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quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Santa Bernadette em Nevers:
paz de alma no Tabor e no Calvário

Jardim do convento de Nevers
e capelinha onde foi enterrada Santa Bernadette
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Um amanhecer no jardim interno do Convento de Saint-Gildard. Casa Mãe das Irmãs da Caridade de Nevers na França.

A essa Congregação, correntemente chamada das Irmãs da Caridade de Nevers, pertenceu Santa Bernadette.

A vida religiosa da vidente de Lourdes transcorreu precisamente nessa casa, e foi entre suas paredes benditas que ela exalou seu último suspiro.

Ordem grave, profunda e entretanto radiosa tranquilidade na natureza, serenidade das linhas arquitetônicas da fachada... as folhas dos imensos castanheiros dir-se-iam lâminas delgadíssimas de prata ou de cristal, nas quais se condensam os raios solares castos e jubilosos desse esplêndido amanhecer.

Paz, enfim, uma grande paz natural nesse ambiente onde a presença de uma religiosa, como se fora a de um Anjo, parece trazer como riqueza transcendental, algo da paz sobrenatural indizivelmente mais preciosa que habita na alma dos filhos da luz.

E assim como os raios solares, penetrando nas folhas, parecem transformá-las em gotas de sol, dir-se-ia que a paz da natureza e, sobretudo, a paz inefável da graça penetram na alma dessa Religiosa, transformando-a como que numa personificação ou num símbolo vivo da paz interior.

Nevers, capela onde está o corpo de Santa Bernadette
Nevers, capela onde está hoje o corpo de Santa Bernadette
Quando Santa Bernadette passeava por este jardim, quem sabe se todas essas austeras e doces magnificências a ajudavam um pouco a lembrar-se da figura indescritivelmente bela, toda inundada de paz sobrenatural, d’Aquela que o Apocalipse (12, 1) descreve como a Mulher vestida de sol, do sol da verdadeira paz, que é o dom das almas unidas a Deus.

O que são, perto das alegrias dessa paz de alma, as correrias, a agitação, as tempestades passionais, as angústias, a que o mundo, sempre mentiroso, chama de alegria?

É a paz do Tabor.

Pensando nisto, teríamos o desejo de dizer à humanidade as palavras de Nosso Senhor à Samaritana: "Se conhecesses o dom de Deus... ( Jo. 4, 10 ).

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, março 1960)




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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Na festa de Santa Bernadette:
sofrimentos finais pelo Papa e pela vitória da Igreja

A gruta de Nossa Senhora das Águas no fundo do jardim do convento de Saint Gildard, Nevers. Essa imagem era a que mais lembrava a Nossa Senhora segundo Santa Bernadette.
A gruta de Nossa Senhora das Águas no jardim do convento de Saint Gildard, Nevers.
Essa imagem era a que mais lembrava a Nossa Senhora segundo Santa Bernadette.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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Santa Bernadette entrou no convento de Saint Gildard, na cidade de Nevers, da Congregação das Irmãs da Caridade.

Ali fez o noviciado, passou toda sua vida de religiosa que, aliás, não foi longa, e ali faleceu.

Em Saint Gildard, Santa Bernadete ficou encarregada da enfermaria do convento.

No fundo da casa há uma imagem da Nossa Senhora das Águas, dentro de uma espécie de gruta artificial.

Santa Bernadete achava que por causa da atitude de benevolência e o sorriso, essa imagem era a que melhor lhe relembrava a Nossa Senhora como lhe apareceu em Lourdes.

A saúde de Santa Bernadete sempre foi periclitante. Com o tempo, não fez senão piorar, trazendo-lhe agonias e tormentos indizíveis. Várias vezes temeu-se que morreria logo, recebeu a Extrema unção e até proferiu os votos solenes in articulo mortis.

Em dezembro de 1876, por iniciativa do bispo diocesano e com o auxilio de outras religiosas escreveu uma carta de punho e letra ao Papa Pio IX, felizmente reinante.

Naquela época, Roma e o Vaticano estavam invadidos pelas tropas revolucionárias garibaldinas.

Beato Papa Pio IX, por quem Santa Bernadette oferecia suas mais terríveis dores
Beato Papa Pio IX, por quem Santa Bernadette oferecia suas piores dores
Ainda ecoavam no mundo católico as proezas dos zuavos pontifícios defendendo a Cidade Santa contra as tropas revolucionárias de Garibaldi e do rei Vitor Emanuel.

Na carta encontramos aspectos importantes de sua personalidade:
― “Há muito que eu sou zuavo (soldado voluntário do Papa), embora indigno, de Vossa Santidade. Minhas armas são a oração e o sacrifício”, escreveu.

