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sábado, 15 de agosto de 2026

Assunção de Nossa Senhora: uma piedosa reconstituição

Assunção de Nossa Senhora, Beato Angelico (1395 – 1455), Google Cultural Institute
Assunção de Nossa Senhora.
Beato Angelico (1395 – 1455), Google Cultural Institute
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A festa da Assunção de Nossa Senhora foi constituída em dogma pelo papa Pio XII em 1 de novembro de 1950. A festa é comemorada no dia 15 de agosto também sob os títulos de Nossa Senhora da Glória ou de Nossa Senhora da Guia.

Esse dogma era ardentemente desejado pelas almas católicas do mundo inteiro, porque coloca Nossa Senhora completamente fora de paralelo com qualquer outra mera criatura.

Justifica-se assim o culto de hiperdulia que a Igreja lhe tributa. [“hiperdulia”: culto especial reservado à Virgem Maria, superior à “dulia”que se dedica aos santos e aos anjos].

Nossa Senhora passou por uma morte suavíssima que é qualificada com uma propriedade de linguagem muito bonita, como a “dormição de Nossa Senhora”.

“Dormição” indica que Ela teve uma morte tão suave, tão próxima da ressurreição que, apesar de ser uma verdadeira morte, entretanto mais parecia a um simples sono.

Nossa Senhora depois foi chamada à vida por Deus, ressuscitou como Nosso Senhor Jesus Cristo.

Subiu depois aos céus, na presença de todos os apóstolos ali reunidos, e de uma quantidade muito grande de fiéis.

Essa Assunção representa uma verdadeira glorificação aos olhos de toda a humanidade até o fim do mundo. É o proêmio da glorificação que Ela deveria receber no Céu.

É interessante fazermos uma recomposição de lugar para imaginarmos como a Assunção se passou. A respeito do fato não existem descrições e podemos imaginá-lo como nossa piedade gostaria.

Em baixo, os Apóstolos todos ajoelhados, rezando num ambiente com algo de inefavelmente nobre, sublime, recolhido, interior.

Podemos imaginar todos os Apóstolos com expressões de personagens de Fra Angélico.

Dormição de Nossa Senhora, Fra Angélico (1395 – 1455)
Dormição de Nossa Senhora, Fra Angélico (1395 – 1455)
O céu enchendo-se gradualmente de anjos, à imagem dos anjos de Fra Angélico também, tomando os coloridos os mais diversos, com matizações e irradiações magnificas, um espetáculo absolutamente incomparável.

Se Nossa Senhora pôde dar ao céu um colorido tão diverso e produzir fenômenos tão excepcionais em Fátima, por que o mesmo não se teria dado por ocasião de Sua Assunção ao Céu?

Ela se coloca em pé enquanto o respeito e recolhimento de todos aqueles que estão lá vão crescendo.

A semelhança física dEla com Nosso Senhor Jesus Cristo, seu Filho, vai se acentuando cada vez mais.

A glória de Nosso Senhor transfigurado se vai comunicando a Ela.

Ela cada vez mais rainha, cada vez mais majestosa, cada vez mais mãe.

Todo seu íntimo se manifestando de modo supremo nessa hora de despedida.

Alguns anjos, talvez, os mais esplêndidos do Céu, se aproximam e fazem Nossa Senhora subir.

Com o auxílio deles, Ela vai subindo e, aos poucos, o céu vai se transformando.

Assunção de Nossa Senhora, Johannes, Wielki, Master of the Olkusz Poliptych, 1466-1497
Assunção de Nossa Senhora.
Johannes, Wielki, Master of the Olkusz Poliptych, (1466-1497)

Na terra, aquela maravilha vai mudando, e volta ao aspecto primitivo.

Os homens voltam para casa com a sensação que tiveram na Ascensão de Nosso Senhor.

Ao mesmo tempo estão maravilhados, com uma saudade sem nome, desolados por algum lado, mas levando na retina algo que nunca tinham visto, nem podiam ter imaginado a respeito de Nossa Senhora.

Imediatamente, o triunfo de Nossa Senhora começa no Céu.

A Igreja gloriosa inteira vai recebê-La. Nosso Senhor Jesus Cristo A acolhe, todos os coros de anjos estão ai, São José está perto. Depois é coroada pela Santíssima Trindade.

É impossível pensar nesse triunfo terreno, sem pensar no triunfo celeste que veio logo depois.

É a glorificação de Nossa Senhora aos olhos de toda a Igreja triunfante e aos olhos de toda a Igreja militante.

Com certeza, nesse dia também a Igreja padecente no Purgatório recebeu uma efusão de graças extraordinárias.

Não é temerário pensar que quase todas as almas que estavam purgando suas penas foram libertadas por Nossa Senhora nesse dia. De maneira que também ali houve uma alegria enorme.

Assim é que podemos imaginar como foi a gloriosa Assunção de nossa Rainha.

Algo disso se repetirá quando vier o Reino de Maria prometido em Fátima, quando virmos o mundo todo transformado e a glória de Nossa Senhora brilhar sobre a terra, porque Seu reinado começou de modo efetivo, e dias maravilhosos de graças, como nunca houve antes, começam a se anunciar também.

Antes de contemplarmos a glória de Nossa Senhora no Céu, nós havemos de contempla-la na terra certamente, com algo que poderá nos dar alguma semelhança desse triunfo sem nome que deve ter sido a Assunção de Maria.

Pensemos nos triunfos que os homens preparam para seus grandes batalhadores, por exemplo, as tropas francesas desfilando sob o Arco do Triunfo, depois da Guerra de 14-18, ou mais poucamente nos triunfos que os romanos preparavam para seus generais vencedores,

Compreenderemos que Nosso Senhor Jesus Cristo que é infinitamente mais generoso, deve ter premiado Nossa Senhora, no triunfo dEla aos olhos dos homens de um modo também incomensuravelmente maior.

