São Pio X: Lourdes é promessa da vitória iminente sobre os ímpios
“É preciso acrescentar que Pio IX não muito antes [das aparições] havia declarado ser de fé católica a Conceição Imaculada de Maria que, na cidade de Lourdes, começaram maravilhosas manifestações da Virgem, e foi, como se sabe, a origem dessas igrejas elevadas em honra da Imaculada Mãe de Deus, obra de alta magnificência e de imensos trabalhos, onde prodígios quotidianos, devidos à sua intercessão, fornecem esplêndidos argumentos para prostrar na confusão a incredulidade moderna.
“Tantos e tão insignes benefícios concedidos por Deus pelas piedosas solicitações de Maria, durante os cinqüenta anos transcorridos, não deveriam nos fazer esperar a salvação num tempo ainda mais curto do que nós acreditávamos?
Da mesma maneira, há como uma lei da Providência divina, a experiência ensina-nos isto, segundo a qual entre os extremos derradeiros do mal e a liberação jamais há muita distância. “O tempo de sua vinda está próximo. Pois o Senhor terá piedade de Jacob, e em Israel terá seu eleito” (Is. XIV, 1).
“É pois com inteira confiança que nós mesmos podemos esperar que dentro em breve exclamemos : “O Senhor quebrou o cetro dos ímpios. A terra está em paz e silêncio, ela se regozija e ela exulta” (Is. XIV, 5 e 7).”
Carta encíclica Ad diem illum, de 2 de fevereiro de 1904: Acta Pii X, vol. 1, p.149.
Pio XII: a malícia dos adversários permitiu que a aparição de Lourdes brilhasse com mais evidência
“Não é de admirar que os nossos predecessores se hajam comprazido em multiplicar os seus favores para com esse santuário. Desde 1860, Pio IX, de santa memória, regozijava-se de que os obstáculos suscitados contra Lourdes pela malícia dos homens houvessem permitido ‘manifestar com mais força e mais evidência a clareza do fato’ (Carta de 4 de setembro de 1869, Ep. lat. an.1869, n. 388, f. 695.).
“E, forte dessa segurança, ele cumula de benefícios espirituais a Igreja recém-educada, e faz coroar a estátua de nossa Senhora de Lourdes.”
Carta Encíclica “Le Pelèrinage de Lourdes”, 2 de julho de 1957.
Pio XI: Lourdes confirmou a proclamação do dogma da Imaculada Conceição
“O que em Roma, pelo seu magistério infalível, o sumo pontífice definia, a Virgem Imaculada Mãe de Deus, a bendita entre as mulheres, quis, ao que parece, confïrmá-lo por sua boca, quando pouco depois se manifestou por uma célebre aparição na gruta de Massabielle”.
“Certamente, a palavra infalível do pontífice romano, intérprete autêntico da verdade revelada, não necessitava de nenhuma confirmação celeste para se impor à fé dos fiéis. Mas com que emoção e com que gratidão o povo cristão e seus pastores não recolheram dos lábios de Bernardete essa resposta vinda do céu: "Eu sou a Imaculada Conceição"!
Decreto De Tuto para a canonização de santa Bernardete, 2 de julho de 1933: AAS 25(1933), p. 377.
Bento XVI em Lourdes:
“Numerosas são as pessoas que o testemunharam: o encontro com o rosto luminoso de Bernadete impressionava os corações e os olhares. Tanto durante as aparições como quando ela as narrava, o seu rosto tornava-se completamente radioso. Bernadete já estava habitada pela luz de Massabielle.
“No entanto, a vida quotidiana da família Soubirous era tecida de miséria e tristeza, de doença e incompreensão, de rejeição e pobreza. Embora não faltando amor e afecto nas relações familiares, era difícil viver no “cachot” (no “cárcere”).
“Contudo, as sombras da terra não impediram de brilhar a luz do céu: «A luz brilha nas trevas...» (Jo 1, 5).”
(Fonte: homilia na procissão das velas, 13.9.08)
Santa Catarina Labouré: Nossa Senhora de Lourdes é a mesma da Medalha Milagrosa
Quando Santa Catarina Labouré soube, em Paris, das aparições de Nossa Senhora em Lourdes, exclamou: “É a mesma!”.
A santa lamentou várias vezes que não se tivesse construído na Rue du Bac o santuário dedicado à Medalha Milagrosa, pedido pela Mãe de Deus:
“Se os superiores tivessem querido, a Santa Virgem teria escolhido nossa capela” para operar os milagres de Lourdes, disse em outra ocasião.
