quarta-feira, 17 de agosto de 2022

“Fiz o sacrifício de Lourdes. Verei a Virgem no céu” (1871-1876)

Material para fazer hóstias usado por Santa Bernadette no convento de Nevers.
Material para fazer hóstias usado por Santa Bernadette no convento de Nevers.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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1872

Agosto

Irmã Eudoxia Chatelain:

Bernadete tinha uma devoção especial por São José, o que me deixava um pouco impressionada, já que ela era a filha privilegiada de Nossa Senhora.

Um dia, eu a ouvi dizer:
“Vou fazer uma visitinha a meu pai”. Era São José: ela ia sempre rezar para ele na capela.

Dizia: “Amem muito o Senhor, minhas filhas. Nisso está tudo”.


Agosto-outubro:

Durante uma recreação, uma noviça pegou um morcego que havia caído. Grandes exclamações. Bernadete estava presente.

Irmã Juliana Capmartin:

“Oh, como é que você pode pegar com a mão um bicho tão horrível!” E acrescentou: “É a imagem do diabo!”

Irmã Marie-Bernard [N.R.: nome de religião de Santa Bernadette] ficou séria e se virou para mim: 

“Saiba, irmã, que nenhum animal é a imagem do diabo; só a ofensa a Deus pode ter essa imagem”.

Disse: “Quando insistimos muito em alguma coisa, isso não agrada a Deus”.

Uma vez me surpreendeu lendo meu livro de Filha de Maria, quando ela me havia recomendado que ficasse bem recolhida debaixo das cobertas...

Então tomou bruscamente o livro da minha mão, dizendo: “Eis aqui um fervor vestido de desobediência, é o que eu digo!” Foi inútil pedir meu livro de volta. Não o vi mais...

1873

Maio

Elisa (órfã de Varennes):

Estávamos no ano de 1873 (dia 12 de maio). Bernadete, em visita a Varennes (orfanato dirigido pelas freiras), tinha ido até o oratório de Nossa Senhora, no bosque, com umas vinte órfãs.

Estava convalescendo e mal se segurava em pé...

Quando chegou ao fim da breve peregrinação, Bernadete se sentou e, diante daquele oratório gracioso, dirigiu uma exortação às meninas, no estilo conciso que sempre lhe foi habitual:

“Meninas, amem muito a Nossa Senhora, e rezem muito a ela. Ela as protegerá...”.

Depois convidou suas jovens ouvintes a cantarem alguma coisa. Elas cantaram: “Com minha mãe estarei na santa glória um dia...”.


Junho

Jeanne Jardet (cozinheira):

Eu me lembro de que um ano teve uma longa doença, durante a qual fomos privadas de suas visitas. Quando voltou, irmã Cecília (Fauron, despenseira encarregada das domésticas) felicitou-a por sua cura.

Bernadete respondeu: “Não quiseram saber de mim lá em cima...”. E o disse com uma tal graça, que fiquei com lágrimas nos olhos.


Irmã Eudoxia Chatelain:

Um domingo, a mestra das noviças, madre Teresa Vauzou, permitiu que fôssemos encontrar Bernadete, em grupos de doze ou quinze. Bernadete nos recebeu com muita amabilidade, como se fôssemos irmãs mais novas... Ficamos em círculo ao redor de seu leito, e cada uma disse alguma coisa.

Uma de nós, grande e forte, perguntou a ela se havia sentido medo quando recebeu a extrema-unção.

“Medo de quê?”, disse Bernadete.

“Eu teria medo de morrer se visse o último momento se aproximar!”, disse a outra.

“Oh, nós nunca sabemos qual é esse momento. E quando chega, o Senhor nos dá a força para enfrentá-lo”.


Irmã Gonzague Cointe:

Eu estava na enfermaria. Uma irmã pôs no leito dela a fotografia de uma peregrinação ou da Basílica de Lourdes: “Você ficaria bem contente se fosse à gruta de Massabielle, não é?”.

Toda sorridente, ela ergueu os olhos para o céu e, apesar da crise de asma que a fazia sofrer tanto, respondeu:

“Não, não sinto o desejo disso. Faço generosamente o sacrifício de não mais rever Lourdes. Tenho uma única aspiração, a de ver a Virgem Santa glorificada e amada”.


