quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O que falava Santa Bernadette quando era religiosa (1868-1869)

Santa Bernadette religiosa em Nevers. [N.R.: nome de religião irmã Marie-Bernard]
Santa Bernadette religiosa em Nevers.
[N.R.: nome de religião irmã Marie-Bernard]



1868

Irmã Charles Ramillon:

Eu estava presente, um dia, quando uma de nós lhe disse: 

“Você contou os segredos de Nossa Senhora à madre superiora?”. 

“Não.”

“Nem à mestra das noviças?” 

“Nem a ela.”

Então, acrescentei: “Mas, e se o Santo Padre perguntasse quais são esses segredos?”. 

Ela respondeu: “Eu pensaria no caso”.


Novembro

Conde Lafond:

Dom Chigi [núncio apostólico na França, ndr.] mandou chamar irmã Marie-Bernard [N.R.: nome de religião de Santa Bernadette] ao parlatório.

“Filhinha”, perguntou a ela, “você não teve medo quando viu Nossa Senhora?”.

“Oh, sim, monsenhor, muito; mas só da primeira vez; depois, era tão bonita!”.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Santa Bernadette no convívio do convento de Nevers (1866-1867)

Imagem de Santa Bernadette no convento de Nevers.
Imagem de Santa Bernadette no convento de Nevers.




Vejamos testemunhos das religiosas e de pessoas que encontraram Bernadete durante a sua permanência na casa-mãe da Congregação das Irmãs da Caridade de Nevers, de 1866 até sua morte, em 16 de abril de 1879.


1866

Julho

Irmã Emiliana Duboé:

Bernadete ficou sob meus cuidados desde sua chegada ao noviciado, para que se acostumasse. [...] O que lhe doía era não ver mais a gruta de Lourdes.

“Se você soubesse”, ela me disse, “o que eu vi de bonito ali”. Eu tinha a tentação de perguntar, mas ela me respondeu que não podia dizer nada, que a mestra das noviças a havia proibido.

Dizia-me: “Se você soubesse como Nossa Senhora é boa!”.

Um dia Bernadete me mostrou que eu fazia mal o sinal da cruz. Eu respondi a ela que certamente não o fazia tão bem quanto ela, que o aprendera de Nossa Senhora.

“É preciso ter atenção”, ela me disse, “pois fazer bem o sinal da cruz significa muito”.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Imaculada Conceição: em Lourdes Nossa Senhora nos pede amar esse privilégio divino exclusivo que A põe por cima de todos







Quanto mais nós admiramos uma pessoa, mais nós devemos amá-la.

E quanto mais nós a amamos, mais nós devemos ser propensos a admirar as qualidades que Ela tem.

Por causa disso, nos veneramos Nossa Senhora como Mãe ao mesmo tempo sumamente amável e sumamente admirável.

Nossa Senhora aparece fazendo-se admirar pelo título que Ela proclama.

Ela disse a Santa Bernadette Soubirous: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Quer dizer, uma criatura que está numa condição inteiramente superior a todas as outras. Porque concebida sem pecado original e gozando de uma predileção toda especial de Deus.

De outro lado, Ela pratica milagres dos mais estupendos, numa continuidade e numa importância sem igual história da igreja. E isto é porque Ela quer. Então Ela se apresenta muito à nossa admiração.

Mas, de outro lado, Ela se apresenta ao nosso amor pela sua caridade, pela sua bondade, pelo interesse na nossa salvação eterna, e pela felicidade dos homens na vida terrena.

Há aí, portanto, esses dois qualificativos que se unem. Aquilo que um falso espírito seudo-democrático e pagão gostaria de separar.

E o princípio de autoridade, na sua mais alta expressão.

Os privilégios d’Ela na sua mais alta categoria e realização não afastam do amor, mas pelo contrário convidam ao amor.

A devoção a Nossa Senhora de Lourdes nos comunica este amor à hierarquia sublime, à desigualdade harmônica.

Ela nos dá indiretamente uma lição de anti-igualitarismo.

Quer dizer, uma lição do oposto do mal que corre pelo mundo em forma de Revolução imoral que ataca a família e a sociedade.


(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 7/2/65, sem revisão do autor)


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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Lourdes: Nossa Senhora cura os corpos porque cura as almas

Lourdes: doentes indo e vindo da Gruta




Eu me lembro de uma cançãozinha religiosa, que se cantava no meu tempo, em que havia um resto de piedade, e que dizia:

“Salve, ó Mãe! Salve, ó Virgem Santíssima! Do universo portento e primor; mais esplêndida glória que a Tua, só tem Deus, do universo Senhor.”