Para Santa Catarina, Nossa Senhora escolheu Lourdes para suprir a falta de interesse das autoridades religiosas de Paris pelo pedido de Nossa Senhora.
Fonte: Pe. René Laurentin, “Vie de Catherine Labouré”, Desclée de Brouwer, Paris, 1980, p. 147-148.
Plinio Corrêa de Oliveira: Lourdes sinaliza que os dias da impiedade estão contados
“Em Lourdes, como estrondosa confirmação do dogma, [Nossa Senhora] fez o que nunca antes se vira: instalou no mundo o milagre, por assim dizer, em série e a título permanente. [...]
“Dir-se-ia que a humanidade inteira sofre violência, que está sendo posta em uma forma que não convém à sua natureza, e que todas as suas fibras sadias se contorcem e resistem.
“Há um anseio imenso por outra coisa, que ainda não se sabe qual é. Mas, enfim ― fato talvez novo desde que começou, no século XV, o declínio da Civilização Cristã ― o mundo inteiro geme nas trevas e na dor, precisamente como o filho pródigo quando chegou ao último da vergonha e da miséria, longe do lar paterno.
“No próprio momento em que a iniqüidade parece triunfar, há algo de frustrado em sua aparente vitória [...].
“Nossa Senhora tem alcançado para nós os mais estupendos milagres. Esta piedade se terá extinguido? Têm fim as misericórdias de uma Mãe, e da melhor das mães?
“Quem ousaria afirmá-lo? Se alguém duvidasse, Lourdes servir-lhe-ia de admirável lição de confiança. Nossa Senhora há de nos socorrer. [...]
“Na realidade Ela já começou a nos socorrer. [...] Os dias do domínio da impiedade estão contados. A definição do dogma da Imaculada Conceição marcou o início de uma sucessão de fatos que conduzirá ao Reinado de Maria”.
(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, “Primeiro marco do ressurgimento contra-revolucionário”, “Catolicismo”, nº 86, fevereiro de 1958).
68 milagres de Lourdes foram proclamados oficialmente pela Igreja.
Mais de 4.000 curas foram qualificadas de inexplicáveis pela ciência. Os bispos decidirão se as reconhecem canonicamente como milagre.
Eis a lista dos 68. Em 1º lugar o nome e local de residência; 2º) a doença curada; 3º) idade do doente e data da cura; 4º) diocese e data do reconhecimento do milagre.
1. Sra. Catherine Latapie, apelidada Chouat, de Loubajac (França). Paralisia havia 18 meses. Por volta de 38 anos, no dia 01-03-1858. Tarbes, 18-01-1862.
2. Sr. Louis Bouriette, de Lourdes (França). Perda da vista havia 20 anos. 54 anos em março de 1858. Tarbes, 18-01-1862.
3. Sra. Blaisette Cazenave, (nascida Soupène), de Lourdes (França). Oftalmia crônica havia 3 anos. Por volta de 50 anos, março de 1858. Tarbes, 18-01-1862.
4. Sr. Henri Busquet, de Nay (França). Adenite com úlcera havia 15 meses. Por volta de 15 anos, em 28-04-1858. Tarbes, 18-01-1862.
5. Sr. Justin Bouhort, de Lourdes (França). Atraso de desenvolvimento e consumição física. 2 anos em 06-07-1858. Tarbes, 18-01-1862.
6. Sra. Madeleine Rizan, de Nay (França). Hemiplegia do lado esquerdo havia 24 anos. 58 anos aproximadamente em 17-10-1858. Tarbes, 18-01-1862.
7. Srta. Marie Moreau, de Tartas (França). Perda da vista com lesões inflamatórias havia 10 meses. 17 anos aproximadamente em 09-11-1858. Tarbes, 18-01-1862.
8. Sr. Pierre de Rudder, de Jabbeke (Bélgica). Fratura exposta da perna esquerda com seudo-artrose. 52 anos em 07-04-1875. Bruges (Bélgica) 25-07-1908.
9. Srta. Joachime Dehant, de Gesves (Bélgica). Ulcera da perna direita com gangrena muito desenvolvida. 29 anos em 13-09-1878. Namur (Bélgica) 25-04-1908.
10. Srta. Elisa Seisson, de Rognonas (França). Hipertrofia do coração com edemas nos membros inferiores. 27 anos em 29-08-1882. Aix-en-Provence 02-07-1912.
11. Irmã Eugenia, (Marie Mabille), de Bernay (França). Abscesso com fístulas, flebite. 28 anos em 21-08-1883. Evreux 30-08-1908.
