quarta-feira, 22 de junho de 2022

Lourdes: Nossa Senhora cura os corpos
porque cura as almas

Lourdes: doentes indo e vindo da Gruta
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Eu me lembro de uma cançãozinha religiosa, que se cantava no meu tempo, em que havia um resto de piedade, e que dizia:

“Salve, ó Mãe! Salve, ó Virgem Santíssima! Do universo portento e primor; mais esplêndida glória que a Tua, só tem Deus, do universo Senhor.”

É piedosa a canção e realmente a conclusão é esta: mais esplêndida glória que a Tua só tem Deus, do universo Senhor.

Quer dizer, Nossa Senhora está infinitamente abaixo de Deus. E tudo quanto está abaixo de Nossa Senhora está incomensuravelmente abaixo dEla. É o que a perenidade das curas de Lourdes nos diz.

Há uma certa religiosidade um pouco dada a graças materiais, a pedir favores materiais, etc., etc., que desdenha os favores espirituais e que se impressiona muito com as graças materiais de Lourdes.

Há quem não compreenda que os favores materiais que Deus dá são de fato favores. E favores que a gente deve pedir. Mas que só são verdadeiramente favores, na medida em que levam a nossa alma a desejar os favores espirituais, as graças para a alma. É por aí que verdadeiramente Deus atrai as almas para Ele, porque todos os favores tem este fim.

Doentes diante da Gruta
Não se pense que a cura de Lourdes é só porque Nossa Senhora tem pena do homem que é capenga, no sentido físico da palavra, e que Ela corrige o coxo.

Ela tem pena do coxo, é claro. Ela tem gosto em corrigir a capenguiçe do coxo, é claro.

Mas muito mais do que isto Ela quer fazer a ele um bem à sua alma. E serve-se de um milagre físico, para fazer bem à alma dele e dos outros que vêem isto.

E o bem que no caso está em vista é uma grande fé na verdade de que Ela é medianeira de todas as graças.

Eu digo isto porque nós tivemos, não me lembro bem se ontem ou anteontem, a cerimônia das velas de São Braz. Eu estava vendo aquele mundo de gente que vai lá para se proteger contra a dor de garganta.

É claro que Nossa Senhora ama, preza, de nos livrar de um mal da garganta, nos casos em que esse mal não nos conduza para a salvação. Porque às vezes uma dor da garganta, e coisas piores do que isto, às vezes muita doença faz muito bem para muita gente.

Acendendo velas para Nossa Senhora em Lourdes
Se não houvesse doença na terra, o inferno estaria muitíssimo mais cheio do que está. Não é muito não, é muitíssimo mais cheio do que está. Portanto, não é qualquer doença que Nossa Senhora cura.

Mas quando é o caso de curar, Ela cura com amor materno, gosta muito de curar.

Mas Ela cura para que? Para fazer sentir às pessoas a bondade dEla. E para lhes estimular o desejo de se curarem dos males, das doenças da alma, para adquirirem os bens da alma; é para isso que Ela faz.

E é assim que a coisa deve ser vista. Realmente para a cura do corpo, considerando também em si a cura do corpo, mas visando sobretudo a cura da alma.

Essas são as considerações que na novena de Nossa Senhora de Lourdes eu podia fazer.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 04 de fevereiro de 1965. Sem revisão do autor.)



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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Maior milagre de Lourdes: a aceitação do sofrimento

Luis Dufaur
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Em Lourdes se verifica que Nossa Senhora dá ao doente uma tal conformidade com a doença, que eu nunca ouvi contar o caso de uma pessoa que esteve em Lourdes e não sendo curada se revoltasse.

Pelo contrário, as pessoas voltam enormemente resignadas, voltam satisfeitas de terem ido fazer sua visita a Lourdes, e verem outras que foram curadas.

E até casos numerosos de pessoas que vêm de longe, vêm da Índia, vêm da América, vêm sei lá de onde para serem curadas.

E, elas vendo ao lado outras que têm mais necessidade de serem curadas, pedem a Nossa Senhora isto: que eu não seja curado contanto que esse seja curado, e aquele seja curado.

Quer dizer, uma pessoa que aceita a doença, o sofrimento – a doença que leva alguém a Lourdes não é qualquer resfriado, mas uma coisa puxada, uma dor forte – e aceita isto em benefício do outro é um verdadeiro milagre de amor ao próximo por amor de Deus.

Um milagre moral arrancado ao egoísmo humano, e que é milagre mais estupendo do que uma cura propriamente dita.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 6.2.65. Texto não revisto pelo autor).




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Santa Bernadete fugia dos que queriam vê-la

Capela do convento. Aqui pode se ver o corpo de Santa Bernadete.
Capela do convento de Nevers onde pode se venera o corpo de Santa Bernadette.
Luis Dufaur
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No hospital de Lourdes como pupila e mais tarde no convento de Saint-Gildard em Nevers, como religiosa, Santa Bernadete trabalhou na enfermaria.

O trabalho lhe aprazia, pois atendia a seu profundo desejo de se consagrar aos mais pobres e desvalidos.

Tanto no hospital de Lourdes quanto no convento de Nevers a Santa não pôde evitar inteiramente as visitas mais categorizadas que queriam conhecê-la.

Ela escapulia dos compromissos quanto podia sem violar a obediência e o respeito. Muitas vezes,porém, tratava-se de bispos aos quais não podia evitar.