É piedosa a canção e realmente a conclusão é esta: mais esplêndida glória que a Tua só tem Deus, do universo Senhor.

Quer dizer, Nossa Senhora está infinitamente abaixo de Deus. E tudo quanto está abaixo de Nossa Senhora está incomensuravelmente abaixo dEla. É o que a perenidade das curas de Lourdes nos diz.

Há uma certa religiosidade um pouco dada a graças materiais, a pedir favores materiais, etc., etc., que desdenha os favores espirituais e que se impressiona muito com as graças materiais de Lourdes.

Há quem não compreenda que os favores materiais que Deus dá são de fato favores. E favores que a gente deve pedir. Mas que só são verdadeiramente favores, na medida em que levam a nossa alma a desejar os favores espirituais, as graças para a alma. É por aí que verdadeiramente Deus atrai as almas para Ele, porque todos os favores tem este fim.

Doentes diante da Gruta
Não se pense que a cura de Lourdes é só porque Nossa Senhora tem pena do homem que é capenga, no sentido físico da palavra, e que Ela corrige o coxo.

Ela tem pena do coxo, é claro. Ela tem gosto em corrigir a capenguiçe do coxo, é claro.

Mas muito mais do que isto Ela quer fazer a ele um bem à sua alma. E serve-se de um milagre físico, para fazer bem à alma dele e dos outros que vêem isto.

E o bem que no caso está em vista é uma grande fé na verdade de que Ela é medianeira de todas as graças.

Eu digo isto porque nós tivemos, não me lembro bem se ontem ou anteontem, a cerimônia das velas de São Braz. Eu estava vendo aquele mundo de gente que vai lá para se proteger contra a dor de garganta.

É claro que Nossa Senhora ama, preza, de nos livrar de um mal da garganta, nos casos em que esse mal não nos conduza para a salvação. Porque às vezes uma dor da garganta, e coisas piores do que isto, às vezes muita doença faz muito bem para muita gente.

Acendendo velas para Nossa Senhora em Lourdes
Se não houvesse doença na terra, o inferno estaria muitíssimo mais cheio do que está. Não é muito não, é muitíssimo mais cheio do que está. Portanto, não é qualquer doença que Nossa Senhora cura.

Mas quando é o caso de curar, Ela cura com amor materno, gosta muito de curar.

Mas Ela cura para que? Para fazer sentir às pessoas a bondade dEla. E para lhes estimular o desejo de se curarem dos males, das doenças da alma, para adquirirem os bens da alma; é para isso que Ela faz.

E é assim que a coisa deve ser vista. Realmente para a cura do corpo, considerando também em si a cura do corpo, mas visando sobretudo a cura da alma.

Essas são as considerações que na novena de Nossa Senhora de Lourdes eu podia fazer.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 04 de fevereiro de 1965. Sem revisão do autor.)



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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O que falou Santa Bernadette depois das aparições?

Na época, as fotos obrigavam a ficar quieto durante minutos. Para o Pe. Bernadou ela não punha a mesma cara das aparições. “Mas agora ela não está!”, respondeu a Santa.
Na época, as fotos obrigavam a ficar quieto durante minutos.
Para o Pe. Bernadou ela não punha a cara das aparições.
“Mas agora ela não está!”, respondeu a Santa.



28 de agosto

Ao abade de Fonteneau:

“Eu não o obrigo a acreditar em mim, mas não posso deixar de responder dizendo o que vi e ouvi”.

“Quer dizer, Bernadete, que a Virgem Santa lhe prometeu o céu e, por isso, você não precisa mais cuidar de sua alma?”.

“Oh, padre, eu só irei para o céu se me comportar como se deve”.


17 de novembro

Na gruta, depois do interrogatório da comissão eclesiástica:

“Estou muito cansada!”.


1859

Maio

Marie de Cornuijer-Lucinière a interroga a respeito dos segredos:

“Você os contaria ao Papa?”.

“Ele não precisa saber deles”.


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O que dizia Santa Bernadette quando falava com as pessoas?

Composição artística das aparições
Composição artística das aparições



Santa Bernadete não deixou quase nada escrito.

