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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Em Lourdes, Nossa Senhora nos pede amar a Imaculada Conceição, privilégio divino exclusivo que A põe por cima de todos

Nossa Senhora de Lourdes coroada
Quanto mais nós admiramos uma pessoa, mais nós devemos amá-la.

E quanto mais nós a amamos, mais nós devemos ser propensos a admirar as qualidades que Ela tem.

Por causa disso, nos veneramos Nossa Senhora como Mãe ao mesmo tempo sumamente amável e sumamente admirável.

Nossa Senhora aparece fazendo-se admirar pelo título que Ela proclama.

Ela disse a Santa Bernadette Soubirous: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Quer dizer, uma criatura que está numa condição inteiramente superior a todas as outras. Porque concebida sem pecado original e gozando de uma predileção toda especial de Deus.

Doentes diante da Gruta de LourdesDe outro lado, Ela pratica milagres dos mais estupendos, numa continuidade e numa importância sem igual história da igreja. E isto é porque Ela quer. Então Ela se apresenta muito à nossa admiração.

Mas, de outro lado, Ela se apresenta ao nosso amor pela sua caridade, pela sua bondade, pelo interesse na nossa salvação eterna, e pela felicidade dos homens na vida terrena.

Há aí, portanto, esses dois qualificativos que se unem. Aquilo que um falso espírito seudo-democrático e pagão gostaria de separar.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Após as aparições, o torvelhino


Após as aparições, em poucas semanas a vida de Bernadette mudou radicalmente.

Antes das aparições era a digna, mas esquecida filha da família mais miserável de Lourdes. Depois, ficou no fulcro das atenções da cidade e, bastante rapidamente, da França e do mundo.

A fisionomia e a personalidade de Santa Bernadette era do tipo do plebeu digno, altivo de sua qualidade de criatura humana incorporada misticamente a Nosso Senhor Jesus Cristo pelo batismo, mas satisfeito em sua modesta condição.

Nas fotos, ela acostumava aparecer com roupas de camponesa no estilo das levadas durante as aparições. Ela vestia com decência e sensata simplicidade.

No todo manifestava uma compostura que, mais do que no traje, se patenteava no olhar sereno, firme, profundo, puro e equilibrado até o mais alto grau.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Simplicidade e Vulgaridade: uma lição da casa da família de Santa Bernadette


As fotos mostram quanta dignidade, quanta compostura afável e sóbria pode impregnar um ambiente próprio a gente pobre... de dinheiro, mas rica em alma.

Em primeiro lugar, temos a pobreza de uma família obscura... e imortal: a família de Santa Bernadette Soubirous, a vidente de Lourdes.

A sala serve ao mesmo tempo de dormitório e cozinha.

O grande leito, com seu cortinado, é pobre, mas dá uma impressão de recolhimento, estabilidade e dignidade inegáveis.

Essa impressão se comunica a todo o aposento, acentuada ainda pelas imagens populares, mas piedosas, e pela lareira espaçosa a cujo calor se acercava a família nos serões de inverno.

Santa Bernardette nasceu nessa casa, até que a miséria - teleguiada pela Providência -, levou a família de queda em queda até o hoje tão venerado "cachot".

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Chegando a Lourdes como à casa materna

Santuário à esquerda, rio Gave à direita
Chegando a Lourdes, um instinto misterioso conduz o neófito rumo à Gruta. Os cartazes são inexistentes e desnecessários. Os guardas são escassos e sem trabalho. A multidão é ordenada, composta e fervorosa. Tudo é pulcro e bem conservado.

Magotes de peregrinos convergem para o local das aparições. Uns rezam em grupo ou isoladamente, em voz alta ou baixa; outros cantam.

Ainda outros caminham em atitude recolhida, ou com ávida curiosidade, até o fulcro dessa unção que a tudo envolve maternalmente.

Não há algazarra nem pesado silêncio. Há uma plenitude de vida harmoniosa, impregnada de sobrenatural, que empolga.

Alguns chegam acompanhados de um sacerdote. A imensa maioria vem por iniciativa própria.

O que os levou lá? O que a graça disse na alma daquele romeno, australiano, japonês, brasileiro ou sul-africano, para virem de todos os recantos da Terra a Lourdes, com tanta consonância de espírito?

À direita de quem chega, o caudaloso rio Gave corre impetuosamente, emitindo leve murmúrio, imagem material dessa torrente de graças que ali age tão poderosa e discretamente nas almas.

À esquerda estão as numerosas torneiras onde os romeiros colhem e bebem a água da fonte aberta por Santa Bernadete por ordem de Nossa Senhora.

Logo a seguir, a Gruta das aparições. Como descrevê-la? É difícil. Nada há nela que não se pareça com mais uma concavidade lavrada na rocha pelo vento e pelas águas.

No fim da procissão das velas
Imagem no fim da procissão
Porém, olhando-a, tem-se a impressão de contemplar uma janela que abre direto para o Céu. No alto, à direita, numa espécie de túnel aberto na rocha, a famosa imagem de Nossa Senhora de Lourdes, tão simples, sem mérito artístico especial, irradiando um oceano de graças.

No canto inferior à esquerda, no fundo, a fonte que Santa Bernadete cavou com suas próprias mãos, a mando de Nossa Senhora. A água jorra límpida, incessante, com a musicalidade aconchegante de um despretensioso manancial de montanha.

Eis a água de Lourdes, eis o simples instrumento de que Nossa Senhora se serve para vencer a doença e o pecado, a lubricidade igualitária da humanidade que recusou a Civilização Cristã.

Que contraste! Que glória, que poder da Santíssima Virgem! Toda a obra de impiedade erigida em séculos de Revolução, vencida pela Rainha dos Céus e da Terra com um simples fio de água!