Entrada do convento Saint-Gildard em Nevers.
Entrada do convento de Nevers, onde morreu Santa Bernadette
Tanto mais quanto com freqüência eram pessoas que faziam uma ideia fantasiosa ou sentimental a respeito de alguém que viu Nossa Senhora. Ela então fazia sentir a sobriedade de conduta que se deve esperar de uma vidente.

Houve o caso de uma noviça, por exemplo, que se queixou de após três dias no convento não ter visto a Santa, cujo nome de religião era irmã Maria-Bernarda.

A sua surpresa foi enorme ao saber de outra religiosa que ela tinha estado sentada a seu lado no dia anterior.

A irmã Bernard Dalias quando a viu pela primeira vez não pôde se contiver:
― “Bernadete? Ela é só isto!”

Santa Bernadete era cheia de personalidade e de força de caráter. Mostrava uma seriedade e uma objetividade em todo o seu modo de ser que desconcertava os superficiais.

Santa Bernadette religiosa em Nevers
Santa Bernadete, religiosa em Nevers
Ela insistia muito em que era uma “ignorante”, mas possuía um bom senso natural sublimado pela graça para discernir o que ninguém percebia a respeito das pessoas e das situações.

A Congregação de Nevers é por vocação voltada para o atendimento dos doentes e desvalidos.

Mas uma santa conjuração entre o bispo e a superiora acabou dando a Santa Bernadete uma vida de reclusa.

Os superiores queriam protegê-la da multidão de curiosos que desejava vê-la, tocá-la, etc. As autoridades viam com base na experiência os perigos da popularidade.

Mas Santa Bernadete não queria outra coisa senão esse isolamento. Ela aspirava à renúncia de si própria e contradizer aquilo que ela mais detestava: o orgulho.

As superioras faziam questão de submetê-la a pequenas humilhações, por vezes muito sensíveis, movidas pelo desejo de protegê-la da vaidade. Talvez em certos casos tenham passado da conta. Santa Bernadete acrescia outras humilhações, até espantosas.



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quarta-feira, 1 de junho de 2022

O verdadeiro feitio moral de Santa Bernadette

Santa Bernadette
Luis Dufaur
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Sobre a vida Santa Bernadette Soubirous, Virgem, a quem Nossa Senhora apareceu, em Lourdes, o conceituado hagiógrafo Rorbacher diz o seguinte:

“Bernadette Soubirous era uma criança em tudo igual às outras. Nela só se destacavam a expressão do olhar de invulgar inocência”.

“Na primeira aparição, Bernadette só pode fazer o Sinal da Cruz depois que Nossa Senhora o fez. Mas segundo numerosas testemunhas, depois dessa visão, em toda a vida de Bernadette, seu Sinal da Cruz era inigualável e realmente inesquecível. Um sinal inimitável, pois a vidente o aprendera com a Santíssima Virgem.”

“Uma ocasião, no convento, insistiam com a Irmã Bernarda para que dissesse como era o vestido com o qual Nossa Senhora lhe aparecia. Uma das religiosas dizia que era desta fazenda, outra, daquela. Respondeu-lhe Bernadette:

“`Eu não disse que o vestido era disso ou daquilo. Era de um pano que nunca vi. Ademais, se querem saber tanta coisa, fazei Nossa Senhora voltar outra vez e vede bem'.

“Grande era sua humildade. Quando alguém a procurou certa vez para que dissesse algumas palavras de edificação às noviças, respondeu sorrindo: `Ai, nada sei. O que se pode arrancar de uma pedra, minha Irmã?'

“Perguntou-lhe sua superiora se não se sentia orgulhosa por ter sido escolhida por Maria para lhe ser a confidente.

“Respondeu: `Que idéia a senhora faz de mim? A Santíssima Virgem escolheu-me porque eu era a mais ignorante. Se Ela achasse uma outra mais ignorante do que eu, ter-lhe-ia escolhido certamente.'”

“Os contínuos sofrimentos e vômitos de sangue aniquilavam lentamente a vidente. Seu aspecto físico demonstrava esse aniquilamento e a santa, ao lado disso, buscava apagar-se no convento.

“Conseguiu-o de tal maneira que uma postulante, ao entrar para o convento, declarou que queria conhecer Bernadette, Justamente quando ela passava no momento, a mostraram dizendo: “Bernadette, é isto” (“Bernadette, c'est ça”).

Santa Bernadette, jovem camponesa de Lourdes
Santa Bernadette era uma camponesa de uma zona dos Pirineus meio espanholada e que constitui uma síntese entre a Espanha e a França. Ela tinha mais cara de francesa até do que de espanhola.

O rosto é ligeiramente dado para o quadrado, traços regulares e bem feitos, um olhar preto, grande, e com uma fixidez hispânica que o olhar francês não tem.

O olhar francês é muito rápido e passa de um lado para outro. Ela tem um olhar espanhol que crava as verrumas e que olha mesmo. Ela possuía um nariz espanhol, que é um traço de coerência de toda a fisionomia.

O feitio de espírito dela era taxativo. Era de dizer as coisas no duro. Era ela uma pessoa educada com muita simplicidade, tinha muita elevação de alma, mas o que ela pensava, ela dizia mesmo.

O todo dela era de um degagé completo: como quem no fundo não pretende ser nada. Ela era humilde diante de todo mundo, mas no serviço de Nossa Senhora. Por exemplo: ela ia para as aparições e podia se envaidecer, porque imagine uma multidão enorme ali reunida para vê-la falar com Nossa Senhora!