Madre Henri Fabre:

Quando o bispo de Nevers, de partida para Lourdes, perguntou a irmã Marie-Bernard se queria ir também, ela respondeu:

“Fiz o sacrifício de Lourdes. Verei a Virgem no céu, e será muito mais bonito”.


Inicialmente Santa Bernadette foi enterrada nesta capelinha, no jardim do claustro do convento de Nevers
Inicialmente Santa Bernadette foi enterrada
nesta capelinha, no jardim do claustro do convento de Nevers
1874

Julho

Irmã Vincent Garros:

Um dia, na sacristia, eu quis tocar um purificador. 

Ela me deteve, dizendo: “Você ainda não pode fazer isso”.

E a vi pegar o purificador com imenso respeito e recolocá-lo na bolsa. Qualquer um diria que, enquanto o tocava, rezava, tamanho o respeito com que o fazia.


1875

Irmã Julia Ramplou:

Às vezes, durante o trabalho, irmã Marie Mespoulhé rezava o rosário com as irmãs do convento. Irmã Marie-Bernard sublinhava a expressão “pobres pecadores”. 

Um dia disseram isso a ela. Irmã Marie-Bernard respondeu: “Oh, sim! Temos de rezar muito pelos pecadores. Nossa Senhora o recomendou”.


1876

Antes de junho

Irmã Marcelina Durand:

Era penoso para ela ficar inativa. Assim, um dia ela disse a uma freira também doente: “Com três ventosas, você se recupera. Mas eu... nada me fará sair daqui”.

E logo elevou o olhar para o céu e disse: “Meu Deus, sede bendito em todas as coisas. Nós temos cada um o nosso meio, o nosso caminho para chegar até Vós”.


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quarta-feira, 10 de agosto de 2022

O milagre do sorriso de Nossa Senhora
no rosto de Santa Bernadette

Luis Dufaur
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Eis o comovedor relato de um milagre de Lourdes:


Um dia, um sacerdote se aproximou de nós diante de Grota e nos mostrou um velho no meio da multidão.

Ele estava piedosamente ajoelhado e rezava com os braços em cruz.

“Interrogai-o, disse o sacerdote, nós o chamamos de ‘o miraculado do sorriso da Virgem”.

Nós nos aproximamos do peregrino, e ele com o melhor charme do mundo, nos contou sua história.

Ele era o conde de Bruissard, e efetivamente ele vira o sorriso da Virgem, da mesma maneira que nós vemos o reflexo do sol num lago de águas puras e tranquilas.

Ele o viu refletido no rosto transfigurado de Santa Bernadette.

Eis o que ele nos contou:

“Estava eu em Cauterets, conta-nos ele, no momento em que se falava tanto das aparições. Não acreditava mais nestas aparições do que na existência de Deus. Era um libertino e, mais do que isto, era um ateu.

“Tendo lido em um dos nossos jornais que Bernadete tivera uma aparição, no dia 16 de julho, e que a Virgem lhe sorria, resolvi ir a Lourdes, por curiosidade, e tomar a menina em uma flagrante mentira.

“Dirigi-me à casa dos Soubirous, e lá encontrei Bernadete no limiar da habitação, consertando um par de meias pretas. A mim Bernadete pareceu bastante vulgar. Entretanto, o seu aspecto sofredor tinha uma certa doçura.

“A meu pedido ela me contou as suas aparições com uma simplicidade e segurança que me impressionaram. Enfim, disse-lhe eu, como é que esta bela Senhora sorria?…

“A jovem pastora olhou-me com certo espanto e, após um momento de silêncio, assim falou:

“— Oh! senhor, para reproduzir esse sorriso, seria preciso ir até ao céu.

“— E não poderíeis vós reproduzi-lo para mim? Sou um incrédulo, e não creio em vossas aparições.

“O semblante da jovem anuviou-se, e tomou uma expressão severa:

“— Então, o Senhor julga-me uma mentirosa?

“Senti-me desarmado. Não, Bernadete não era mentirosa, e quase que me pus de joelhos a pedir-lhe perdão.

“— Já que sois um pecador, respondeu ela, eis qual foi o sorriso da Virgem.