Mas os arquivos do convento de Saint-Gildard, em Nevers, onde viveu como irmã com o nome religioso Marie-Bernard, conservam as atas do processo canônico e os testemunhos reunidos naquela ocasião.

Os testemunhos foram recolhidos entre as religiosas e todos os que tiveram contato com ela, sobretudo nos anos que passou no convento, entre 1866 e 1879.

São lembranças, pequenos casos, episódios, respostas que ficaram impressas na memória dos interlocutores.

Desse material heterogêneo, o convento de Saint-Gildard, graças ao trabalho de pesquisa do Pe. René Laurentin, extraiu o conteúdo para um pequeno livro, publicado na França em 1978 com o título Bernadette disait... [“Bernadete dizia...”]

Reproduzimos a seguir uma pequena antologia de passagens do livro, da qual emerge a personalidade de Bernadete e sua maneira simples e profunda de viver a fé cristã.

Reproduzimos os testemunhos na ordem cronológica, a mesma usada pelo livro, mencionando em alguns casos o contexto do episódio descrito, para facilitar sua compreensão.

Lourdes 1858


1858

Janeiro

Quando Bernadette era pastorinha em Bartrès.

“Diga a meus pais que aqui eu fico triste. Quero voltar a Lourdes, para ir à escola e me preparar para a primeira comunhão”.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Maior milagre de Lourdes: a aceitação do sofrimento





Em Lourdes se verifica que Nossa Senhora dá ao doente uma tal conformidade com a doença, que eu nunca ouvi contar o caso de uma pessoa que esteve em Lourdes e não sendo curada se revoltasse.

Pelo contrário, as pessoas voltam enormemente resignadas, voltam satisfeitas de terem ido fazer sua visita a Lourdes, e verem outras que foram curadas.

E até casos numerosos de pessoas que vêm de longe, vêm da Índia, vêm da América, vêm sei lá de onde para serem curadas.

E, elas vendo ao lado outras que têm mais necessidade de serem curadas, pedem a Nossa Senhora isto: que eu não seja curado contanto que esse seja curado, e aquele seja curado.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O verdadeiro feitio moral de Santa Bernadette

Santa Bernadette
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Sobre a vida Santa Bernadette Soubirous, Virgem, a quem Nossa Senhora apareceu, em Lourdes, o conceituado hagiógrafo Rorbacher diz o seguinte:

“Bernadette Soubirous era uma criança em tudo igual às outras. Nela só se destacavam a expressão do olhar de invulgar inocência”.

“Na primeira aparição, Bernadette só pode fazer o Sinal da Cruz depois que Nossa Senhora o fez. Mas segundo numerosas testemunhas, depois dessa visão, em toda a vida de Bernadette, seu Sinal da Cruz era inigualável e realmente inesquecível. Um sinal inimitável, pois a vidente o aprendera com a Santíssima Virgem.”

“Uma ocasião, no convento, insistiam com a Irmã Bernarda para que dissesse como era o vestido com o qual Nossa Senhora lhe aparecia. Uma das religiosas dizia que era desta fazenda, outra, daquela. Respondeu-lhe Bernadette:

“`Eu não disse que o vestido era disso ou daquilo. Era de um pano que nunca vi. Ademais, se querem saber tanta coisa, fazei Nossa Senhora voltar outra vez e vede bem'.

“Grande era sua humildade. Quando alguém a procurou certa vez para que dissesse algumas palavras de edificação às noviças, respondeu sorrindo: `Ai, nada sei. O que se pode arrancar de uma pedra, minha Irmã?'

“Perguntou-lhe sua superiora se não se sentia orgulhosa por ter sido escolhida por Maria para lhe ser a confidente.

“Respondeu: `Que idéia a senhora faz de mim? A Santíssima Virgem escolheu-me porque eu era a mais ignorante. Se Ela achasse uma outra mais ignorante do que eu, ter-lhe-ia escolhido certamente.'”

“Os contínuos sofrimentos e vômitos de sangue aniquilavam lentamente a vidente. Seu aspecto físico demonstrava esse aniquilamento e a santa, ao lado disso, buscava apagar-se no convento.

“Conseguiu-o de tal maneira que uma postulante, ao entrar para o convento, declarou que queria conhecer Bernadette, Justamente quando ela passava no momento, a mostraram dizendo: “Bernadette, é isto” (“Bernadette, c'est ça”).

