaur
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No século XIX, após as devastações das guerras napoleônicos e a entrada generalizada das doutrinas imorais da Revolução Francesa, inúmeros ambientes católicos estavam em deplorável derrota ou debandada.

Sobre tudo entre os que na sociedade temporal deveriam defender a Igreja e a Civilização Cristã.

Podia se comparar à situação no tempo da invasão bárbara da Europa.

Diante dos hunos todos os generais e governadores do Império Romano se deixaram derrotar ou debandaram.

Foi o que aconteceu diante da Revolução e em número incontável.

Nesta situação, houve uma exceção de nobre e solene dramaticidade.

Foi o beato Papa Pio IX, que como São Leão Magno, foi o único a enfrentar o adversário e a lhe impor a retirada.

Recuar? A proposição parece ousada. Entretanto, nada mais verdadeiro.

A partir de 1854 com a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, a Revolução começou a sofrer suas grandes derrotas.

Na aparência e na realidade, a Revolução gnóstica e igualitária e, por isso mesmo, radicalmente anticristã, continuou a desenvolver seu império sobre a terra.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Após aparições, Santa Bernadete sofre hostilização

Missa na Gruta no centenário das aparições
No século XIX
Luis Dufaur
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Para Santa Bernadete não foram fáceis os dias que vieram após as aparições. Entretanto, ela em nada perdia a serena e sobrenatural disposição de alma.

O micro-mundo da política, do judiciário e da polícia de Lourdes estava dominado pelas utopias anti-cristãs da Revolução Francesa. Ele tramou vários golpes.

Do ponto de vista médico tentaram forjar um diagnóstico segundo o qual Bernadette seria uma psicopata e devia ser encerrada num manicômio.

Como vimos, foi em vão. As tentativas fracassaram face à solidez moral e psíquica de Bernadette.

Vieram, então, intimidações por parte do procurador, do juiz e do delegado de polícia. Eles acenaram com metê-la no cárcere se não declarava que as visões eram uma fraude. Também não lhes adiantou de nada.

O prefeito de Lourdes, Adolphe Lacadé, queria acabar de vez com as manifestações de piedade em torno da gruta.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Após as aparições, o torvelhino

Luis Dufaur
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Após as aparições, em poucas semanas a vida de Bernadette mudou radicalmente.

Antes das aparições era a digna, mas esquecida filha da família mais miserável de Lourdes.

Depois, ficou no fulcro das atenções da cidade e, bastante rapidamente, da França e do mundo.

A fisionomia e a personalidade de Santa Bernadette era do tipo do plebeu digno, altivo de sua qualidade de criatura humana incorporada misticamente a Nosso Senhor Jesus Cristo pelo batismo, mas satisfeito em sua modesta condição.

Nas fotos, ela acostumava aparecer com roupas de camponesa no estilo das levadas durante as aparições. Ela vestia com decência e sensata simplicidade.

No todo manifestava uma compostura que, mais do que no traje, se patenteava no olhar sereno, firme, profundo, puro e equilibrado até o mais alto grau.

Em volta dela, seus admiradores e seus detratores criaram verdadeiros torvelinhos. Entre os admiradores havia os sinceros e os interesseiros.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

O milagre de Théa Angele

Théa Angele
Luis Dufaur
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Em Lourdes, os milagres acontecem de modo imprevisível a pessoas de todas as idades e condições.

Mais comumente acontecem por ocasião do uso da água da Gruta denominada "água de Lourdes" — bebendo-a ou banhando-se nela — ou em cerimônias litúrgicas tradicionais, como a bênção do Santíssimo Sacramento aos doentes.

A grande maioria dos milagres reconhecidos ocorreu em Lourdes.

Porém houve curas — também reconhecidas — em outros continentes, de pessoas que recorreram à água da Gruta, ou de alguma gruta local evocativa da gruta de Lourdes.