“Lentamente, a jovem elevou-se, juntou as mãos e esboçou um sorriso celestial que jamais eu vi em lábios mortais. Sua fisionomia iluminara-se de um reflexo perturbador.

“Ela ainda sorria, com os olhos elevados ao céu, e eu estava de joelhos aos seus pés, certo de ter admirado no semblante da vidente o sorriso da Santíssima Virgem.

“Desde então conservo comigo no íntimo da alma esse sorriso divino.

Ele secou muitas de minhas lágrimas.

“Perdi minha mulher e minhas duas filhas, e não me parece estar só no mundo: Vivo com o sorriso da Virgem.

“Eu vivo com o raio de luz que ilumina e embelece as ruínas da minha existência”.

(Fonte: “Le Triomphe de Lourdes”, 5ª ed., Victor-Havard Éditeur, 168, Boulevard Saint-Germain, Paris, 1893, 366. Páginas 119 e ss.)



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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Santa Bernadette em Nevers:
“Eu só tenho medo dos maus católicos” (1870)

Imagem no convento de Nevers representa Santa Bernadette durante as aparições
Imagem no convento de Nevers
representa Santa Bernadette durante as aparições
Luis Dufaur
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1870

Abril

Irmã Angela (na época, postulante):

Irmã Marie-Bernard [N.R.: nome de religião de Santa Bernadette] me perguntou: 

“Senhorita, o que você tem?”.

Eu lhe respondi: “Acabo de receber uma notícia ruim: minha mãe está para morrer; talvez a esta hora já esteja morta”.

Então irmã Marie-Bernard me disse, com um sorriso que jamais esquecerei e aquele seu olhar penetrante: “Não chore, Nossa Senhora vai curá-la; vou rezar por ela”.


Agosto

Irmã Madalena Bounaix:

Em 15 de agosto de 1870, eu estava com ela na enfermaria São José; ela havia me dado uma fruta para o lanche; nós conversávamos sobre a festa daquele dia e eu lhe disse:

“Irmã, você vai rezar por mim hoje?”.

“Sim, mas com uma condição: que você também o faça por mim. Todos precisamos de orações.”

Eu, então, acrescentei:

“Como deve ser bonita a festa no céu, e Nossa Senhora, como deve ser bonita também”.

“Oh, sim”, ela disse, “depois que a gente a vê, não consegue mais ficar apegada à terra!”.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

O milagre de Anna Santaniello (67º reconhecido canonicamente)

Anna Santaniello, antes da cura e 50 anos depois, Lourdes 150º aniversário das aparições
Anna Santaniello doente e 50 anos depois
Luis Dufaur
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O ante-penúltimo milagre de Lourdes reconhecido pela autoridade eclesiástica foi o de Anna Santaniello.

Sua mulher tomou um susto: o marido caminhava e foi até Compostela (1570 kms) !. LEIA AQUI

Um dos mais recentes reconhecimentos pela Igreja de um milagre (o 69º) aconteceu em 20 de junho de 2013. LEIA AQUI
 
A proclamação oficial aconteceu no domingo 13 de novembro de 2005.

O reconhecimento foi proclamado por Dom Gerardo Pierro, Arcebispo de Salerno, Itália, diocese da miraculada.

Nessa data Anna tinha 94 anos.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Santa Bernadette no convívio do convento de Nevers (1866-1867)

Imagem de Santa Bernadette no convento de Nevers.
Imagem de Santa Bernadette no convento de Nevers.
Luis Dufaur
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Vejamos testemunhos das religiosas e de pessoas que encontraram Bernadete durante a sua permanência na casa-mãe da Congregação das Irmãs da Caridade de Nevers, de 1866 até sua morte, em 16 de abril de 1879.


1866

Julho

Irmã Emiliana Duboé:

Bernadete ficou sob meus cuidados desde sua chegada ao noviciado, para que se acostumasse. [...] O que lhe doía era não ver mais a gruta de Lourdes.

“Se você soubesse”, ela me disse, “o que eu vi de bonito ali”. Eu tinha a tentação de perguntar, mas ela me respondeu que não podia dizer nada, que a mestra das noviças a havia proibido.

Dizia-me: “Se você soubesse como Nossa Senhora é boa!”.