Santa Bernadette, jovem camponesa de Lourdes
Santa Bernadette era uma camponesa de uma zona dos Pirineus meio espanholada e que constitui uma síntese entre a Espanha e a França. Ela tinha mais cara de francesa até do que de espanhola.

O rosto é ligeiramente dado para o quadrado, traços regulares e bem feitos, um olhar preto, grande, e com uma fixidez hispânica que o olhar francês não tem.

O olhar francês é muito rápido e passa de um lado para outro. Ela tem um olhar espanhol que crava as verrumas e que olha mesmo. Ela possuía um nariz espanhol, que é um traço de coerência de toda a fisionomia.

O feitio de espírito dela era taxativo. Era de dizer as coisas no duro. Era ela uma pessoa educada com muita simplicidade, tinha muita elevação de alma, mas o que ela pensava, ela dizia mesmo.

O todo dela era de um degagé completo: como quem no fundo não pretende ser nada. Ela era humilde diante de todo mundo, mas no serviço de Nossa Senhora. Por exemplo: ela ia para as aparições e podia se envaidecer, porque imagine uma multidão enorme ali reunida para vê-la falar com Nossa Senhora!

Quanto mais pequena é a cidade da gente, mais a gente dá importância a ela. É mais fácil um paulistano falar mal de São Paulo, do que um birigüense falar mal de Birigüi.

Então, compreende-se o que seria para Santa Bernadette, Lourdes inteira estar ali. Era uma coisa colossal.

Santa Bernadette, foto após as apariçõesMas, ela não se envaidecia, não dava importância nenhuma, continuava a ter toda a naturalidade diante de todo mundo. Chamada pela polícia para tratar das suas revelações, ela se portava em relação aos policiais com desassombro e naturalidade extraordinários.

Entretanto, em relação aos pais e às pessoas respeitáveis, como o vigário dela e sua superiora religiosa, era um modelo de respeito e obediência.

Aí está bem o espírito de verdadeira ultramontana, da verdadeira católica, da verdadeira santa, que não liga para as pompas deste mundo; que não dá importância a ser tida em grande ou pequena conta e que por causa disso calca tudo aos pés.

Porque se eu dou importância a que me aplaudam, acabo não tendo liberdade de me mover a não ser na medida em que aplaudirem. Eu danço conforme tocam.

Para eu ter sobranceria, é preciso não ligar ao mundo. Gostou? Gostou. Não gostou? Gostasse. Eu sou assim e faço assim porque cumpro meu dever, porque a Santa Igreja Católica manda. Você achou feio? Fique achando, porque a coisa é exatamente assim: essa era esta atitude de Santa Bernadette Soubirous.

Mas, diante das autoridades legítimas, o sumo de obediência e respeito, porque um há princípio sobrenatural em jogo. Para os fatores meramente humanos, zero. Para aquilo que tem uma raiz religiosa e que vem de Deus, todo o respeito devido.

Santa Bernadette, religiosa em NeversSanta Bernadette Soubirous converteu inúmeras pessoas durante as visões por causa do Sinal da Cruz. Ela tomou um amor ao sofrimento, um amor à cruz de Cristo, de onde algo da unção de Nossa Senhora passava por ela quando ela fazia o Sinal da Cruz.

A vida inteira foi para todos uma edificação ver como ela fazia o Sinal da Cruz, que tantas vezes a gente faz sem dar importância.

Quando começava a visão, ela se transfigurava. E ela, simples camponesa, tornava-se de uma majestade que impressionava todo mundo.

Uma senhora da sociedade que a viu durante a revelação, disse que nunca viu uma moça da aristocracia que tivesse o porte e a figura de Santa Bernadette durante as revelações. Porque ela estava tratando com a Rainha do Céu e da Terra algo de régio esta Rainha comunicava a alma dela um estado de virtude.

Muita gente vendo isto percebia que Nossa Senhora estava falando com ela. Não porque visse Nossa Senhora, mas porque via nela um espelho de Nossa Senhora. E ela era uma espécie de Speculum Mariae, na ocasião das revelações.

As virtudes de Nossa Senhora se comunicam aos seus devotos, e os seus devotos inalam aquilo que está em Nossa Senhora. Há uma comunicação de Nossa Senhora a seus devotos que é admirável.