Caso típico em Lourdes foi o de Théa Angele (foto), jovem alemã atingida por arteriosclerose em placa, que chegou quase moribunda a Lourdes em 17 de maio de 1950.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Lourdes no tempo das aparições

Lourdes no tempo das aparições
Fotografia de Lourdes no tempo das aparições
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Lourdes no ano de 1858 pouco se assemelhava ao imenso conjunto de hotéis e hospitais hoje construído para receber milhões de peregrinos cada ano.

Lourdes, em verdade, é um quase fim de caminho. A cidade fica ao pé dos Pirineus.

Depois dela, a estrada ascende em vertiginosa escalada até o imponente Cirque de Gavarnie que fecha toda passagem.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

De nada adiantou a onda de difamações contra Santa Bernadette

Santa Bernadette (no centro) com toda sua família
Santa Bernadette (no centro) com toda sua família
Luis Dufaur
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No século XIX generalizaram-se as doenças nervosas, como repercussão da industrialização e das megalópoles nascentes.

E os primeiros vagidos da moderna psiquiatria revelaram toda uma coletânea de novas patologias, perturbações e desequilíbrios mentais.

Três médicos de Lourdes analisaram Santa Bernadette buscando pretexto para interná-la num asilo psiquiátrico.

Nada conseguiram.

Em 1872, o Dr. Voisin, médico do famoso hospital da Salpêtrière (Paris), em conferência sobre doenças psíquicas, apresentou Santa Bernadette como exemplo de alienada mental, de “criança alucinada”, “encerrada num convento das Ursulinas de Nevers”.

O Bispo dessa cidade respondeu em carta pública, esclarecendo que Bernadette não estava nas Ursulinas, mas no convento das freiras da Caridade, e convidou o pouco informado psicólogo a constatar diretamente como ela era “uma pessoa de uma sabedoria pouco comum e de uma calma que ninguém consegue nem de perto imitar”. O Dr. Voisin sumiu...

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Contra Lourdes: literatos e filósofos céticos nada puderam

Ex-eclesiástico e panfletista ateu Ernest Renan
atacou Lourdes e ficou sem cara
Luis Dufaur
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A investida laicista contra Lourdes procurou assumir aparências científicas. E também nada conseguiu.

Então, o espírito de orgulho apelou para a literatura anti-clerical.

Num escrito profundamente marcado pela impiedade e pela blasfêmia, intitulado Vida de Jesus, Ernest Renan, que abandonara a carreira eclesiástica, lançou exaltado desafio a quem ousasse apresentar um milagre qualquer.

Logo — dizia — será convocada uma comissão de cientistas que analisará a ocorrência, repetirá quantas vezes forem necessárias, e por fim demonstrará, com certeza, ser fato inteiramente explicável pela ciência, ficando esmagada para sempre a crença em intervenções sobrenaturais.

Renan escreveu isto cinco anos após as aparições de Lourdes. Entretanto, as numerosas curas dariam cabal e insofismável desmentido ao exacerbado autor revolucionário.

quarta-feira, 27 de março de 2019

Lourdes triunfa contra as tentativas de fechar a gruta

Procurador Vital Dutour fez relatórios
contra milagres de Lourdes
Luis Dufaur
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Ficou claro desde o início que a ira do demônio e seus sequazes haveria de se lançar com fúria contra Lourdes.

Como de costume, agindo bem no seu estilo, isto é, ocultando as verdadeiras razões e procurando menosprezar, denegrir e, se possível, impedir o fluxo dos peregrinos.

Ainda não haviam terminado as aparições de Nossa Senhora, e já ocorriam milagres patentes. Mas igualmente a máquina difamatória estava em ação.

O procurador de Lourdes, em relatórios, perguntava ao governo da capital como impedir os “extravios da imaginação” que mencionavam milagres na Gruta, ridicularizando as curas acontecidas.

Num outro relatório ele denunciava a água de Lourdes por conter carbonato de cálcio (aliás, simples antiácido hoje utilizado pela medicina) e vituperava o descontrole dos “boatos” sobre curas.

Clément Pailhasson, farmacêutico da cidade, espalhava que a água era “muito ruim”.