Um dia Bernadete me mostrou que eu fazia mal o sinal da cruz. Eu respondi a ela que certamente não o fazia tão bem quanto ela, que o aprendera de Nossa Senhora.

“É preciso ter atenção”, ela me disse, “pois fazer bem o sinal da cruz significa muito”.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

O que falava Santa Bernadette quando era religiosa (1868-1869)

Santa Bernadette religiosa em Nevers. [N.R.: nome de religião irmã Marie-Bernard]
Santa Bernadette religiosa em Nevers.
[N.R.: nome de religião irmã Marie-Bernard]
Luis Dufaur
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1868

Irmã Charles Ramillon:

Eu estava presente, um dia, quando uma de nós lhe disse: 

“Você contou os segredos de Nossa Senhora à madre superiora?”. 

“Não.”

“Nem à mestra das noviças?” 

“Nem a ela.”

Então, acrescentei: “Mas, e se o Santo Padre perguntasse quais são esses segredos?”. 

Ela respondeu: “Eu pensaria no caso”.

quarta-feira, 6 de julho de 2022

O que dizia Santa Bernadette quando falava com as pessoas?

Luis Dufaur
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Santa Bernadete não deixou quase nada escrito.

Mas os arquivos do convento de Saint-Gildard, em Nevers, onde viveu como irmã com o nome religioso Marie-Bernard, conservam as atas do processo canônico e os testemunhos reunidos naquela ocasião.

Os testemunhos foram recolhidos entre as religiosas e todos os que tiveram contato com ela, sobretudo nos anos que passou no convento, entre 1866 e 1879.

São lembranças, pequenos casos, episódios, respostas que ficaram impressas na memória dos interlocutores.

Desse material heterogêneo, o convento de Saint-Gildard, graças ao trabalho de pesquisa do Pe. René Laurentin, extraiu o conteúdo para um pequeno livro, publicado na França em 1978 com o título Bernadette disait... [“Bernadete dizia...”]

Reproduzimos a seguir uma pequena antologia de passagens do livro, da qual emerge a personalidade de Bernadete e sua maneira simples e profunda de viver a fé cristã.

Reproduzimos os testemunhos na ordem cronológica, a mesma usada pelo livro, mencionando em alguns casos o contexto do episódio descrito, para facilitar sua compreensão.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

Lourdes: Nossa Senhora cura os corpos
porque cura as almas

Lourdes: doentes indo e vindo da Gruta
Luis Dufaur
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Eu me lembro de uma cançãozinha religiosa, que se cantava no meu tempo, em que havia um resto de piedade, e que dizia:

“Salve, ó Mãe! Salve, ó Virgem Santíssima! Do universo portento e primor; mais esplêndida glória que a Tua, só tem Deus, do universo Senhor.”


É piedosa a canção e realmente a conclusão é esta: mais esplêndida glória que a Tua só tem Deus, do universo Senhor.

Quer dizer, Nossa Senhora está infinitamente abaixo de Deus. E tudo quanto está abaixo de Nossa Senhora está incomensuravelmente abaixo dEla. É o que a perenidade das curas de Lourdes nos diz.

Há uma certa religiosidade um pouco dada a graças materiais, a pedir favores materiais, etc., etc., que desdenha os favores espirituais e que se impressiona muito com as graças materiais de Lourdes.

Há quem não compreenda que os favores materiais que Deus dá são de fato favores. E favores que a gente deve pedir. 

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Maior milagre de Lourdes: a aceitação do sofrimento

Luis Dufaur
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Em Lourdes se verifica que Nossa Senhora dá ao doente uma tal conformidade com a doença, que eu nunca ouvi contar o caso de uma pessoa que esteve em Lourdes e não sendo curada se revoltasse.

Pelo contrário, as pessoas voltam enormemente resignadas, voltam satisfeitas de terem ido fazer sua visita a Lourdes, e verem outras que foram curadas.

E até casos numerosos de pessoas que vêm de longe, vêm da Índia, vêm da América, vêm sei lá de onde para serem curadas.

E, elas vendo ao lado outras que têm mais necessidade de serem curadas, pedem a Nossa Senhora isto: que eu não seja curado contanto que esse seja curado, e aquele seja curado.