12. Irmã Julienne, (Aline Bruyère), de La Roque (França). Tuberculose pulmonar. 25 anos em 01-09-1889. Tulle 07-03-1912.
13. Irmã Joséphine-Marie, (Anne Jourdain), de Goincourt (França). Tuberculose pulmonar. 36 anos em 21-08-1890. Beauvais 10-10-1908.
14. Srta. Amélie Chagnon, (Religiosa do Sagrado Coração em 25-09-1894), de Poitiers (França). Osteoartrite tuberculosa no joelho e no pé. 17 anos em 21-08-1891. Tournai (Bélgica) 08-09-1910.
15. Srta. Clémentine Trouvé, (Irmã Agnès-Marie), de Rouille (França). Osteoperiostite do pé direito com flebite. 14 anos em 21-08-1891. Paris 06-06-1908.
16. Srta. Marie Lebranchu, (Sra. Wuiplier), de Paris (França). Tuberculose pulmonar. 35 anos em 20-08-1892. Paris 06-06-1908.
17. Srta. Marie Lemarchand, (Sra. Authier), de Caen (França). Tuberculose pulmonar com úlceras no rosto e na perna. 18 anos em 21-08-1892. Paris 06-06-1908.
18. Srta. Elise Lesage, de Bucquoy (França). Osteoartrite tuberculosa do joelho. 18 anos em 21-08-1892. Arras 04-02-1908.
19. Irmã Maria da Apresentação, (Sylvanie Delporte), de Lille (França). Gastrenterite crônica tuberculosa. 46 anos em 29-08-1892. Cambrai 15-08-1908.
20. Padre Cirette, de Beaumontel (França). Esclerose espinal. 46 anos em 31-08-1893. Evreux 11-02-1907.
21. Srta. Aurélie Huprelle, de Saint-Martin-le-Noeud (França). Tuberculose pulmonar aguda. 26 anos em 21-08-1895. Beauvais 01-05-1908.
22. Srta. Esther Brachmann, de Paris (França). Peritonite tuberculosa. 15 anos em 21-08-1896. Paris 06-06-1908.
23. Srta. Jeanne Tulasne, de Tours (França). Mal de Pott lombar. 20 anos em 08-09-1897. Tours 27-10-1907.
24. Srta. Clémentine Malot, de Gaudechart (França). Tuberculose pulmonar. 25 anos em 21-08-1898. Beauvais 01-11-1908.
25. Sra. Rose François, (nascida Labreuvoies), de Paris (França). Fleimão com fístulas no braço direito e enorme edema. 36 anos em 20-08-1899. Paris 06-06-1908.
26. Padre Salvador, de Rouelle (França). Peritonite tuberculosa. 38 anos em 25-06-1900. Rennes 01-07-1908.
27. Irmã Maximilien, (Religiosa da Esperança) de Marselha (França). Quisto no fígado e flebite na perna esquerda. 43 anos em 20-05-1901. Marselha 05-02-1908.
28. Srta. Marie Savoye, de Cateau-Cambresis (França). Doença mitral reumática descompensada. 24 anos em 20-09-1901. Cambrai 15-08-1908.
29. Sra. Johanna Bézenac, (nascida Dubos), de Saint-Laurent-des-Bâtons (França). Caquexia de origem desconhecida e impetigo. 28 anos em 08-08-1904. Périgueux 02-07-1908.
30. Irmã Saint-Hilaire, (Lucie Jupin), de Peyreleau (França) Tumor abdominal. 39 anos em 20-08-1904. Rodez 10-05-1908.
31. Irmã Sainte-Béatrix, (Rosalie Vildier), d’Evreux (França). Laringobronquite tuberculosa. 42 anos em 31-08-1904. Evreux 25-03-1908.
32. Srta. Marie-Thérèse Noblet, d’Avenay (França). Mal de Pott. 15 anos em 31-08-1905. Reims 11-02-1908.
33. Srta. Cécile Douville de Franssu, de Tournai (Bélgica). Peritonite tuberculosa. 19 anos em 21-09-1905. Versailles 08-12-1909.
34. Srta. Antonia Moulin, de Vienne (França). Fistula no fêmur direito e artrite no joelho. 30 anos em 10-08-1907. Grenoble 06-11-1910.
35. Srta. Marie Borel, de Mende (França). Seis fístulas nas regiões lombar e abdominal. 27 anos em 21/22-08-1907. Mende 04-06-1911.
36. Srta. Virginie Haudebourg, de Lons-le-Saulnier Cistite tuberculosa e nefrite. 22 anos em 17-05-1908. Saint-Claude 25-11-1912. (França).