Quanto mais pequena é a cidade da gente, mais a gente dá importância a ela. É mais fácil um paulistano falar mal de São Paulo, do que um birigüense falar mal de Birigüi.

Então, compreende-se o que seria para Santa Bernadette, Lourdes inteira estar ali. Era uma coisa colossal.

Santa Bernadette, foto após as apariçõesMas, ela não se envaidecia, não dava importância nenhuma, continuava a ter toda a naturalidade diante de todo mundo. Chamada pela polícia para tratar das suas revelações, ela se portava em relação aos policiais com desassombro e naturalidade extraordinários.

Entretanto, em relação aos pais e às pessoas respeitáveis, como o vigário dela e sua superiora religiosa, era um modelo de respeito e obediência.

Aí está bem o espírito de verdadeira ultramontana, da verdadeira católica, da verdadeira santa, que não liga para as pompas deste mundo; que não dá importância a ser tida em grande ou pequena conta e que por causa disso calca tudo aos pés.

Porque se eu dou importância a que me aplaudam, acabo não tendo liberdade de me mover a não ser na medida em que aplaudirem. Eu danço conforme tocam.

Para eu ter sobranceria, é preciso não ligar ao mundo. Gostou? Gostou. Não gostou? Gostasse. Eu sou assim e faço assim porque cumpro meu dever, porque a Santa Igreja Católica manda. Você achou feio? Fique achando, porque a coisa é exatamente assim: essa era esta atitude de Santa Bernadette Soubirous.

Mas, diante das autoridades legítimas, o sumo de obediência e respeito, porque um há princípio sobrenatural em jogo. Para os fatores meramente humanos, zero. Para aquilo que tem uma raiz religiosa e que vem de Deus, todo o respeito devido.

Santa Bernadette, religiosa em NeversSanta Bernadette Soubirous converteu inúmeras pessoas durante as visões por causa do Sinal da Cruz. Ela tomou um amor ao sofrimento, um amor à cruz de Cristo, de onde algo da unção de Nossa Senhora passava por ela quando ela fazia o Sinal da Cruz.

A vida inteira foi para todos uma edificação ver como ela fazia o Sinal da Cruz, que tantas vezes a gente faz sem dar importância.

Quando começava a visão, ela se transfigurava. E ela, simples camponesa, tornava-se de uma majestade que impressionava todo mundo.

Uma senhora da sociedade que a viu durante a revelação, disse que nunca viu uma moça da aristocracia que tivesse o porte e a figura de Santa Bernadette durante as revelações. Porque ela estava tratando com a Rainha do Céu e da Terra algo de régio esta Rainha comunicava a alma dela um estado de virtude.

Muita gente vendo isto percebia que Nossa Senhora estava falando com ela. Não porque visse Nossa Senhora, mas porque via nela um espelho de Nossa Senhora. E ela era uma espécie de Speculum Mariae, na ocasião das revelações.

As virtudes de Nossa Senhora se comunicam aos seus devotos, e os seus devotos inalam aquilo que está em Nossa Senhora. Há uma comunicação de Nossa Senhora a seus devotos que é admirável.

Santa Bernadette, religiosa
Santa Bernadette tinha uma nota de comicidade e de polemismo que às vezes chegava até o pontiagudo e que indica o temperamento borbulhante dela. Por exemplo seu dito: “Se quiserem saber tanto sobre Nossa Senhora, tratem de ver que Ela apareça”. Ela tinha muitos ditos engraçados assim. A superiora dela várias vezes burilou, poliu e no fim ela deixou.

Nossa Senhora escolheu-a porque era ela a mais ignorante de Lourdes. Ela era uma boa menina, mas não era uma santa antes das revelações. Nossa Senhora a escolheu, porque um dos argumentos extraordinários para confirmar as revelações era a ignorância dela.

Santa Bernadette era muito baixinha, viva, mas passava facilmente desapercebida.

A Santa Bernadette Nossa Senhora revelou um segredo e sobre este segredo ela nunca disse nada. Então, três grandes aparições mariais, as três com segredos: Nossa Senhora da Salette: segredo; Nossa Senhora de Lourdes: segredo; e Nossa Senhora de Fátima: segredo.

Peçamos a Santa Bernadette que nos obtenha uma grande devoção a Nossa Senhora; que faça com que cada vez mais se dê essa comunicação das virtudes de Nossa Senhora para nós.

Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência de 15/4/1966, sem revisão do autor.


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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Oração de Santa Bernadete pedindo a resignação na hora do abandono – 3

Santa Bernadette: corpo incorrupto em Nevers, França.
Santa Bernadette: corpo incorrupto em Nevers, França.
Luis Dufaur
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Continuação do post anterior: Oração de Santa Bernadete pedindo a resignação na hora do abandono – 2

Humilhai-me, então quanto Vos aprouver, e consolai-me somente a fim de que eu possa sofrer e perseverar até à morte no sofrimento.
Ela não diz, por exemplo: “Mandai-me agora novas humilhações”.

Não, é quanto quiserdes.

Se quiserdes fazer cessar essas humilhações agora, está bem. Se quiserdes inundar-me de consolações agora, está bem.

Mas também se, de outro lado, Vós quereis me humilhar, na aparência quebrar-me, eu aceito, ó meu Deus. Eu sei que é Vossa mão que está dirigindo as coisas.