Coroação de Nossa Senhora no Céu. Fra Angelico (1395 – 1455). Galeria degli Uffizi, Florença.
Coroação de Nossa Senhora no Céu.
Fra Angelico (1395 – 1455). Galeria degli Uffizi, Florença.
Portanto, tudo quanto existe de mais glorioso e triunfal na Criação, terá certamente brilhado na hora da Assunção de Nossa Senhora.

Meditando nisso, aproximamo-nos nessa festa pensando na virtude que devemos pedir a Nossa Senhora.

Cada um deve pedir a virtude que mais carece.

Mas, não haveria demasia em pedirmos a Ela uma virtude: que é o senso da glória dEla. Quer dizer, compreender bem tudo quanto representa Sua gloria na ordem da Criação.

Como essa glória é a mais alta expressão criada da glória de Deus.

Nós devemos ser sedentos de defender pela virtude de combatividade levada ao seu último extremo a glória de Nossa Senhora na terra.

Fazer de nós verdadeiros cavaleiros cruzados de Nossa Senhora, lutando por Sua glória na terra.

Essa me parece a virtude mais adequada nessa festa de glória, que é a Assunção de Nossa Senhora.


(Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra pronunciada em 14.8.65, sem revisão do autor).



Vídeo: São João del Rei: solenidades da Dormição e Assunção de Nossa Senhora 2016




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quarta-feira, 28 de maio de 2025

Maria Auxiliadora: chefe de guerra nas batalhas pela Cristandade

Imagem de Maria Auxiliadora mandada pintar por Don Bosco em Turim
Imagem de Maria Auxiliadora
mandada pintar por Don Bosco em Turim
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Histórico da devoção




O ensino de Doutores e Padres da Igreja


Numerosas inscrições cristãs dos primeiros séculos do Novo Testamento em territórios gregos contêm dois títulos da Virgem Maria: um é Teotokos (Mãe de Deus) e o outro é Boeteia (Ajuda dos cristãos).

O primeiro a chamar a Virgem de Maria Auxiliadora foi São João Crisóstomo (347-407), arcebispo e Patriarca de Constantinopla, Doutor e Padre da Igreja, proclamando: “Tu, Maria, és a ajuda mais poderosa de Deus”.

A partir do ano 398, ele a chamou de “Ajuda mais poderosa, forte e eficaz daqueles que seguem a Cristo”.

Outros Padres da Igreja que lhe reconheceram o título de “Auxiliadora” são Proclo (412 - 485) em 476 e São Sabas de Cesareia (439-532) em 532.

Também o poeta grego romano Melone em 518, São Sofrônio (560-638), arcebispo de Jerusalém, São João Damasceno (675 - 749) e São Germano de Constantinopla, Patriarca de Constantinopla (635 - 732) em 733.

São João Damasceno no ano 749 foi o primeiro a difundir a exclamação: “Maria Auxiliadora, rogai por nós”.

Em 532 São Sabas narrou que no Oriente havia uma imagem da Virgem chamada “Auxiliadora dos doentes”, por causa das muitas curas que fazia.

Nas guerras contra os pagãos


No início do século VII, quando Heráclio era imperador de Bizâncio, todo o Império Bizantino viu a fé cristã em perigo devido aos ataques dos ávaros, búlgaros e persas.

Edessa já havia caído em 609, Damasco em 613 e depois Jerusalém. O imperador propõe a paz ao persa rei Cosroes II. Esse já tinha raptado Cruz de Cristo e respondeu: “Isto vai ser discutido depois de os romanos terem abandonado a religião de Cristo pelo culto do Fogo”.

Panagia, igreja da Natividade em Belém
Panagia, igreja da Natividade em Belém
Em 4 de agosto de 626, os invasores tentaram atacar Constantinopla por mar e por terra, mas depois de três dias começaram a se retirar.

Os habitantes da cidade atribuíram o triunfo à “Panagia”, quer dizer o “Toda Santa”, e a festa da libertação foi marcada no dia 8 de agosto.


No livro litúrgico oriental “Sinaxario de Patmos”, do século VIII, lê-se:

“A liturgia é celebrada na Bacherne (bairro de Constantinopla) em comemoração à libertação dos bárbaros, quando rezavam à Santa Mãe de Deus, e foram lançados nas águas”.

Em 628, o imperador Heráclio reconquistou a Terra Santa e recuperou a Santa Cruz.

E ao anunciar a seu povo em uma mensagem jubilosa lida do ambão da igreja de Santa Sofia, afirma: “Reconhecemos como Deus e Nossa Senhora a Virgem Mãe vieram em socorro das tropas...”

Ucrânia: primeiro país a tê-la por patrona


Outro fato histórico: no Oriente, no século XI. Em 1030, em Kiev. os irmãos príncipes Metislao e Yaroslao reconhecem Maria como Auxiliadora de seu povo contra os inimigos.

Yaroslao atribui apenas a ajuda de Maria a salvação do povo da Ucrânia e sua cidade de Kiev, especialmente contra os Pecheneks.

E construiu a Igreja da Anunciação perto do Portão Dourado de Kiev, para que a Virgem defendesse aquele portão que levava à Ásia Oriental pagã, um perigo constante.

E na consagração do templo, em 1073, entregou a cidade santa ao socorro da Mãe de Deus, proclamando-A “Rainha e Auxiliadora do povo ucraniano”.

O Metropolita Hilarion celebra em suas crônicas a grandeza de Yaroslau, “porque você consagrou seu povo e a cidade santa à Santíssima Virgem Mãe de Deus, gloriosa e pede ajuda aos cristãos.

Assim a Ucrânia obtém a primazia, entre todos os povos, de reconhecer publicamente o patrocínio social da mãe de Deus”.