E ainda dizia ao Papa da Imaculada Conceição:
― “No Céu a Santíssima Virgem deve fixar sobre vós o seu olhar com freqüência, Santíssimo Padre, pois vós a proclamastes Imaculada, e quatro anos depois, nossa boa Mãe veio à terra para dizer: ‘Eu sou a Imaculada Conceição’.”

E concluía encorajando ao Pontífice assediado por inimigos externos da Igreja e maus eclesiásticos "modernistas":
― “Eu espero que (...) esta boa Mãe (...) se dignará pousar seu pé sobre a cabeça da maldita serpente, e assim pôr termo às cruéis provações da Santa Igreja e às dores de seu augusto e bem-amado Pontífice”.



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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Santa Bernadete fugia dos que queriam vê-la

Capela do convento. Aqui pode se ver o corpo de Santa Bernadete.
Capela do convento de Nevers onde pode se venera o corpo de Santa Bernadette.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No hospital de Lourdes como pupila e mais tarde no convento de Saint-Gildard em Nevers, como religiosa, Santa Bernadete trabalhou na enfermaria.

O trabalho lhe aprazia, pois atendia a seu profundo desejo de se consagrar aos mais pobres e desvalidos.

Tanto no hospital de Lourdes quanto no convento de Nevers a Santa não pôde evitar inteiramente as visitas mais categorizadas que queriam conhecê-la.

Ela escapulia dos compromissos quanto podia sem violar a obediência e o respeito. Muitas vezes,porém, tratava-se de bispos aos quais não podia evitar.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

A casa natal de Santa Bernadette: muita simplicidade mas nada de vulgaridade

Cama de Santa Bernadette antes da família perder a casa
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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As fotos mostram quanta dignidade, quanta compostura afável e sóbria pode impregnar um ambiente próprio a gente pobre... de dinheiro, mas rica em alma.

Em primeiro lugar, temos a pobreza de uma família obscura... e imortal: a família de Santa Bernadette Soubirous, a vidente de Lourdes.

A sala serve ao mesmo tempo de dormitório e cozinha.

O grande leito, com seu cortinado, é pobre, mas dá uma impressão de recolhimento, estabilidade e dignidade inegáveis.

Essa impressão se comunica a todo o aposento, acentuada ainda pelas imagens populares, mas piedosas, e pela lareira espaçosa a cujo calor se acercava a família nos serões de inverno.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Lendo as cartas de Santa Bernadette Soubirous – 2

Manuscritos de Santa Bernadette
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Continuação do post anterior: Lendo as cartas de Santa Bernadette Soubirous – 1


Percebendo a mão de Deus que castiga

Bernadette via com olhos sobrenaturais os acontecimentos de sua época.

Assim, por exemplo, em 1870, durante a guerra franco-prussiana, quando os alemães já estavam próximos de Nevers — e, portanto, ameaçavam a própria segurança das irmãs —, estando já a comunidade inteira a serviço dos feridos, Santa Bernadette escreve à sua irmã Maria:

“Não temos senão uma coisa a fazer: é pedir muito à Santíssima Virgem, a fim de que Ela queira interceder por nós junto de seu querido Filho, e nos obter perdão e misericórdia; tenho a doce confiança de que a Justiça de Deus que nos castiga neste momento será então aplacada por essa terna Mãe” (Carta à sua irmã Maria, de 25 de dezembro de 1870, p.70).

Em 1871, durante os grandes tumultos da Comuna de Paris, ela escreve à Madre Alexandrina:
“Permiti, minha querida Mãe, que vos deseje um bom Aleluia, bem como a todas as queridas Irmãs. Nós deveríamos mais chorar do que nos regozijar vendo nossa pobre França tão endurecida e tão cega.

“Quanto Nosso Senhor é ofendido! Roguemos muito por esses pobres pecadores, a fim de que eles se convertam: apesar de tudo, são nossos irmãos! Peçamos a Nosso Senhor e à Santíssima Virgem que transformem esses lobos em cordeiros” (Carta à Madre Alexandrina Roques, de 3 de abril de 1872, p. 78).

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Lendo as cartas de Santa Bernadette – 1

Manuscrito de Santa Bernadette com um exercício gramatical
Manuscrito de Santa Bernadette com um exercício gramatical
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Maria Bernarda, ou Bernadette nasceu em Lourdes, nos contrafortes dos Pirineus franceses, no dia 7 de janeiro de 1844.

Seus pais eram patrões de moinho e tinham tido certa abastança, mas que, por sua facilidade em perdoar as dívidas, acabaram caindo na miséria.