Como um maestro com sua batuta dirige os vários instrumentos musicais, assim as várias causas da minha desolação funcionam à maneira de uma orquestra de dores.

Às vezes Nosso Senhor manda outro fator que torna a dor mais viva, ou manda outra decepção.

Então será a traição de um amigo, de um ser querido, será uma dor física, será um prejuízo nos negócios, será a perspectiva de um agravamento muito grande de uma moléstia, será isto, aquilo e aquilo outro.

Pouco incomoda, é a mão de Jesus que está fazendo com que esses instrumentos se movam no ar.

Eu estou disposto e aceito as dores, e quando me acontecer uma coisa inopinada e eu disser: “Mas até isto, ó meu Deus”, eu me lembrarei de Jesus que do alto da cruz disse: “Deus, Deus meus, quare me dereliquisti? – Deus, ó meu Deus, por que me abandonastes?”

Já que as graças que Vos peço são fruto de Vossos desamparos, fazei que sua virtude se manifeste na minha fraqueza,...
Então essas graças que eu Vos peço são fruto do Vosso desamparo, das Vossas desolações.

Fazei com que em mim se manifeste a Vossa fortaleza, porque eu sendo tão fraco, eu aguentei tanta desolação.

Nisto ficará provado que quem me ajudou a isto fostes Vós, porque eu por mim não aguentaria nada.

Na desolação, o cântico da glória de Deus
Já que as graças que Vos peço são fruto de Vossos desamparos, fazei que sua virtude se manifeste na minha fraqueza, e glorificai-Vos na minha miséria, ó meu Jesus, único refúgio da minha alma.
Minha miséria permanecendo fiel a Vós é uma glória para Vós. Com isso, meu Senhor, na aridez eu vibro de uma alegria que eu não sinto.

Pensando naquilo que São Francisco de Sales chama a fina ponta da alma me resigno e penso isto: “Dá glória a Ele? Está bem”.

É como Nosso Senhor no alto da cruz bradando: “Meu Pai, meu Pai, por que me abandonastes?”, sabendo que nesse abandono completo, em que Lhe parecia que Deus O tinha entregue aos seus inimigos do modo mais humilhante, mais próprio a desmentir todas as esperanças que Ele, Nosso Senhor, tinha missão de levantar no coração dos homens.

Cristo da igreja da Ordem Terceira de São Francisco. São João del Rei, MG.
Cristo da igreja da Ordem Terceira de São Francisco.
São João del Rei, MG.
Ele sabia que naquela negação completa estaria a glória. E quando Ele disse para o bom ladrão: “Tu hoje estarás comigo no Paraíso”, ao mesmo tempo Ele cantava, na desolação, a própria glória de Deus.

Ele falou que o bom ladrão estaria no Paraíso. Era o modo árido de dizer que também Ele sabia que com aquela coroa de espinhos, com aqueles ferimentos todos, preso na cruz Ele também estaria no Paraíso.

Foi de ofego em ofego, como quem sobe passo-a-passo os degraus de uma escada, num certo momento Ele pôde dizer: “Consummatum est”.

Nesse momento os céus se abriram para Ele, o Padre Eterno sorriu, todos os anjos cantaram a glória dEle, o Divino Espírito Santo o encheu dos seus afagos e Ele entrou para a felicidade eterna.

Aqui está a reflexão de Santa Bernadette Soubirous, comentada mal e mal.

Ela conclui assim:

Ó Mãe Santíssima do meu Jesus, que vistes e sentistes a extrema desolação do Vosso querido Filho, assisti-me no tempo da minha desolação.

E vós, santos do Paraíso, que passastes por esta provação, tende compaixão daqueles que sofrem, e obtende-me a graça de ser fiel até à morte.
Ó santos do Paraíso, eu estou sofrendo essa desolação.

Mas eu sei que todo o mundo que se torna santo passa por desolações destas.

Portanto, eu vos peço a todos que conheceis por experiência própria o que é o terror das desolações, eu vos peço: vós vencestes nisto, aguentastes toda a desolação, tende em vista o peso dessa desolação, tende pena de mim e alcançai-me forças para suportá-la.

FIM

(Texto da oração: Bernadette Soubirous, Edições Loyola, São Paulo, 1985, pp. 81-82. Autor dos comentários: excertos de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 29/6/94. Sem revisão do autor.)



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segunda-feira, 23 de maio de 2022

Maria Auxiliadora: chefe de guerra nas batalhas pela Cristandade

Imagem de Maria Auxiliadora mandada pintar por Don Bosco em Turim
Imagem de Maria Auxiliadora
mandada pintar por Don Bosco em Turim
Luis Dufaur
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Histórico da devoção




O ensino de Doutores e Padres da Igreja


Numerosas inscrições cristãs dos primeiros séculos do Novo Testamento em territórios gregos contêm dois títulos da Virgem Maria: um é Teotokos (Mãe de Deus) e o outro é Boeteia (Ajuda dos cristãos).

O primeiro a chamar a Virgem de Maria Auxiliadora foi São João Crisóstomo (347-407), arcebispo e Patriarca de Constantinopla, Doutor e Padre da Igreja, proclamando: “Tu, Maria, és a ajuda mais poderosa de Deus”.

A partir do ano 398, ele o chamou de “Ajuda mais poderosa, forte e eficaz daqueles que seguem a Cristo”.