Mãe de Deus (Pokrow) Museu Malopolska, Polônia
Mãe de Deus (Pokrow) Museu Malopolska, Polônia
Desde então, a festa de Maria Auxiliadora é celebrada no dia 1º de outubro com a grande liturgia “Pokrow”, isto é, “Ajuda dos cristãos”.

Em seguida, Maria é cantada como “ajudante dos cristãos, intercessora e poderosa patrona do povo cristão, porque Cristo a deu ao seu povo como Auxiliadora dos cristãos para fortalecer e proteger seus servos de toda aflição”.

O famoso hino “Akathistos” que é cantado nas mais expressivas manifestações bizantinas do culto mariano, expressa as vitórias de Maria contra todos os inimigos da Igreja e do povo cristão.

As grandes vitórias no Ocidente


O registro mais antigo está em uma edição das ladainhas em honra da Virgem encontrada em Dilligen, do ano de 1558, onde se encontra a invocação de Maria Auxiliadora.

É do tempo de São Pedro Canísio SJ.

No ocidente cristão, no início do século XVI, no sul da Alemanha, a Auxiliadora era chamada de “Padroeira da Baviera”, como se pode ler na estátua de Maria Auxiliadora, do escultor J. Krumper, em um castelo em Munique.

As causas deste grande desenvolvimento foram, sem dúvida, os dois grandes perigos para o povo, para a Igreja Católica: os reformadores protestantes e os muçulmanos.

Nossa Senhora Auxiliadora põe em fuga os mouros em Lepanto
Nossa Senhora Auxiliadora põe em fuga os mouros em Lepanto

Em 1571, diante do perigo de a Europa cair sob o domínio muçulmano, o Papa São Pio V invocou Maria Auxiliadora e obteve o triunfo naval de Lepanto.

Após a vitória de Lepanto, São Pio V enviou uma imagem de Maria Auxiliadora ao rei da Espanha, Filipe II, que venerou com grande devoção e piedade no mosteiro-palácio do Escorial.

E alguns anos depois, a rainha Elizabeth II a coroou.

Em agradecimento pela vitória, o Papa Pio V instituiu a Festa de Nossa Senhora das Vitórias, mais tarde conhecida como Festa do Rosário, a ser celebrada no primeiro domingo de outubro, e acrescentou o título “Ajuda dos Cristãos” às ladainhas lauretanas.

O título de Maria como “Ajuda dos cristãos” ainda hoje faz parte das ladainhas Lauretanas.

A cidade de Passau, na Baviera, ficou famosa pela veneração de uma imagem da Virgem com o Menino, cópia de uma pintura do mestre Lucas Cranach.

E já em 1624 por causa das multidões que foram venerar esta imagem, uma igreja começou a ser construída.

“Em meio aos graves e contínuos perigos da guerra que invadiu toda a Alemanha, o povo foi em peregrinação ao santuário, não só das aldeias vizinhas, mas de toda a Baviera, Áustria, Boêmia; e ela entrou no santuário exclamando: 'Maria Hilf', 'Maria Auxiliadora'... Assim a Alemanha teve o primeiro santuário, no Ocidente, em honra de Maria Auxiliadora.”

Maria Auxiliadora. Lucas Cranach
Maria Auxiliadora. Lucas Cranach
As graças obtidas ali foram publicadas em cinco volumes. Os devotos de Maria Auxiliadora em Passau foram vinculados ao santuário em uma “Irmandade de Maria Auxiliadora” aprovada em 1627 pelo Papa Urbano VIII.

O imperador Fernando II se inscreveu nele pessoalmente, em 1630. E assim fizeram muitos outros homens ilustres da casa imperial. Cardeais, bispos; e conventos inteiros lhe prestaram fidelidade.

Também em Innsbruck, onde se conservava a autêntica imagem de Cranach, foi construída uma igreja a Maria Auxiliadora, no ano de 1657, por voto feito no final da “Guerra dos Trinta Anos” contra os protestantes.

E essa devoção se espalhou tanto que só na diocese de Innsbruck havia setenta locais de culto à Auxiliadora.

E cópias das imagens de Passau e Innsbruck se espalharam por todas as cidades do sul da Alemanha e da Áustria.

Em 1683, mais uma vez os cristãos triunfaram sobre os otomanos que cercavam Viena, e o imperador Leopoldo ordenou que os troféus confiscados dos turcos fossem enviados ao santuário de Maria Auxiliadora em Passau.

Contra a Revolução gnóstica e igualitária


Até o século XIX, a invocação de Maria Auxiliadora esteve fortemente associada à defesa militar de todas as fortalezas católicas e ortodoxas da Europa, Norte da África e Oriente Médio contra os povos não cristãos, especialmente os muçulmanos.

Em 1806, as ambições de Napoleão constrangeram o Papa Pio VII ao exílio.

Em seu cativeiro, que durou 5 anos, o pontífice prometeu à Virgem que, se recuperasse a liberdade e voltasse a Roma, declararia aquele dia como solene em homenagem a Maria Auxiliadora.

Quando o imperador francês foi derrotado e Pio VII pôde ir para a cidade de Roma, onde entrou na cidade em meio a alegria geral em 24 de maio de 1814.

Deste evento vem a tradição da Solenidade de Maria Auxiliadora todo dia 24 de maio.

Em 16 de agosto do ano seguinte de 1815, ele nasceu no norte da Itália, no Piemonte, que se tornaria o apóstolo de Maria Auxiliadora.

Nossa Senhora Auxiliadora, Buenos Aires
Nossa Senhora Auxiliadora, Buenos Aires
São João Bosco herói da devoção a Maria Auxiliadora


Por meio de sua mãe, a Beata Margarida, São João Bosco conheceu a Virgem Maria:

“Meu querido João... quando você veio ao mundo, eu o consagrei à Santíssima Virgem”, disse-lhe. Ainda criança, Margarita o ensinou a saudar a Virgem três vezes ao dia com o Angelus.