Santa Bernadette, religiosa
Santa Bernadette tinha uma nota de comicidade e de polemismo que às vezes chegava até o pontiagudo e que indica o temperamento borbulhante dela. Por exemplo seu dito: “Se quiserem saber tanto sobre Nossa Senhora, tratem de ver que Ela apareça”. Ela tinha muitos ditos engraçados assim. A superiora dela várias vezes burilou, poliu e no fim ela deixou.

Nossa Senhora escolheu-a porque era ela a mais ignorante de Lourdes. Ela era uma boa menina, mas não era uma santa antes das revelações. Nossa Senhora a escolheu, porque um dos argumentos extraordinários para confirmar as revelações era a ignorância dela.

Santa Bernadette era muito baixinha, viva, mas passava facilmente desapercebida.

A Santa Bernadette Nossa Senhora revelou um segredo e sobre este segredo ela nunca disse nada. Então, três grandes aparições mariais, as três com segredos: Nossa Senhora da Salette: segredo; Nossa Senhora de Lourdes: segredo; e Nossa Senhora de Fátima: segredo.

Peçamos a Santa Bernadette que nos obtenha uma grande devoção a Nossa Senhora; que faça com que cada vez mais se dê essa comunicação das virtudes de Nossa Senhora para nós.

Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência de 15/4/1966, sem revisão do autor.


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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Lourdes, a cura e a confiança

Piscina de Lourdes
Piscina de Lourdes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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Todos ouviram falar de Lourdes, na França, o santuário famoso onde se curam doentes.

Descem trens inteiros com doentes.

Vêm famílias, amigos juntos e carregam os doentes até a gruta.

Chegam ao Bureau de exame médico, fazem exame para ver se estão doentes mesmo.

Alguns são doentes imaginários e outros são doentes mesmo.

Mas todos eles podem tomar o banho na água da Gruta que Nossa Senhora pediu.

Vamos dizer que, em cada dez mil que tomam banho naquela água, um se cura.

Que certeza tem a pessoa que é ela que vai se curar?

Provável não é, porque uma porção não se cura.

Piscinas de Lourdes, setor feminino
Piscinas de Lourdes, setor feminino
Depois há o seguinte: às vezes, na hora de entrar na água, a pessoa que entra recebe um chamado interior:

“Meu filho, você seria curado agora. Quer continuar doente, para que a cura seja dada a outro, a quem Eu quero curar?”

É muito bonito, mas o indivíduo não foi a Lourdes para que outro fosse curado.

Ele foi à Lourdes para curar a si próprio. Se a graça pede, ele concorda, e é outro que é curado, que ele não sabe quem é.

Piscinas de Lourdes, setor masculino
Piscinas de Lourdes, setor masculino
É uma coisa linda. Que certeza a pessoa tem, depois que desceu do trem e está na gruta, perto da água, que na hora de imergir a graça não vai pedir: “Desista da tua cura”?

Para se ter certeza de que vai ser o curado, é preciso ter um movimento interior da graça – a graça confiança é isso.

Caso contrário, não tem razão.

Acreditar como? De onde vem essa certeza? Vem do mundo da lua? Não pode ser.

A Igreja é sede de sabedoria, não pode pedir às pessoas um ato de convicção numa coisa que não tem razão para estar convicto.

Uma das piscinas de Lourdes
Uma das piscinas de Lourdes
Mas vem uma moção da graça que diz interiormente: “Meu filho é você!”

E a gente acredita nesse movimento da graça. E porque a gente aceita esse movimento, a gente crê. Essa é a confiança.

Se a pessoa duvidar, aquela promessa interior não se realiza.

Mas, se não duvidar, merece a realização da promessa interior.


A gruta de Lourdes




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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Santa Bernadete fugia dos que queriam vê-la

Capela do convento. Aqui pode se ver o corpo de Santa Bernadete.
Capela do convento de Nevers onde pode se venera o corpo de Santa Bernadette.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No hospital de Lourdes como pupila e mais tarde no convento de Saint-Gildard em Nevers, como religiosa, Santa Bernadete trabalhou na enfermaria.

O trabalho lhe aprazia, pois atendia a seu profundo desejo de se consagrar aos mais pobres e desvalidos.

Tanto no hospital de Lourdes quanto no convento de Nevers a Santa não pôde evitar inteiramente as visitas mais categorizadas que queriam conhecê-la.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O socorro de Nossa Senhora está vindo.
Nós estamos prontos para recebê-lo?