Outros Padres da Igreja que lhe reconheceram o título de “Auxiliadora” são Proclo (412 - 485) em 476 e São Sabas de Cesareia (439-532) em 532.

Também o poeta grego romano Melone em 518, São Sofrônio (560-638), arcebispo de Jerusalém, São João Damasceno (675 - 749) e São Germano de Constantinopla, Patriarca de Constantinopla (635 - 732) em 733.

São João Damasceno no ano 749 foi o primeiro a difundir a exclamação: “Maria Auxiliadora, rogai por nós”.

Em 532 São Sabas narrou que no Oriente havia uma imagem da Virgem chamada “Auxiliadora dos doentes”, por causa das muitas curas que ela fazia.

Nas guerras contra os pagãos


No início do século VII, quando Heráclio era imperador de Bizâncio, todo o Império Bizantino viu a fé cristã em perigo devido aos ataques dos ávaros, búlgaros e persas.

Edessa já havia caído em 609, Damasco em 613 e depois Jerusalém. O imperador propõe a paz ao persa rei Cosroes II. Esse já tinha raptado Cruz de Cristo e respondeu: “Isto vai ser discutido depois de os romanos terem abandonado a religião de Cristo pelo culto do Fogo”.

Panagia, igreja da Natividade em Belém
Panagia, igreja da Natividade em Belém
Em 4 de agosto de 626, os invasores tentaram atacar Constantinopla por mar e por terra, mas depois de três dias começaram a se retirar.

Os habitantes da cidade atribuíram o triunfo à “Panagia”, quer dizer o “Toda Santa”, e a festa da libertação foi marcada no dia 8 de agosto.


No livro litúrgico oriental “Sinaxario de Patmos”, do século VIII, lê-se:

“A liturgia é celebrada na Bacherne (bairro de Constantinopla) em comemoração à libertação dos bárbaros, quando rezavam à Santa Mãe de Deus, e foram lançados nas águas”.

Em 628, o imperador Heráclio reconquistou a Terra Santa e recuperou a Santa Cruz.

E ao anunciar a seu povo em uma mensagem jubilosa lida do ambão da igreja de Santa Sofia, afirma: “Reconhecemos como Deus e Nossa Senhora a Virgem Mãe vieram em socorro das tropas...”

Ucrânia: primeiro país a tê-la por patrona


Outro fato histórico: no Oriente, no século XI. Em 1030, em Kiev. os irmãos príncipes Metislao e Yaroslao reconhecem Maria como Auxiliadora de seu povo contra os inimigos.

Yaroslao atribui apenas a ajuda de Maria a salvação do povo da Ucrânia e sua cidade de Kiev, especialmente contra os Pecheneks.

E construiu a Igreja da Anunciação perto do Portão Dourado de Kiev, para que a Virgem defendesse aquele portão que levava à Ásia Oriental pagã, um perigo constante.

E na consagração do templo, em 1073, entregou a cidade santa ao socorro da Mãe de Deus, proclamando a Virgem “Rainha e Auxiliadora do povo ucraniano”.

O Metropolita Hilarion celebra em suas crônicas a grandeza de Yaroslau, “porque você consagrou seu povo e a cidade santa à Santíssima Virgem Mãe de Deus, gloriosa e pede ajuda aos cristãos. Assim a Ucrânia obtém a primazia, entre todos os povos, de reconhecer publicamente o patrocínio social da mãe de Deus”.

Mãe de Deus (Pokrow) Museu Malopolska, Polônia
Mãe de Deus (Pokrow) Museu Malopolska, Polônia
Desde então, a festa de Maria Auxiliadora é celebrada no dia 1º de outubro com a grande liturgia “Pokrow”, isto é, “Ajuda dos cristãos”.

Em seguida, Maria é cantada como “ajudante dos cristãos, intercessora e poderosa patrona do povo cristão, porque Cristo a deu ao seu povo como Auxiliadora dos cristãos para fortalecer e proteger seus servos de toda aflição”.

No famoso hino “Akathistos” que é cantado nas mais expressivas manifestações bizantinas do culto mariano, expressa as vitórias de Maria contra todos os inimigos da Igreja e do povo cristão.

As grandes vitórias no Ocidente


O registro mais antigo está em uma edição das ladainhas em honra da Virgem encontrada em Dilligen, do ano de 1558, onde se encontra a invocação de Maria Auxiliadora.

É do tempo de São Pedro Canísio SJ.

No ocidente cristão, no início do século XVI, no sul da Alemanha, a Auxiliadora era chamada de “Padroeira da Baviera”, como se pode ler na estátua de Maria Auxiliadora, do escultor J. Krumper, em um castelo em Munique.

As causas deste grande desenvolvimento foram, sem dúvida, os dois grandes perigos para o povo, para a Igreja Católica: os reformadores protestantes e os muçulmanos.

Nossa Senhora Auxiliadora põe em fuga os mouros em Lepanto
Nossa Senhora Auxiliadora põe em fuga os mouros em Lepanto

Em 1571, diante do perigo de a Europa cair sob o domínio muçulmano, o Papa São Pio V invocou Maria Auxiliadora e obteve o triunfo naval de Lepanto.

Após a vitória de Lepanto, São Pio V enviou uma imagem de Maria Auxiliadora ao rei da Espanha, Filipe II, que venerou com grande devoção e piedade, não no Escorial. E alguns anos depois, a rainha Elizabeth II a coroou.