Além disso, a própria Maria se lhe tornou presente em famosos sonhos. E Maria foi sua mestra, conforme a promessa recebida de Jesus “Eu te darei a mestra”.

As preferências do jovem padre João Bosco se inclinaram pela Imaculada.

Mais tarde diria ao seu vigário São Miguel Rua: “Todas as nossas obras começaram no dia da Imaculada Conceição”.

Quando tinha perto de 50 anos sem deixar o título de Imaculada, descobriu outra invocação que encheria seu coração: “Auxílio dos cristãos”.

Por volta do ano de 1848, ele colocou cinco gravuras da Virgem em um almanaque em seu quarto; uma delas com estas palavras:

“Ó Virgem Imaculada, Vós que vencestes todas as heresias, vinde agora em nosso socorro, nós vos recordamos de coração: Auxilium Christianorum, ora pro nobis”.


De 1848 a 1870 ocorreram muitos eventos que perturbaram a Igreja. Nas guerras e revoluções que tomaram corpo, Don Bosco volta-se gradual e decididamente para Maria como Imaculada Auxiliadora dos cristãos, pessoalmente e de todos os cristãos.

Já no almanaque que edita, pela primeira vez no ano 1860 se lê em 24 de maio: “Festa de Maria Auxiliadora, Auxilium Christianorum”.

Em 1862, Dom Bosco decidiu definitivamente homenagear Maria com o título de Auxiliadora.

Ele tem um sonho com as duas colunas que surgem no mar agitado para proteger a nave da Igreja. Um delas coroada com o símbolo da Eucaristia e a outra com uma imagem de Maria Imaculada, com a inscrição: “Auxilium Christianorum”.

E decide construir uma igreja “digna e grande” em homenagem a Maria Auxiliadora no bairro de Valdocco, em Turim. Ele confiou a ideia ao clérigo Pablo Albera e ao padre Juan Cagliero e a todo o Oratório.

O padre Juan Cagliero testemunha que Dom Bosco lhe disse em 1862:

“Ele quer que veneremos a Virgem com o título de Maria Auxiliadora: os tempos são tão tristes que precisamos da Santíssima Virgem para nos ajudar a preservar e defender a fé cristã”.

Na Auxiliadora, Don Bosco reconhece o rosto da Senhora que iniciou sua vocação e que foi e sempre será a Inspiradora e Mestra.

Os últimos 25 anos de sua vida são marcados pela presença viva de Maria Imaculada Auxiliadora sobre cada pessoa e sobre toda a comunidade dos cristãos.

A rainha na luta entre o bem e o mal


A Virgem do Apocalipse, Miguel Cabrera (1760)
A Virgem do Apocalipse, Miguel Cabrera (1760)
A invocação de Maria Auxilio dos Cristãos teve sempre um caráter militar da Virgem Maria nas lutas pela defesa da fé católica.

O primeiro texto que representa a mulher bíblica como personagem combatendo as forças do mal é o de Eva no Gênesis. Na condenação divina após o pecado, Deus se dirige à serpente com estas palavras:

Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a descendência dela; ela vai pisar em sua cabeça enquanto você espera pelo calcanhar dela.

O texto revela uma cosmogonia evidente que confronta duas forças em permanente oposição, o bem e o mal, no cenário da Criação.

Segundo a Mariologia, neste texto está representada a Virgem Maria, que, sendo a mãe do Messias, é aquela que carrega a linhagem da salvação.

Da mesma forma, outras mulheres teriam um papel fundamental na percepção dessa luta existencial entre as duas forças opostas: a profetisa Débora, Judite, a viúva que sai em defesa do cerco de Betulia e derrota Holofernes, e muitas outras.

Por fim, a personagem feminina que desempenha um papel decisivo nessa luta é representada no livro do Apocalipse no seguinte texto:

Um grande sinal apareceu no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça; ela está grávida, e grita com dores de parto e com o tormento de dar à luz (...)


Esse personagem feminino, foi relacionado pelas primeiras comunidades cristãs à Igreja perseguida.

E depois a Maria na história da salvação confrontada pelo dragão, que representa o mal.

Ela desencadeia uma batalha liderada pelo arcanjo Miguel, outro personagem guerreiro.

Ao final do texto, a mulher e seu filho se encaram diretamente, conforme o texto:

Então o Dragão cuspiu de suas mandíbulas como um rio de água atrás da Mulher, para varrê-la com sua correnteza. Mas a terra veio em socorro da Mulher (...)


O Apocalipse estabelece uma relação entre figuras femininas de caráter militar ou guerreiro em prol do bem, na história da salvação, que gera o título Maria Auxiliadora.

Imagem de Maria Auxiliadora mandada pintar por Don Bosco em Turim
Imagem de Maria Auxiliadora
mandada pintar por Don Bosco em Turim
Significados da imagem de Maria Auxiliadora que Don Bosco mandou pintar


Don Bosco instruiu o artista com estas ideias:

No alto Maria Santíssima entre os coros dos anjos, depois o coro dos profetas, das virgens, dos confessores.

No chão, os emblemas das grandes vitórias de Maria, e os povos do mundo no ato de levantar as mãos para ela pedindo sua ajuda.

A Virgem como Rainha leva na mão esquerda o Menino Jesus, perante o qual todas as criaturas (os Apóstolos e outros santos representam a Igreja e os anjos representam o Céu) prestam homenagem.

Maria e o Menino Jesus usam trajes inspirados nas monarquias europeias, especialmente as germânicas, vigentes na Idade Média.

As coroas de ouro obedecem ao texto apocalíptico: “...uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça...”.

A coroa é enquadrada em um anel com doze estrelas e a estrela como símbolo de Davi.

O cetro é um símbolo da monarquia e do reino messiânico.