Procissão das velas em Lourdes
Procissão das velas em Lourdes



Nossa Senhora há de nos socorrer. A expressão em parte é verdadeira, e em parte é falsa. Pois na realidade Ela já começou a nos socorrer.

A definição dos dogmas da Imaculada Conceição e da infalibilidade papal, a renovação da piedade eucarística, tiveram seu prosseguimento nos fastos mariais dos pontificados subsequentes a São Pio X.

Nossa Senhora apareceu em Fátima sob Bento XV. Precisamente no dia em que Pio XII era sagrado Bispo, 13 de maio de 1917, deu-se a primeira aparição. Sob Pio XI, a mensagem de Fátima se foi espraiando suave e seguramente por toda a terra.

Nessa mesma ocasião, o 75º aniversário das aparições de Lourdes foi festejado pelo Sumo Pontífice com invulgar júbilo, tendo ele delegado o então Cardeal Pacelli para o representar nas festividades.

O pontificado de Pio XII se imortalizou pela definição do dogma da Assunção e pela Coroação de Nossa Senhora como Rainha do Mundo.

Nesse pontificado, o Emmo. Cardeal Masella, tão caro aos brasileiros, coroou em nome do Papa Pio XII a Imagem da Santíssima Virgem em Fátima.

São outras tantas luzes que, da gruta de Massabielle à Cova da Iria, constituem um fio brilhante.

E este artigo se detém em Fátima. Nossa Senhora delineou perfeitamente, em suas aparições, a alternativa. Ou nos convertemos, ou um tremendo castigo virá.

Veio a conversão? É só olhar em volta...

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O grande momento histórico de Lourdes

O retorno do filho pródigo. Rembrandt Harmensz van Rijn (1606 – 1669). Museu do Ermitage, São Petersburgo.
O retorno do filho pródigo.
Rembrandt Harmensz van Rijn (1606 – 1669).
Museu do Ermitage, São Petersburgo.




Foi por certo um grande momento aquele em que o espírito embotado pelo vício do filho pródigo adquiriu nova lucidez, e sua vontade novo vigor, na meditação da situação miserável em que caíra, e da torpeza de todos os erros que o haviam conduzido para fora da casa paterna.

Tocado pela graça, encontrou-se, com mais clareza do que nunca, diante da grande alternativa. Ou arrepender-se e voltar, ou perseverar no erro e aceitar até o mais trágico final as suas consequências.

Tudo quanto uma educação reta nele implantara de bom, como que renasceu maravilhosamente nesse instante providencial.

Enquanto, de outro lado, a tirania dos maus hábitos nele se afirmava quiçá mais terrível do que nunca.

Deu-se o embate interno. Ele escolheu o bem. E o resto da história, pelo Evangelho o conhecemos.

Olhando para Nossa Senhora de Lourdes e considerando o estado deplorável da humanidade, uma pergunta assalta nosso espírito: o mundo não estará se aproximando de um momento semelhante?

De um lado há o torrente de pecado. Dispensa comentário.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Enquanto os homens naufragam na confusão,
Nossa Senhora prepara seu grande triunfo




Em Lourdes, Nossa Senhora não cessa de fazer milagres, sobre tudo nunca interrompe o manancial de graças que toca as almas e por vezes podem ser mais consoladoras que o próprio milagre clinicamente constatável.

Porém, poder-se-ia perguntar, o que resulta daí?

O mundo está cada vez pior, as famílias ameaçadas se desagregam, governos populistas se assanham contra seus países, agendas inimagináveis promovem extravagâncias perversas como a “ideologia de gênero”, o crime está na esquina, a droga na escola e a confusão na igreja.

Então, do que adianta Nossa Senhora agir com tanta largueza se o mundo em geral – não cada um de seus devotos, mas sim as sociedades e os governos em geral – se afastam cada vez mais dEla e se acumpliciam com seus adversários externos?

O inimigo do catolicismo está mais forte do que nunca. Há séculos filósofos iluministas sonharam um domínio invasor do naturalismo científico cru e integral, inspirado só pela técnica materialista.

Há cem anos tentam implantar um socialismo e um comunismo que já matou com crimes e fome mais de cem milhões de pessoas. E não param.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Lourdes e o dogma da Imaculada Conceição

Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição. Franceso Podesti (1800–1895), Sala dell'Immacolata, Museos Vaticanos.
Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição.
Franceso Podesti (1800–1895), Sala dell'Immacolata, Museos Vaticanos.