O diretor da escola superior, Antoine Clarens, a apontava como causa de “graves perigos”; enquanto Jacomet, delegado de polícia, prevenia que era “malsã”.


quarta-feira, 20 de março de 2019

Santa Bernadette: exemplo de desinteresse, alienação e holocausto

Luis Dufaur
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Santa Bernadette e tantos outros santos morreram para que fôssemos desinteressados.

Para que tivéssemos uma vida espiritual em que procurássemos, mais do que o Céu para nós, a graça de amar desinteressadamente a Deus.

Não procurar o Céu para ser feliz no Céu, mas procurar o Céu porque Deus está lá e para amarmos desinteressadamente a Deus.

Antes de tudo e acima de tudo, colocando a nossa felicidade no Céu como uma coisa enormemente preciosa, mas secundária em comparação com a ideia de que nós vamos ver a Deus e vamos adorá-Lo.

De que vamos contemplar a glória dEle.

Então, exclusivamente para Ele. Que sejamos tais que também nós atuemos em nossa família de almas pelo exclusivo interesse da Causa católica.

Este é o perfeito holocausto, daquilo que tantos seguidores de Satanás chamariam de perfeita “alienação”.

Santa Bernadette é uma pessoa que se alienou a Nossa Senhora completamente.

Deu tudo e depois de dar tudo agradeceu o fato de não ser nada.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Uma janela do Céu: testemunho de um peregrino a Lourdes


Luis Dufaur
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Chegando a Lourdes um instinto misterioso conduz o neófito rumo à Gruta.

Os cartazes são inexistentes e desnecessários.

Os guardas são escassos e sem trabalho.

A multidão é ordenada, composta e fervorosa. Tudo é pulcro e bem conservado.

Magotes de peregrinos convergem para o local das aparições.

Uns rezam em grupo ou isoladamente, em voz alta ou baixa; outros cantam.

Ainda outros caminham em atitude recolhida, ou com ávida curiosidade, até o fulcro dessa unção que a tudo envolve maternalmente.

Não há algazarra nem pesado silêncio.

Há uma plenitude de vida harmoniosa, impregnada de sobrenatural, que empolga.

Alguns chegam acompanhados de um sacerdote. A imensa maioria vem por iniciativa própria.

O que os levou lá?

O que a graça disse na alma daquele romeno, australiano, japonês, brasileiro ou sul-africano, para virem de todos os recantos da Terra a Lourdes, com tanta consonância de espírito?

quarta-feira, 6 de março de 2019

Santa Bernadette esquecida de todos

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Santa Bernadette antes de ser freira, era uma camponesa, com a expressão do olhar muito viva, com muita firmeza de ideias e de princípios na sua atitude.

Embora se visse que ela era uma pessoa quase iletrada e que não era capaz, portanto, de estruturar normalmente, correntemente, um princípio e o apresentar a quem quer que seja.

Ela tinha, por obra do Espírito Santo, o que têm tantas outras almas de condição modesta e que não tiveram os meios para estudar.

Ela tinha um verdadeiro conhecimento de certos princípios e uma heroica atitude de amor ofensivo e defensivo em relação a esses princípios.

Muito cedo aflorou nela a vocação religiosa.

Essa vocação a conduziu a uma congregação religiosa que têm uma casa na cidade de Nevers, que é a capital da zona chamada antigamente Nivernais.

Ela entrou nessa congregação onde, com intencionalidade das superioras, o trato dado a ela foi o seguinte:

Entenderam muito bem que se se conhecesse lá que Bernadette era a moça das aparições, ela seria o objeto da veneração e do entusiasmo de todas as pessoas no convento.

E ela ao invés de ter dentro do convento a vida sacrificada e dura que deve ser própria a quem segue a vocação religiosa, ela teria uma vida de bonequinha. Ela seria a bonequinha das outras freiras.

Então resolveram ocultar que ela fosse Bernadette Soubirous.

Fora também não se sabia que ela estava nesse convento. A entrada dela para o convento foi completamente ignorada.