Em agradecimento pela vitória, o Papa Pio V instituiu a Festa de Nossa Senhora das Vitórias, mais tarde conhecida como Festa do Rosário, a ser celebrada no primeiro domingo de outubro, e acrescentou o título “Ajuda dos Cristãos” às ladainhas lauretanas.

O título de Maria como “ajuda dos cristãos” ainda hoje faz parte das ladainhas Lauretanas.

A cidade de Passau, na Baviera, ficou famosa pela veneração de uma imagem da Virgem com o Menino, cópia de uma pintura do mestre Lucas Cranach.

E já em 1624 por causa das multidões que foram venerar esta imagem, uma igreja começou a ser construída.

“Em meio aos graves e contínuos perigos da guerra que invadiu toda a Alemanha, o povo foi em peregrinação ao santuário, não só das aldeias vizinhas, mas de toda a Baviera, Áustria, Boêmia; e ela entrou no santuário exclamando: 'Maria Hilf', 'Maria Auxiliadora'... Assim a Alemanha teve o primeiro santuário, no Ocidente, em honra de Maria Auxiliadora.”

Maria Auxiliadora. Lucas Cranach
Maria Auxiliadora. Lucas Cranach
As graças obtidas ali foram publicadas em cinco volumes. Os devotos de Maria Auxiliadora em Passau foram vinculados ao santuário em uma “Irmandade de Maria Auxiliadora” aprovada em 1627 pelo Papa Urbano VIII.

O imperador Fernando II se inscreveu nele pessoalmente, em 1630. E assim fizeram muitos outros homens ilustres da casa imperial. Cardeais, bispos; e conventos inteiros lhe prestaram fidelidade.

Também em Innsbruck, onde se conservava a autêntica imagem de Cranach, foi construída uma igreja a Maria Auxiliadora, no ano de 1657, por voto feito no final da “Guerra dos Trinta Anos” contra os protestantes.

E essa devoção se espalhou tanto que só na diocese de Innsbruck havia setenta locais de culto à Auxiliadora.

E cópias das imagens de Passau e Innsbruck se espalharam por todas as cidades do sul da Alemanha e da Áustria.

Em 1683, mais uma vez os cristãos triunfaram sobre os otomanos que cercavam Viena, e o imperador Leopoldo ordenou que os troféus confiscados dos turcos fossem enviados ao santuário de Maria Auxiliadora em Passau.

Contra a Revolução gnóstica e igualitária


Até o século XIX, a invocação de Maria Auxiliadora esteve fortemente associada à defesa militar de todas as fortalezas católicas e ortodoxas da Europa, Norte da África e Oriente Médio contra os povos não cristãos, especialmente os muçulmanos.

Em 1806, as ambições de Napoleão constrangeram o Papa Pio VII ao exílio.

Em seu cativeiro, que durou 5 anos, o pontífice prometeu à Virgem que, se recuperasse a liberdade e voltasse a Roma, declararia aquele dia como solene em homenagem a Maria Auxiliadora.

Quando o imperador francês foi derrotado e Pio VII pôde ir para a cidade de Roma, onde entrou na cidade em meio a alegria geral em 24 de maio de 1814.

Deste evento vem a tradição da Solenidade de Maria Auxiliadora todo dia 24 de maio.

Em 16 de agosto do ano seguinte de 1815, ele nasceu no norte da Itália, no Piemonte, que se tornaria o apóstolo de Maria Auxiliadora.

Nossa Senhora Auxiliadora, Buenos Aires
Nossa Senhora Auxiliadora, Buenos Aires
São João Bosco herói da devoção a Maria Auxiliadora


Por meio de sua mãe, a Beata Margarida, São João Bosco conheceu a Virgem Maria:

“Meu querido João... quando você veio ao mundo, eu o consagrei à Santíssima Virgem”, disse-lhe. Ainda criança, Margarita o ensinou a saudar a Virgem três vezes ao dia com o Angelus.

Além disso, a própria Maria se lhe tornou presente em famosos sonhos. E Maria foi sua mestra, conforme a promessa recebida de Jesus “Eu te darei a mestra”.

As preferências do jovem padre Juan Bosco se inclinaram pela Imaculada.

Mais tarde diria ao seu vigário São Miguel Rua: “Todas as nossas obras começaram no dia da Imaculada Conceição”.

Quando havia tinha perto de 50 anos sem deixar o título de Imaculada, descobriu outra invocação que encheria seu coração: “Auxílio dos cristãos”.

Por volta do ano de 1848, ele colocou cinco gravuras da Virgem em um almanaque em seu quarto; uma delas com estas palavras:

“Ó Virgem Imaculada, Vós que vencestes todas as heresias, vinde agora em nosso socorro, nós vos recordamos de coração: Auxilium Christianorum, ora pro nobis”.


De 1848 a 1870 ocorreram muitos eventos que perturbaram a Igreja. Nas guerras e revoluções que tomaram corpo, Don Bosco volta-se gradual e decididamente para Maria como Imaculada Auxiliadora dos cristãos, pessoalmente e de todos os cristãos.

Já no almanaque que edita, pela primeira vez no ano 1860 se lê em 24 de maio: “Festa de Maria Auxiliadora, Auxilium Christianorum”.

Em 1862, Dom Bosco decidiu definitivamente homenagear Maria com o título de Auxiliadora.