Algumas representações de Maria Auxiliadora colocam um segundo cetro sobre o Menino, aspecto que rompe com o sentido bíblico original, pois é um cetro único, o messiânico.

Suas roupas correspondem a usos sacerdotais. A criança usa um vestido branco inteiro, que lembra a divisão dos vestidos de Cristo: “A túnica era sem costura, tecida em uma só peça de alto a baixo”.

Tanto na imagem da Virgem como na do Menino, correspondem a perfis caucasianos-nórdicos e louros que revelam a origem da devoção na Europa Oriental




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domingo, 13 de outubro de 2024

13 de outubro: Fátima, a crise mundial e a solução

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








“Não há sobre a Terra uma só nação que não esteja a braços, em quase todos os campos, com crises gravíssimas.

“Se analisarmos a vida interna de cada país, notaremos nele um estado de agitação, de desordem, de desbragamento de apetites e ambições, de subversão de valores que, se já não é a anarquia franca, em todo o caso caminha para lá.

“Nenhum estadista de nossos dias soube ainda apresentar o remédio que corte o passo a esse processo mórbido, de envergadura universal.

“Mas, para a gravidade desta crise universal, a mensagem de Nossa Senhora de Fátima abre os olhos dos homens, apresentando-lhes uma explicação à luz dos planos da Providência Divina, e também indicando-lhes os meios necessários para evitar a catástrofe.

“É a própria história de nossa época, e mais do que isto o seu futuro, que nos é ensinado por Nossa Senhora.

“A época contemporânea tem um privilégio: em Fátima, Nossa Senhora veio falar aos homens.

“Ela, a um tempo, explica os motivos da crise e indica o seu remédio, profetizando a catástrofe caso os homens não a ouçam.

“De todo ponto de vista — pela natureza do conteúdo como pela dignidade de quem as fez — as revelações de Fátima sobrepujam, pois, tudo quanto a Providência tem manifestado aos homens na iminência das grandes borrascas da História.”



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, “Catolicismo”, maio/1953)


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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Nossa Senhora do Rosário, devoção dos predestinados

Nossa Senhora do Rosário com São Domingos e Santa Rosa de Lima,anônimo, Peru
Nossa Senhora do Rosário com São Domingos e Santa Rosa de Lima,
anônimo, Peru
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Festa de Nossa Senhora do Rosário foi instituída em comemoração da vitória de Lepanto (1571), alcançada contra os turcos que ameaçavam a Europa. E foi estendida à Igreja universal em ação de graças.

Em primeiro lugar, esta devoção tem como maior mérito ter sido revelada por Nossa Senhora a São Domingos, e nascer, portanto, de uma das revelações particulares que os inimigos da Igreja tanto abominam.

A devoção se estendeu por toda a Igreja Católica e foi considerada por São Luiz Grignion de Montfort de devoção característica dos predestinados.

É distintiva de muitas ordens religiosas, que em seu hábito traziam o Rosário à cintura e passou a ser o objeto de piedade de todo verdadeiro católico.

Tempo houve em que todo verdadeiro católico levava normalmente o Rosário consigo o dia inteiro.

Pois o um instrumento bento que faz de corrente de ligação com Nossa Senhora e cuja posse física afugenta o demônio, e atrai as graças de Nossa Senhora.

Há episódios de lutas contra o demônio em que exorcistas e outras pessoas com o Rosário o demônio foge correndo.

O que vem a ser o Rosário?

Ele se compõe da meditação dos Mistérios da vida de Nossa Senhora e de Nosso Senhor de maneira que quando pronunciamos as orações vocalmente meditamos a respeito do Mistério.

Nesta conjunção da oração vocal e da meditação enquanto os lábios proferem uma súplica, o espírito se concentra num ponto. Nesta dupla atividade, o homem faz tudo o possível na ordem sobrenatural.

Por esta forma ele se liga intimamente a Deus porque é por meio da Medianeira de todas as Graças que a pessoa se dirige a Deus.

Há um tesouro de teologia que faz do Rosário uma obra prima de Doutrina Católica como deve ser entendida.

Nossa Senhora do Rosário, Santa Maria Sopra Minerva, Roma
Nossa Senhora do Rosário, Santa Maria Sopra Minerva, Roma
Não feita de emoções, mas séria, sólida, pensada, com razões de ser, firmes que fazem do Rosário uma devoção suculenta, substanciosa e de grande valor.

De outro lado, cada uma das dezenas tem um Mistério que confere graças próprias. Há graças que nós podemos obter por causa do Mistério da Anunciação; outras, pelo Mistério da Visitação; outras, Mistério da Ascensão.

Nós, rezando e meditando sobre esses Mistérios, atraímos sobre nossas almas todas as graças da Vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. É, um périplo que enche a nossa alma.

Ele é raciocinado e ponderado para a vida espiritual do varão católico que é feita de pensamento, de reflexão com base na Fé, de conclusões que constituem sistema.

Há algo mais. Deus governa o Universo com conta, peso e medida.

Por todas as graças que ele tem alcançado para a humanidade, Nossa Senhora quis, entre muitas outras devoções, resolveu realçar esta, e conceder a propósito dela, graças muito especiais.

Além do mais há um motivo histórico. Vemos que esta devoção tem sido uma oportunidade enorme para graças em que Nossa Senhora se afirma como soberana, que paira acima das contingências, com um suprassumo da sabedoria. E nisso nós temos a super-excelência do Rosário.

No dia da Batalha de Lepanto, 07 de outubro, o Papa olhou para a janela e teve a visão da vitória. A notícia só chegou a Roma em 21 de outubro.

Entre outras graças insignes alcançadas pelo Rosário, está a graça da vitória de Lepanto alcançada enquanto São Pio V tinha a visão do triunfo católico.

Ele estava muito aflito, numa reunião de cardeais, e saiu um pouco junto à janela, preocupado porque a derrocada da Cristandade estava iminente.