A vida de Bernadette resume-se em praticar o que lhe recomendou a Santíssima Virgem: rezar, especialmente o Rosário, e fazer penitência pelos pecadores.

Por isso, tendo entrado posteriormente no convento das Irmãs da Caridade de Nevers, sua oração frequente era:
“Ó Jesus! Ó Maria! Fazei que todo meu consolo neste mundo consista em amar-vos e sofrer pelos pecadores.

“Que eu mesma seja um crucifixo vivente, transformada em Jesus. [...] Tenho que ser vítima [...] Levarei com valentia e generosidade a cruz oculta em meu coração. Minha ocupação é sofrer”.(1)
Analfabeta até os 14 anos, em sua humildade ela se considerava pouco inteligente e capaz. Por isso dizia:
“Posto que não sei nada, posso pelo menos rezar o Rosário e amar a Deus com todo o coração. E, ademais, a Santíssima Virgem recomendou tanto que rogasse pelos pecadores!”.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Carta de Santa Bernadette Soubirous
a Sua Santidade o Beato Pio IX, Papa

Carta de Santa Bernadette Soubirous a Sua Santidade o Beato Pio IX, Papa
Carta da Santa ...
Carta de Santa Bernadette Soubirous a Sua Santidade o Beato Pio IX, Papa
a um Papa santo
Luis Dufaur
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A seguinte carta foi escrita por Santa Bernadette no convento Saint Gildard de Nevers, em 17 de dezembro de 1876.

A santa já sofria o mal que a levaria deste mundo dois anos e quatro meses depois.

O Beato Pio IX também faleceu no muito depois: em 7 de fevereiro de 1878. Ele deixou a Terra em meio a grandes sofrimentos provocados pelos inimigos da Igreja que invadiram e usurparam os Estados Pontifícios, dos quais o Papa é rei.

Naquela data brilharam pelo seu heroísmo os zuavos pontifícios (tropa de elite de voluntários que defendiam o Papa), muitos dos quais morreram em combate defendendo o reino do Papa.

A eles se refere Santa Bernadette quando diz “há já alguns anos que eu me constituí pequeno zuavo”. Seu coração estava junto com aqueles bravos soldados que davam sua vida pela Igreja no campo de batalha.

Para os inimigos da Igreja Santa Bernadette tem essa frase de conteúdo profético que faz pensar em La Salette e Fátima: Nossa Senhora “se dignará colocar ainda mais uma vez Seu pé sobre a cabeça da serpente maldita, e dar assim um termo às cruéis provações da Santa Igreja e às dores de seu augusto e Bem-Amado Pontífice”.

Eis a carta:

quarta-feira, 7 de junho de 2017

A verdadeira fisionomia de Santa Bernadette

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A fisionomia e a personalidade de Santa Bernadette corresponde ao tipo do plebeu digno, altivo de sua qualidade de criatura humana incorporada misticamente a Nosso Senhor Jesus Cristo pelo batismo, mas satisfeito em sua modesta condição.

Nas fotos, aparece com suas roupas de camponesa. Ela está vestida com decência e sensata simplicidade.

No todo se nota uma compostura que, mais do que no traje, se patenteia no olhar sereno, firme, profundo, puro e equilibrado até o mais alto grau.

Seu nome enche o seu século, perpetuou-se no nosso, e brilhará enquanto o mundo for mundo.

No Céu os Anjos o cantam com louvor. Bernadette Soubirous foi incluída pelo Papa Pio XI no rol dos Santos!

Ela não é burguesa, não quer ser burguesa, não quer parecer burguesa, e nem quer extinguir a burguesia.

Mas poucas burguesas, poucas Princesas até, tem tanta dignidade e decoro pessoal.


quarta-feira, 25 de maio de 2016

Santa Bernadete: sofrimentos em Nevers
pelo Papa e pela vitória da igreja

Gruta de Nossa Senhora das Aguas relembrava a Gruta de Lourdes

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No convento Saint Gildard da cidade de Nevers, onde ingressou como religiosa, Santa Bernadete ficou encarregada da enfermaria do convento.

No fundo do grande jardim da casa há uma imagem da Nossa Senhora das Águas, dentro de uma espécie de gruta artificial.

Santa Bernadete achava que por causa da atitude de benevolência e o sorriso, essa imagem era a que melhor lhe relembrava a Nossa Senhora como lhe apareceu em Lourdes.

A saúde de Santa Bernadete sempre foi periclitante. Com o tempo, não fez senão piorar, trazendo-lhe agonias e tormentos indizíveis. Várias vezes temeu-se que morreria logo, recebeu a Extrema unção e até proferiu os votos solenes in articulo mortis.