Ele tem um sonho com as duas colunas que surgem no mar agitado para proteger a nave da Igreja. Um delas coroada com o símbolo da Eucaristia e a outra com uma imagem de Maria Imaculada, com a inscrição: “Auxilium Christianorum”.

E decide construir uma igreja “digna e grande” em homenagem a Maria Auxiliadora no bairro de Valdocco, em Turim. Ele confiou a ideia ao clérigo Pablo Albera e ao padre Juan Cagliero e a todo o Oratório.

O padre Juan Cagliero testemunha que Dom Bosco lhe disse em 1862: “Ele quer que veneremos a Virgem com o título de Maria Auxiliadora: os tempos são tão tristes que precisamos da Santíssima Virgem para nos ajudar a preservar e defender a fé cristã”.

Na Auxiliadora, Don Bosco reconhece o rosto da Senhora que iniciou sua vocação e que foi e sempre será a Inspiradora e Mestra.

Os últimos 25 anos de sua vida são marcados pela presença viva de Maria Imaculada Auxiliadora de cada pessoa e de toda a comunidade dos cristãos.

A rainha na luta entre o bem e o mal


A Virgem do Apocalipse, Miguel Cabrera (1760)
A Virgem do Apocalipse, Miguel Cabrera (1760)
A invocação de Maria Auxilio dos Cristãos teve sempre um caráter militar da Virgem Maria nas lutas pela defesa da fé católica.

O primeiro texto que representa a mulher bíblica como personagem combatendo as forças do mal é o de Eva no Gênesis. Na condenação divina após o pecado, Deus se dirige à serpente com estas palavras:

Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a descendência dela; ele vai pisar em sua cabeça enquanto você espera pelo calcanhar dele.

O texto revela uma cosmogonia evidente que confronta duas forças em permanente oposição, o bem e o mal, no cenário da Criação.

Segundo a Mariologia, neste texto está representada a Virgem Maria, que, sendo a mãe do Messias, é aquela que carrega a linhagem da salvação.

Da mesma forma, outras mulheres teriam um papel fundamental na percepção dessa luta existencial entre as duas forças opostas: a profetisa Débora, Judite, a viúva que sai em defesa do cerco de Betulia e derrota Holofernes, e muitas outras.

Por fim, a personagem feminina que desempenha um papel decisivo nessa luta é representada no livro do Apocalipse no seguinte texto:

Um grande sinal apareceu no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça; ela está grávida, e grita com dores de parto e com o tormento de dar à luz (...)

Essa personagem feminina, foi relacionada pelas primeiras comunidades cristãs à Igreja perseguida.

E depois a Maria na história da salvação confrontada pelo dragão, que representa o mal.

Ela desencadeia uma batalha liderada pelo arcanjo Miguel, outro personagem guerreiro.

Ao final do texto, a mulher e seu filho se encaram diretamente, conforme o texto:

Então o Dragão cuspiu de suas mandíbulas como um rio de água atrás da Mulher, para varrê-la com sua corrente. Mas a terra veio em socorro da Mulher (...)

O Apocalipse estabelece uma relação entre figuras femininas de caráter militar ou guerreiro em prol do bem, na história da salvação, que gera o título Maria Auxiliadora.

Imagem de Maria Auxiliadora mandada pintar por Don Bosco em Turim
Imagem de Maria Auxiliadora
mandada pintar por Don Bosco em Turim
Significados da imagem de Maria Auxiliadora que Don Bosco mandou pintar


Don Bosco instruiu o artista com estas ideias:

No alto Maria Santíssima entre os coros dos anjos, depois o coro dos profetas, das virgens, dos confessores.

No chão, os emblemas das grandes vitórias de Maria, e os povos do mundo no ato de levantar as mãos para ela pedindo sua ajuda.

A Virgem como Rainha leva na mão esquerda o Menino Jesus, perante o qual todas as criaturas (os Apóstolos e outros santos representam a Igreja e os anjos representam o Céu) prestam homenagem.

Maria e o Menino Jesus usam trajes inspirados nas monarquias europeias, especialmente as germânicas, vigentes na Idade Média.

As coroas de ouro obedecem ao texto apocalíptico: “...uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça...”.

A coroa é enquadrada em um anel com doze estrelas e a estrela como símbolo de Davi.

O cetro é um símbolo da monarquia e do reino messiânico.

Algumas representações de Maria Auxiliadora colocam um segundo cetro sobre o Menino, aspecto que rompe com o sentido bíblico original, pois é um cetro único, o messiânico.

Suas roupas correspondem a usos sacerdotais. A criança usa um vestido branco inteiro, que lembra a divisão dos vestidos de Cristo: “A túnica era sem costura, tecida em uma só peça de alto a baixo”.

Tanto na imagem da Virgem como na do Menino, correspondem a perfis caucasianos-nórdicos e louros que revelam a origem da devoção na Europa Oriental




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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Oração de Santa Bernadete pedindo a resignação na hora do abandono – 2

Santa Bernadette, sendo velada
Santa Bernadette, sendo velada
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




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Continuação do post anterior: Oração de Santa Bernadete pedindo a resignação na hora do abandono – 1

Eu Vos conjuro, ó meu Deus, por Vossos desamparos, não que não me aflijais, mas que não me abandoneis na aflição, que me ensineis a procurar-Vos nela como o único consolador, que sustentais nela a minha fé, que nela fortifiqueis minha esperança, que purifiqueis nela o meu amor; concedei-me a graça de reconhecer nela a Vossa mão, e de não desejar nela outro consolador a não ser Vós.
É tão linda e tão cristalina essa súplica – aliás, se nós, por exemplo, colássemos aos pés de uma imagem de Nosso Senhor crucificado só essa súplica, sem o mais, já teria todo o sentido – que nem creio que seja necessário comentário.