São Pio V ordenou que a 7 de outubro de todos os anos se comemorasse uma festa em honra de Nossa Senhora das Vitórias, título alterado posteriormente em Nossa Senhora do Rosário, pelo Papa Gregório XIII.

Outra vitória assinalada, no mesmo gênero e contra o mesmo inimigo – o Crescente – foi em 1716, na Hungria.

Nossa Senhora quis obter para a Cristandade duas grandes vitórias contra o grande inimigo da Igreja no tempo, como hoje é o Comunismo.

Nossa Senhora dol Rosário,vitoriossa em Lepanto, Granada
Nossa Senhora do Rosário,vitoriosa em Lepanto, Granada
Nós podemos concluir que, pela devoção do Rosário, que deverá durar certamente até o fim dos tempos, a Igreja poderá alcançar, na luta contra o Comunismo, vitórias também espetaculares.

E nós podemos concluir que a recitação assídua do Rosário por aqueles que lutarem pelo Reino de Maria, conforme as profecias de Fátima, talvez, marcará o momento culminante da plena realização dos acontecimentos ali profetizados.

O Santo Rosário é um penhor de vitórias futuras.

Santo Afonso de Ligório, um santo, bispo, fundador de uma ordem religiosa [os redentoristas], já muito velho, andava de cadeira de rodas levado por um irmão.

Uma vez disse ao irmão que não tinha rezado o Rosário inteiro:

“- Se um dia se passar sem que eu reze o Rosário, eu tenho medo pela minha salvação eterna.”

O Rosário cotidiano é a grande garantia da perseverança final.

O Rosário bem pausadamente rezado, é um elemento magnífico para nos alcançar a perseverança que deve nos levar à fidelidade suprema.

Nesta espécie de prolongado Lepanto que vivemos, o Rosário tem um papel verdadeiramente capital.

A minha indicação é de um veemente esforço para rezarmos o Rosário inteiro todos os dias, superando alguma fraqueza ou cansaço.

A Lepanto da vida de cada um de nós, está ligada à recitação diária do Rosário.

Não adianta vir com essa coisa: “Mas afinal, essa devoção ou outra, não é igual?”

Há um ato de humildade em rezar o Rosário entre tantas devoções tão excelentes; porque Nossa Senhora prefere essa devoção; e porque essa devoção é a mais combatida.

Em muitos lugares há a tradição de sepultar os mortos levando na mão um pequeno crucifixo; e que se completou entrelaçando nas mãos do morto um Rosário.

A ideia é essa: o morto se apresenta ao Céu com a Cruz e o Rosário porque o Rosário passou a ser o elemento inseparável da verdadeira piedade cristã.

Os inimigos da Igreja – internos ou externos – não atacam nenhuma devoção a Nossa Senhora tanto quanto atacam o Rosário.

O demônio sente e sabe que Ela quis, por meio do Rosário, dispensar muitas graças.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra proferida no dia 7 de outubro de 1964. Sem revisão do Autor. Fonte: PlinioCorrêadeOliveira.info)


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quarta-feira, 6 de março de 2024

Lourdes e a Mediação Universal de Nossa Senhora

Nossa Senhora de Lourdes. Igreja da Madelaine, Paris.
Nossa Senhora de Lourdes. Igreja da Madelaine, Paris.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





Dos muitos aspectos que tem a devoção de Nossa Senhora de Lourdes, um me parece que tem sido insuficientemente acentuado e é o seguinte: os senhores sabem que para o Reinado de Maria, uma verdade fundamental é a Mediação Universal de Nossa Senhora.

Porque para Nossa Senhora ser verdadeiramente Rainha, é preciso que Ela possa junto a Deus tudo quanto Ela queira, pois é por esta forma que Ela governa o mundo.

Nossa Senhora, pela Sua própria natureza, – Ela tem uma natureza humana como a nossa – não tem mais poder sobre os astros, sobre os homens, do que nós temos.

De maneira que, para ter o reinado de todo o universo, para ser a Rainha de todos os Anjos, a Rainha de todos os Santos, a Rainha de todos os homens, a Rainha de todo o mundo material e dominadora terribilíssima e completa do demônio, Ela precisa ter a graça de Deus.

E é exatamente enquanto ponto de convergência de todas as graças de Deus que ela é Rainha.

A onipotência de Nossa Senhora tem sido muitas vezes chamada, e muito adequadamente, onipotência suplicante, porque é por meio da súplica que Ela faz, que Ela pode tudo.

Porque Ela pode tudo junto dAquele que pode tudo, é por isso que é Rainha. E, portanto, o Reinado de Nossa Senhora é o reinado das súplicas que Ela faz, do valor das orações que Ela oferece.

Portanto, a realeza de Nossa Senhora está numa conexão íntima com o fato de Ela ser o canal de todas as graças. Ela é a Rainha de tudo porque todas as graças passam por Ela.

Todas as graças que são dadas aos homens, são dadas pelas mãos dEla. Todos os pedidos que os homens fazem são apresentados por meio dEla.

E se todos os santos e anjos do Céu pedissem algo que não fosse por meio dEla não obteriam. Ela sozinha, pedindo sem nenhum deles, obtém. De tal maneira o foco da predileção Divina se concentrou por inteiro nEla.

Lourdes: Basílica do Rosário
E depois, parte dEla de novo para toda a criação.

É porque Ela é medianeira de todas a graças que Ela é onipotente.

Há, portanto, uma espécie de correlação íntima entre uma coisa e outra.

Agora, as aparições de Lourdes se inserem numa série de aparições de Nossa Senhora no século XIX, que são as mais célebres dessas aparições e, debaixo de alguns pontos de vista, merecidamente as mais célebres.

Essas aparições de Nossa Senhora no século XIX, que culminam com Fátima, culminam com a afirmação do Reinado de Maria.