Santa Bernadete fugia dos que queriam vê-la

Capela do convento. Aqui pode se ver o corpo de Santa Bernadete.
Capela do convento de Nevers onde pode se venera o corpo de Santa Bernadette.
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No hospital de Lourdes como pupila e mais tarde no convento de Saint-Gildard em Nevers, como religiosa, Santa Bernadete trabalhou na enfermaria.

O trabalho lhe aprazia, pois atendia a seu profundo desejo de se consagrar aos mais pobres e desvalidos.

Tanto no hospital de Lourdes quanto no convento de Nevers a Santa não pôde evitar inteiramente as visitas mais categorizadas que queriam conhecê-la.

Ela escapulia dos compromissos quanto podia sem violar a obediência e o respeito. Muitas vezes,porém, tratava-se de bispos aos quais não podia evitar.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

O verdadeiro feitio moral de Santa Bernadette

Santa Bernadette
Luis Dufaur
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Sobre a vida Santa Bernadette Soubirous, Virgem, a quem Nossa Senhora apareceu, em Lourdes, o conceituado hagiógrafo Rorbacher diz o seguinte:

“Bernadette Soubirous era uma criança em tudo igual às outras. Nela só se destacavam a expressão do olhar de invulgar inocência”.

“Na primeira aparição, Bernadette só pode fazer o Sinal da Cruz depois que Nossa Senhora o fez. Mas segundo numerosas testemunhas, depois dessa visão, em toda a vida de Bernadette, seu Sinal da Cruz era inigualável e realmente inesquecível. Um sinal inimitável, pois a vidente o aprendera com a Santíssima Virgem.”

“Uma ocasião, no convento, insistiam com a Irmã Bernarda para que dissesse como era o vestido com o qual Nossa Senhora lhe aparecia. Uma das religiosas dizia que era desta fazenda, outra, daquela. Respondeu-lhe Bernadette:

“`Eu não disse que o vestido era disso ou daquilo. Era de um pano que nunca vi. Ademais, se querem saber tanta coisa, fazei Nossa Senhora voltar outra vez e vede bem'.

“Grande era sua humildade. Quando alguém a procurou certa vez para que dissesse algumas palavras de edificação às noviças, respondeu sorrindo: `Ai, nada sei. O que se pode arrancar de uma pedra, minha Irmã?'

quarta-feira, 25 de maio de 2022

Oração de Santa Bernadete pedindo a resignação na hora do abandono – 3

Santa Bernadette: corpo incorrupto em Nevers, França.
Santa Bernadette: corpo incorrupto em Nevers, França.
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Oração de Santa Bernadete pedindo a resignação na hora do abandono – 2

Humilhai-me, então quanto Vos aprouver, e consolai-me somente a fim de que eu possa sofrer e perseverar até à morte no sofrimento.
Ela não diz, por exemplo: “Mandai-me agora novas humilhações”.

Não, é quanto quiserdes.

Se quiserdes fazer cessar essas humilhações agora, está bem. Se quiserdes inundar-me de consolações agora, está bem.

Mas também se, de outro lado, Vós quereis me humilhar, na aparência quebrar-me, eu aceito, ó meu Deus. Eu sei que é Vossa mão que está dirigindo as coisas.

Como um maestro com sua batuta dirige os vários instrumentos musicais, assim as várias causas da minha desolação funcionam à maneira de uma orquestra de dores.

Às vezes Nosso Senhor manda outro fator que torna a dor mais viva, ou manda outra decepção.

Então será a traição de um amigo, de um ser querido, será uma dor física, será um prejuízo nos negócios, será a perspectiva de um agravamento muito grande de uma moléstia, será isto, aquilo e aquilo outro.

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Maria Auxiliadora: chefe de guerra nas batalhas pela Cristandade

Imagem de Maria Auxiliadora mandada pintar por Don Bosco em Turim
Imagem de Maria Auxiliadora
mandada pintar por Don Bosco em Turim
Luis Dufaur
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Histórico da devoção




O ensino de Doutores e Padres da Igreja


Numerosas inscrições cristãs dos primeiros séculos do Novo Testamento em territórios gregos contêm dois títulos da Virgem Maria: um é Teotokos (Mãe de Deus) e o outro é Boeteia (Ajuda dos cristãos).