Eu Vos conjuro, ó meu Deus,...
Eu Vos conjuro quer dizer Vos peço.

Eu Vos conjuro, ó meu Deus, por Vossos desamparos,...
Não porque minha piedade, minha oração, valha qualquer coisa, eu não tenho méritos, eu sou um zero. Mas Vós morrestes por mim e eu sou um dono de um tesouro infinitamente maior do que os meus próprios méritos. Eu sou dono dos Vossos méritos, ó meu Deus, porque por mim Vós morrestes.

Eu Vos conjuro, ó meu Deus, por Vossos desamparos, não que não me aflijais,...
Ela não pede que Nosso Senhor retire dela o desamparo, porque ela sabe que por meio desse desamparo ela completa a obra de Nosso Senhor.

Há uma comparação que certos doutores sagrados fazem com o que se passa na Missa.

Eles dizem que nós de algum modo completamos os méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo para que a Redenção infinitamente preciosa, que Ele fez derramando seu sangue, produza para os homens a totalidade das abundantes riquezas para as quais Ele deliberou morrer.

Então: “Vós sabeis, eu não Vos peço que façais cessar essa aridez.

“Mas em nome de Vossas divinas aridezes, em nome das Vossas divinas desolações, ó Jesus, que na Ladainha do Coração de Jesus sois chamado Cor Jesus fons totius consolationis, Coração de Jesus fonte de toda a consolação, a Vós eu digo: não me tireis a minha desolação, mas dai-me forças para suportá-la”.

Essa é uma oração sublimíssima.

Eu Vos conjuro, ó meu Deus, por Vossos desamparos, não que não me aflijais, mas que não me abandoneis na aflição, que me mas que não me abandoneis na aflição, que me ensineis a procurar-Vos nela como o único consolador,...
Nosso Pai o Bom Jesus da Sentência, Sevilha
Nosso Pai o Bom Jesus da Sentência, Sevilha
Que me ensineis, meus Deus, a analisar e ver a minha aflição com olhos tais que eu compreenda que Vós sofrestes uma desolação infinitamente maior, e que eu devo sofrer também alguma coisa para completar a Vossa desolação.

Por esta maneira Vós quereis Vos utilizar de mim, eu Vos digo: desolai-me, assolai-me se quiserdes.

Ela não pede a desolação, ela diz que está disposta a suportar. É uma coisa diferente. Mas o pedido está feito aí.

Quando o padre durante a missa pinga uma gota de vinho e depois uma gota de água no cálice, essa água e esse vinho formam uma só massa liquida.

E então a água que nunca poderia ser matéria para a transubstanciação, faz parte da maravilha de passar a ser uma aparência dentro da qual está realmente presente com corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Esta gota de água participando e diluindo-se naquele vinho, ela forma com o vinho um só corpo. E quando o vinho for transubstanciado, aquela água misturada ao vinho vai transubstanciar-se também.

Isto somos nós com os nossos méritos. Nossos méritos não valem nada, é pouquíssima coisa.

Mas unidos a Nosso Senhor Jesus Cristo têm um valor infinito e Deus recebe com agrado extraordinário.

Quem vê o padre com aquelas galhetas não tem ideia da simbologia estupenda que isto significa.

... que me ensineis a procurar-Vos nela como o único consolador, que sustentais nela a minha fé, que nela fortifiqueis minha esperança,...
Então eu Vos peço, Senhor, no meio da desolação e do risco de perder a esperança, fortifiqueis minha esperança. Eu Vós peço.

... que purifiqueis nela o meu amor;...
Que façais com que este amor com que eu Vos peço isso seja puro de tudo quanto não seja amor a Vós.

Que não seja, portanto, para eu ficar encantado com o heroísmo da virtude que eu mesmo estou praticando. Não seja para nenhuma outra coisa, mas seja exclusivamente por Vós e por mais nada que eu faço isso.

... concedei-me a graça de reconhecer nela a Vossa mão, e de não desejar nela outro consolador a não ser Vós.
Fazei com que quando eu sentir esta desolação eu reconheça a Vossa mão nessa desolação.

... concedei-me a graça de reconhecer nela a Vossa mão, e de não desejar nela outro consolador a não ser Vós.
Na gruta de Lourdes
Na gruta de Lourdes
Não é uma consolação mundana, para ficar todo vaidoso, todo melado.

O divino consolador é outro, Vós sois o que morreu por mim na cruz, Vós sois o Filho de Deus encarnado, Vós sois o filho de Maria Santíssima.

Maria Santíssima enquanto medianeira universal de todas as graças é o canal por onde todas essas súplicas e considerações devem subir a Deus, sob pena de que Deus não as aceite.

Porque Ela se unindo à minha prece, a minha prece tomará valor e por causa disso eu serei ouvido.

Então fazei-me compreender, fazei-me querer, amar e alegrar em que seja assim.

Meu único consolador sóis Vós, ó Jesus Cristo, doce Filho de Maria.

Continua no próximo post: Oração de Santa Bernadete pedindo a resignação na hora do abandono – 3



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