E a aparição de Lourdes, portanto, está num pontilhado de aparições que são como que, nas noites extremas de nossos dias, uma clarinada do Reino de Maria, pontos alvos anunciando que o Reino de Maria virá.

Em Lourdes, em cada uma dessas aparições, seria muito interessante estudar a presença da idéia da Mediação Universal das graças e do Reinado de Maria.

Em Lourdes, especialmente, se pode dizer debaixo de um título: Nosso Senhor poderia ter dado essa fecundidade estupenda de milagres a um santuário dEle.

Na França, por exemplo, há um santuário magnífico consagrando uma devoção estupenda a Ele, que é o Santuário de Paray-le-Monial, onde Nosso Senhor fez suas revelações a Santa Margarida Maria Alacoque.

Ele poderia perfeitamente fazer com que esses milagres se dessem lá, se dessem em todos os santuários consagrados a Ele.

Mas Ele quis que a maior fonte de milagres que houve na História da Igreja, na História do mundo, fosse num santuário consagrado a Nossa Senhora.

Lourdes: rezando no local onde rezava Bernadette
Quer dizer que Ele quis que aquelas curas todas só fossem obtidas sob a égide de Nossa Senhora, depois de uma aparição de Nossa Senhora, como uma graça de Nossa Senhora, e mediante um pedido feito a Nossa Senhora.

Ou seja, Ele quis que todas essas curas estupendas passassem pelas mãos dEla.

Quis que passassem para que?

Evidentemente para documentar o dogma, que ainda não é dogma, é verdade de fé, da Mediação Universal, para os homens compreenderem bem até que ponto Ela pode tudo.

As piores doenças, os maiores males, os sofrimentos mais horrorosos Ela cura, toma as leis mais inflexíveis da natureza e as elimina. Ela vence tudo: uma pessoa que vê sem nervo ótico...

Isso é um tal domínio de Nossa Senhora sobre a natureza, como mais não se pode imaginar! Bem, isto tudo é feito por meio dEla.

Por que? Para mostrar que todas as graças vêm por meio dEla. E a presença de todas as graças nas mãos dEla para serem distribuídas, por sua vez, quer dizer que Ela é a Rainha do Céu e da Terra. E por Ela passa tudo.

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 4 de fevereiro de 1965. Sem revisão do autor.)



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quarta-feira, 26 de abril de 2023

A traslação miraculosa de Nossa Senhora do Bom Conselho


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Numa pequena localidade da Itália a graça faz germinar, em substituição a um velho culto pagão, uma terna devoção a Nossa Senhora sob o título do Bom Conselho.

A imagem desceu miraculosamente na cidade de Genazzano no fim da tarde do dia 25 de abril de 1467.

Sua festa se comemora no dia 26 de abril.

Naqueles anos, um rei valoroso após épica gesta caiu sob a espada dos invasores muçulmanos. Não houve quem o substituísse à altura e o reino se encontrava em triste declínio.

Declínio político e militar, por certo, mas também e principalmente declínio religioso.

Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, Genazzano
Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, Genazzano
Os católicos albaneses oferecem ao Islã a resistência ineficaz de um povo tornado tíbio. Com isto, a vitória das hostes de Mafoma resulta inevitável.

Dois homens fiéis à Virgem se sentem perplexos, e vão ao santuário nacional da Albânia, em Scútari.

Eles implorararam à imagem dEla que ali se venera um bom conselho: o que fazer?

Permanecer na nação dominada pelos turcos, a fim de ali servir à Santíssima Virgem, ou deixar a pátria rumo a plagas em que possam viver sem grave perigo para a fé?

O bom conselho implorado lhes foi concedido sob a forma mais estupenda e inesperada.

A imagem deixa Scútari, e em pós dela partem os nossos dois albaneses.

A confirmar a autenticidade e o acerto deste conselho, a sagrada Efígie baixa maravilhosamente no local de Genazzano.

Daí para diante, a história da Madona transladada de Scútari não foi senão uma sucessão de triunfos morais.

Quer em Genazzano, quer em outras cidades onde reproduções do quadro albanês foram expostas à veneração dos fiéis, se multiplicaram incontáveis as graças de toda ordem.

E entre elas o atendimento frequente das pessoas que, desejosas de um bom conselho, acorrem à Virgem, implorando a graça de uma luz para sua perplexidade.

Nossa Senhora do Bom Conselho, Colégio São Luís, SPEntre essas imagens, importa lembrar a que se encontra na cidade de São Paulo.

E início na  Capela do Colégio São Luís, dos RR. PP. Jesuítas, e depois na menor capela moderna do mesmo colégio.

A causa foi o modo pelo qual chegou a nosso País é verdadeiramente digno de especial atenção. (foto ao lado)




(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, "Catolicismo", Abril-Maio de 1968)




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sábado, 8 de abril de 2023

Domingo de Páscoa: Ressurreição triunfal de Nosso Senhor. Que venha o triunfo da Igreja!

Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta. Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta.
Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso,

Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém.

O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

Páscoa da Ressurreição. Albacete, Espanha.
Páscoa da Ressurreição. Albacete, Espanha.
Quando as cidades eram pouco ruidosas, ouvia-se o bimbalhar dos sinos ao meio- dia.

Comemorava-se a Ressurreição.

Nas ruas, os moleques malhavam bonecos de Judas.

Aleluia cantava-se por toda parte.

As pessoas cumprimentavam-se, distribuíam ovos de Páscoa.

As igrejas enchiam-se, a liturgia apresentava enorme pompa.

A dor do Calvário cedia ante a imensa alegria da Páscoa.

A alegria verdadeira, que não é filha do vício, mas fruto abençoado da virtude.

Quando Deus volta a sua Face para os homens, tudo se torna fácil, suave, alegre, brilhante.

Pelo contrário, quando Ele desvia sua Face, os homens atraem épocas de castigo.

É como o sol que desaparece.