37. Sra. Marie Biré, (nascida Lucas), de Sainte-Gemme-la-Plaine (França). Cegueira de origem cerebral e atrofia papilar bilateral. 41 anos em 05-08-1908. Luçon 30-07-1910.
38. Srta. Aimée Allope, de Vern (França). Numerosos abscessos tuberculosos, quatro dos quais com fístula. 37 anos em 28-05-1909. Angers 05-08-1910.
39. Srta. Juliette Orion, de Saint-Hilaire-de- Voust (França). Tuberculose pulmonar e da laringe. 24 anos em 22-07-1910. Luçon 18-10-1913.
40. Sra. Marie Fabre, de Montredon (França). Enterite, dispepsia e prolapso uterino. 32 anos em 26-09-1911. Cahors 08-09-1912.
41. Srta. Henriette Bressolles, de Nice (França). Mal de Pott, paraplégica. 28 anos aproximadamente em 03-07-1924. Nice 04-06-1957.
42. Srta. Brosse Lydia, de Saint-Raphaël (França). Fistulas tuberculosas múltiplas. 41 anos em 11-10-1930. Coutances 05-08-1958.
43. Irmã Marie-Marguerite, (Françoise Capitaine), de Rennes (França). Abscesso do rim esquerdo com edema e crises cardíacas. 64 anos em 22-01-1937. Rennes 20-05-1946.
44. Srta. Louise Jamain, (Sra. Maître), de Paris (França). Tuberculose pulmonar, intestinal e peritoneal. 22 anos em 01-04-1937. Paris 14-12-1951.
45. Sr. Francis Pascal, de Beaucaire (França). Cegueira e paralise dos membros inferiores. 3 anos 10 mois em 31-08-1938. Aix-en-Provence 31-05-1949.
46. Srta. Gabrielle Clauzel, d’Oran (Algérie). Espondite reumatica. 49 anos em 15-08-1943. Oran (Algeria) 18-03-1948.
47. Srta. Yvonne Fournier, de Limoges (França). Síndrome de Leriche. 22 anos em 19-08-1945. Paris 14-11-1959.
48. Sra. Rose Martin, (nascida Perona), de Nice (França). Câncer no colo do útero. 46 anos em 03-07-1947. Nice 17-03-1958.
49. Sra. Jeanne Gestas, (nascida Pelin), de Bègles (França). Perturbações dispépticas com acidentes pós-operatórios. 50 anos em 22-08-1947. Bordeaux 13-07-1952.
50. Srta. Marie-Thérèse Canin, de Marseille (França). Mal de Pott e peritonite tuberculosa. 37 anos em 09-10-1947. Marselha 06-06-1952.
51. Srta. Maddalena Carini, de San Remo (Itália). Peritonite tuberculose, tuberculose pleural, pulmonar e óssea com artrite coronária. 31 anos em 15-08-1948. Milão (Itália) 02-06-1960.
52. Srta. Jeanne Frétel, de Rennes (França). Péritonite tuberculosa. 34 anos em 08-10-1948. Rennes 20-11-1950.
53. Srta. Théa Angele, (Irmã Maria-Mercedes), de Tettnang (Alemanha). Esclerose em placas havia seis anos. 20 anos em 20-05-1950. Tarbes-Lourdes 28-06-1961.
54. Sr. Evasio Ganora, de Casale (Itália). Doença de Hodgkin. 37 anos em 02-06-1950. Casale (Itália) 31-05-1955.
55. Srta. Edeltraud Fulda, (Sra. Haidinger), de Viena (Áustria). Doença de Addison. 34 anos em 12-08-1950. Viena (Áustria) 18-05-1955.
56. Sr. Paul Pellegrin, de Toulon (França). Fístula pós-operatória de um abscesso do fígado. 52 anos em 03-10-1950. Fréjus-Toulon 08-12-1953.
57. Irmão Léo Schwager, de Friburgo (Suíça). Esclerose em placas havia cinco anos. 28 anos em 30-04-1952. Genebra (Lausanne) Friburgo (Suíça). 18-12-1960.
58. Sra. Alice Couteault, (nascida Gourdon), de Bouille-Loretz (França). Esclerose em placas havia três anos. 34 anos em 15-05-1952. Poitiers 16-07-1956.
59. Srta. Marie Bigot, de La Richardais (França). Cegueira, surdez e hemiplegia. 31 anos em 08-10-1953 e 32 anos em 10-10-1954. Rennes 15-08-1956.
60. Sra. Ginette Nouvel, (nascida Fabre), de Carmaux (França). Doença de Budd-Chiari. 26 anos em 21-09-1954. Albi 31-05-1963.