Em 1854, pela Bula “Ineffabilis”, o grande Papa Pio IX definia como dogma a Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

Ninguém sabia, mas esse solene acontecimento ia ficar indissoluvelmente ligado à aparição de Nossa Senhora em Lourdes.

Com efeito, em 1858, de 11 de fevereiro a 16 de julho, Nossa Senhora apareceu dezoito vezes, em Lourdes, a uma filha do povo, Bernadette Soubirous, declarando ser a Imaculada Conceição.

A partir dessa ocasião, tiveram início os milagres. E a grande maravilha de Lourdes começou a brilhar aos olhos de todo o mundo, até nossos dias.

O milagre confirmando o dogma: eis em resumo a relação entre o acontecimento de 1854 e o de 1858.

Ao definir o dogma da Imaculada Conceição, o Papa Pio IX despertou em todo o orbe civilizado repercussões ao mesmo tempo díspares e profundas.

De um lado, em grande parte dos fiéis, a definição do dogma suscitou um entusiasmo imenso.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Imagem de Nossa Senhora de Lourdes
intocada por incêndio numa base militar

Imagem de Nossa Senhora de Lourdes, inexplicavelmente intacta após incêndio na base militar de El Goloso, Madri.
Imagem de Nossa Senhora de Lourdes,
inexplicavelmente intacta após incêndio
na base militar de El Goloso, Madri.



Na base militar de El Goloso nas proximidades da capital espanhola, Madri, sede da brigada de Infantaria Blindada “Guadarrama”, se desatou um incêndio incontrolável que consumiu importante área verde, noticiaram diversos sites espanhóis como Infovaticana e Religión en Libertad

A vegetação ficou calcinada. Mas, para surpresa dos militares na superfície carbonizada se encontrou intacta uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes.

A surpresa foi tanto maior quando os fardados descobriram que o gramado perto da imagem não foi atingido pelo fogo e que em volta da imagem havia uns vasos com flores, também incólumes, que ninguém sabia quem tinha posto.

O fato aconteceu no dia 30 de julho, em plena onda de calor que afligia Espanha.

Os militares não conseguiam explicar como foi possível que a imagem e as flores nada sofressem, nem mesmo um natural escurecimento e murchamento pelo calor.

O caso se espalhou pelas redes sociais e não faltou quem supusesse uma montagem. Porem, a investigação visando o esclarecimento revelou a improcedência da suspeita.

Nas fotos pode se apreciar que toda a terra está queimada com exceção das proximidades da imagem.

A bem dizer, a maioria dos soldados sequer sabia que havia uma estatueta da Virgem de Lourdes no jardim, malgrado eles fizessem rotineiras giros de vigilância.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Triunfo de Nossa Senhora em Lourdes




Para a Igreja há três condições de florescimento tão essenciais, que se avantajam sobre todas as outras. Nunca será suficiente insistir sobre elas.

Antes de tudo, está a piedade eucarística. Nosso Senhor presente no Santíssimo Sacramento é o sol da Igreja. D’Ele nos vêm todas as graças. Mas estas graças têm que passar por Maria.

Pois é Ela a Medianeira universal, por cujo intermédio vamos a Jesus e Jesus vem a nós. A devoção mariana intensa, esclarecida, filial, é, portanto, a segunda condição para o florescimento da virtude.

Se Nosso Senhor está presente no Santíssimo Sacramento, mas não nos fala, sua voz se faz ouvir para nós através do Sumo Pontífice.

De onde a docilidade ao Sucessor de São Pedro ser o fruto próprio e lógico da devoção à Sagrada Eucaristia e a Nossa Senhora.

Quando, pois, florescem essas três devoções, cedo ou tarde a Igreja triunfa. E, a contrario sensu, quando elas estão em declínio, cedo ou tarde a civilização cristã decai.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Lourdes: como saber se uma cura é inexplicável?




Os critérios que orientam o Bureau Médico de Lourdes e o Comitê Internacional refletem em termos especializados os princípios estabelecidos pelo Cardeal Prospero Lambertini — posteriormente eleito Papa Bento XIV — num célebre tratado que regula até hoje os processos de beatificação e canonização:

1. que a doença seja grave, e impossível ou difícil de curar;

2. que a doença não esteja numa fase em que logo começa a declinar;

3. que não tenham sido tomados medicamentos, ou que estes não tenham causado efeito;