Em que estado estamos nós, o mundo todo?

Ó Senhor Jesus, voltai para nós a vossa Face divina e olhai-nos com bondade.

Ressurreição, composição gráfica. Imagem de Albacete, Espanha
Ressurreição, composição gráfica. Imagem de Albacete, Espanha
Nesse momento a graça há de nos iluminar, e sentir-nos-emos outros.

Que pelos méritos de vossa Ressurreição se congreguem os bons.

Que o Divino Espírito Santo lhes comunique força e valor para derrotar os inimigos da vossa Igreja.

Que Ele renove as almas, restaure as instituições, as nações e a Civilização Cristã.

Nós Vo-lo pedimos por meio de Nossa Senhora, Medianeira Onipotente e Co-redentora do gênero humano.


Vídeo: Domingo de Ressurreição em Cartagena (Espanha)


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quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Mongólia celebrou Natal com imagem de Lourdes aparecida miraculosamente num lixão

A imagem da Imaculada Conceição de Lourdes achada miraculosamente em Ulaanbaatar, capital da Mongólia
A imagem da Imaculada Conceição de Lourdes
achada miraculosamente num lixão,
em Ulaanbaatar, capital da Mongólia
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No período de Advento, na festa da Imaculada Conceição em 8 de dezembro, a Mongólia foi consagrada à Virgem, diante de uma imagem que foi encontrada num lixão.

Ela tem todos os atributos da Virgem de Lourdes, que quando Santa Bernadette lhe preguntou o nome respondeu: “Eu sou a Imaculada Conceição”.

Dom Giorgio Marengo, missionário italiano da Consolata, hoje Cardeal e prefeito apostólico de Ulã Bator (também Ulaanbaatar) falou todos os fiéis que se reuniram na catedral da capital para comemorar o Natal. E narrou como se deu o prodigioso achado, segundo transcreveu “AsiaNews”.

“A imagem da Imaculada Conceição foi encontrada em um lixão no norte da Mongólia, há dez anos”, disse o Cardeal de Ulã Bator, onde a temperatura chega a 20 graus abaixo de zero.

“Ela foi descoberta por uma mulher não cristã, mãe de 11 filhos, que teve algum contato com as freiras de Madre Teresa.

“Ao revisar o lixo que um caminhão havia despejado – como fazem os pobres em todas as latitudes – ela viu um estranho invólucro de tecido.

“Abrindo-o, encontrou-se diante desta bela estátua de madeira da Imaculada Conceição, de 62 cm de altura, muito fina.

Procissão ccom a imagem miraculosa em Ulaanbaatar, capital da Mongólia
Procissão com a imagem miraculosa em Ulaanbaatar, capital da Mongólia
“Sem saber o que era, a mulher levou para casa e disse: ‘esta linda senhora queria vir ter comigo’... Até que as freiras, quando foram visitá-la, viram a imagem e perguntaram-lhe de onde vinha”.


Por alguns anos, a estátua permaneceu no escritório paroquial.

“Eu descobri tudo isso no ano passado”, continuou o Card. Marengo, “e nesse momento pensei: ‘A Virgem quer nos dizer uma coisa’.

“Fui ao local, conheci a senhora. Mais tarde, no dia 25 de março – festa da Anunciação – transferimos oficialmente a estátua para a catedral com a ideia de entronizá-la, para que fosse mais conhecida e venerada por todos.

“Daí resultou uma celebração do 8 de dezembro, que também foi acompanhada por outro gesto significativo.

“Convidamos todos os nossos fiéis, 1.400 católicos, a nos enviarem um pedaço de pano que tenha um significado especial para eles, acompanhando-o com uma frase, uma oração. Com eles, formamos um manto e o oferecemos à Virgem, apresentando nossas orações. Foi um momento lindo, muito emocionante”.

A imagem da Imaculada com o manto oferecido pelos fiíes, na catedral de Ulã Bator
A imagem da Imaculada com o manto oferecido pelos fieis,
na catedral de Ulã Bator
A pequena Igreja Católica da Mongólia, nasceu em 1992, mas está tendo um crescimento explosivo. “Teremos missas de Natal nas diversas comunidades”, acrescentou

“Este Natal coincide com um momento delicado para a Mongólia em que o país está sendo abalado por protestos contra a corrupção

“Muitos russos que não querem ser alistados pela força para combater e morrer à toa na Ucrânia fogem de suas terras, especialmente da vizinha Buriácia. E fazem da Mongólia um lugar de trânsito para chegar a outros países”, afirmou o cardeal.

Em verdade, os primeiros católicos remontam aos séculos XIII e XIV pela pregação de missionários como William de Rubruck e Giovanni da Pian del Carpine e do beato Giovanni da Montecorvino fundador da primeira missão católica em Pequim.

No entanto, o catolicismo foi suprimido com a implantação do regime comunista russo que ocupou o país a partir de 1920.

A imagem da Imaculada Conceição com os atributos de Lourdes só pode ter sido trazida pelos missionários europeus na segunda metade do século XIX ou primeiras décadas do século XX.

A imagem da Imaculada Conceição e o bispo missionário
A imagem da Imaculada Conceição e o bispo missionário
Os comunistas destruíram as instituições católicas e nesse período devem ter jogado fora a imagem que milagrosamente reapareceu numa massa de lixo.

Em 1992, com o fim da União Soviética, a Igreja recuperou a liberdade e em trinta anos passou de pequena semente para uma árvore que já dá frutos, regada pelo sangue, suor e lágrimas de tantos missionários ao longo dos séculos. Cfr. Wikipedia “Igreja Católica na Mongólia”  e História da Mongólia

Mas sobre tudo pela Luz do Menino Jesus que começou a resgatar o mundo na manjedoura de Belém e hoje é nosso alimento na Eucaristia que contém em si todas as infinitas graças de Deus e permanece aqui entre nós.


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