O primeiro a chamar a Virgem de Maria Auxiliadora foi São João Crisóstomo (347-407), arcebispo e Patriarca de Constantinopla, Doutor e Padre da Igreja, proclamando: “Tu, Maria, és a ajuda mais poderosa de Deus”.

A partir do ano 398, ele o chamou de “Ajuda mais poderosa, forte e eficaz daqueles que seguem a Cristo”.

Outros Padres da Igreja que lhe reconheceram o título de “Auxiliadora” são Proclo (412 - 485) em 476 e São Sabas de Cesareia (439-532) em 532.

Também o poeta grego romano Melone em 518, São Sofrônio (560-638), arcebispo de Jerusalém, São João Damasceno (675 - 749) e São Germano de Constantinopla, Patriarca de Constantinopla (635 - 732) em 733.

São João Damasceno no ano 749 foi o primeiro a difundir a exclamação: “Maria Auxiliadora, rogai por nós”.

Em 532 São Sabas narrou que no Oriente havia uma imagem da Virgem chamada “Auxiliadora dos doentes”, por causa das muitas curas que ela fazia.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Oração de Santa Bernadete pedindo a resignação na hora do abandono – 2

Santa Bernadette, sendo velada
Santa Bernadette, sendo velada
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Oração de Santa Bernadete pedindo a resignação na hora do abandono – 1

Eu Vos conjuro, ó meu Deus, por Vossos desamparos, não que não me aflijais, mas que não me abandoneis na aflição, que me ensineis a procurar-Vos nela como o único consolador, que sustentais nela a minha fé, que nela fortifiqueis minha esperança, que purifiqueis nela o meu amor; concedei-me a graça de reconhecer nela a Vossa mão, e de não desejar nela outro consolador a não ser Vós.
É tão linda e tão cristalina essa súplica – aliás, se nós, por exemplo, colássemos aos pés de uma imagem de Nosso Senhor crucificado só essa súplica, sem o mais, já teria todo o sentido – que nem creio que seja necessário comentário.

Eu Vos conjuro, ó meu Deus,...
Eu Vos conjuro quer dizer Vos peço.

Eu Vos conjuro, ó meu Deus, por Vossos desamparos,...

quarta-feira, 11 de maio de 2022

Oração de Santa Bernadete pedindo a resignação na hora do abandono – 1

Santa Bernadette Soubirous, Moret-sur-Loing.
Santa Bernadette Soubirous, Moret-sur-Loing.
Luis Dufaur
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Santa Bernadette Soubirous sofreu a pior sensação de abandono: quando parece que a graça de Deus nos abandonou.

E ela deixou uma oração que nos ensina a receber bem essa provação por amor a Jesus na Sua Paixão:

A oração diz:

Ó Jesus desolado e ao mesmo tempo refúgio das almas desoladas, Vosso amor ensina-me que é de Vossos abandonos que devo haurir toda a força de que necessito para suportar os meus.
Aqui está a primeira ideia. Eu devo sofrer porque Jesus na Sua Paixão sofreu desolações, Ele se sentiu abandonado, Ele se sentiu incompreendido.

No momento, por exemplo, em que Ele disse: “Esse pão é verdadeiramente minha carne...”. Ele disse alguma coisa que fazia alusão à divindade dEle e à presença real dEle no Santíssimo Sacramento.

Naquela ocasião alguns O abandonaram. Ele então se voltou para os que ficavam e fez uma pergunta, onde aparece toda a dor da desolação por causa daqueles que O tinham abandonado: “E vós também me abandonais?”

São Pedro então teve essa resposta magnífica: “Para onde iremos, Senhor, se só Vós tendes palavras de vida eterna?”
Santa Bernadette está sofrendo a desolação, mas lembra que Nosso Senhor sofreu a desolação. E, entre outras muitas intenções, sofreu pelas almas desoladas.

Então ela, por assim dizer, se refugia junto a Nosso Senhor e na desolação dela, ela vai fazer companhia ao grande Desolado, com “D” maiúsculo: é Ele. Estar junto de Jesus alguma coisa se alivia na desolação.