61. Srta. Elisa Aloi, (Sra. Varacalli), de Patti (Itália). Tuberculose osteoarticular com fístulas múltiplas. 27 anos em 05-06-1958. Messina (Itália) 26-05-1965.
62. Srta. Juliette Tamburini, de Marselha (França). Osteoperiostite femoral com fístula havia 10 anos. 22 anos em 17-07-1959. Marselha 11-05-1965.
63. Sr. Vittorio Micheli, de Scurelle (Itália). Sarcoma do quadril. 23 anos em 01-06-1963. Trento 26-05-1976.
64. Sr. Serge Perrin, de Lion d’Angers (França). Hemiplegia direita com lesões oculares, perturbações circulatórias. 41 anos em 01-05-1970. Angers 17-06-1978.
65. Srta. Delizia Cirolli, (Sra. Costa), de Paternò (Itália). Sarcoma de Ewing no joelho esquerdo. 12 anos em 24-12-1976. Catania (Itália) 28-06-1989.
66. Sr. Jean-Pierre Bély, de La Couronne (França). Esclerose em placas. 51 anos em 09-10-1987. Angoulême 9-02-1999.
67. Srta. Anna Santaniello, Salerno (Itália) Descompensação cardíaca resultante de reumatismo articular agudo. 41 anos em 19-08-1952. Salerno (Itália) 21-09-2005 .
68. Soror Luigina Traverso, Casale Monferrato (Itália). Paralisia da perna esquerda. 31 anos em 23-07-1965. Casale Monferrato (Itália) 11-10-2012.
São Pio X: Lourdes excede em glória todo outro santuário mariano
“A glória única do santuário de Lourdes reside no fato de nele serem os povos atraídos de toda parte, por Maria, à adoração de Cristo Jesus no augusto sacramento; de sorte que aquele santuário, ao mesmo tempo centro de culto mariano e trono do mistério eucarístico, excede em glória, ao que parece, todos os outros no orbe católico”.
Breve de 25 de abril de 1911: Arch. Brev. Ap., Pius X, an.1911, Div. Lib. IX, pars I, f. 337.
Pio XII: Lourdes e a medalha milagrosa: duas devoções contra-revolucionárias
“Devia, no entanto, o século XIX, após a tormenta revolucionária, ser por muitos títulos o século das predileções marianas. Para só citarmos um fato, quem é que não conhece hoje em dia a "medalha milagrosa"?
“Revelada, no próprio coração da capital francesa, a uma humilde filha de São Vicente de Paulo que tivemos a alegria de inscrever no catálogo dos santos, essa medalha cunhada com a efígie de "Maria concebida sem pecado" espalhou por todos os lugares os seus prodígios espirituais e materiais.
“E, alguns anos mais tarde, de 11 de fevereiro a 16 de julho de 1858, à bem-aventurada virgem Maria aprazia, por um favor novo, manifestar-se na terra dos Pirineus a uma menina piedosa e pura, saída de uma família cristã, trabalhadora na sua pobreza.
“Ela vem a Bernardete, dizíamos nós outrora, fá-la a sua confidente, a colaboradora, o instrumento da sua ternura maternal e da misericordiosa onipotência de seu Filho, para restaurar o mundo em Cristo por uma nova e incomparável efusão da redenção”.
Carta Encíclica “Le Pelèrinage de Lourdes”, 2 de julho de 1957.
Santa Maria, Mãe de Deus, Virgem Imaculada, que apareceste 18 vezes a Bernardete na Gruta de Lourdes para recordar aos cristãos as maravilhas e as exigencias do Evangelho, ensinando a oração, a penitência, a Eucaristia e a vida dentro da Igreja.
Para poder responder melhor a vosso chamado me consagro a vosso Filho Jesus por intermedio de Vos as mãos.
Fazei me dócil a seu Espírito; e pelo fervor de minha fé, pela transparencia de toda minha vida por minha dedicação ao serviço dos enfermos, que eu trabalhe para Vós, ajudando aos mais necessitados para a reconciliação dos homens, para a unidade da Igreja e para a paz do mundo.
Com o coração aberto, Mãe minha, te dirijo esta oração rogando que a recebas e as dê vossa aprovação.
Bendita seja a Santa e Imaculada Concepção da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus.
Oh! Maria concebida sem pecado rogai por nós que recorremos a Vós
Perto de Gante, na Bélgica, existe um santuário no qual os milagres são numerosos. Eis um muito excepcional.
Três estudantes de um ginásio do Estado resolveram um dia, como passatempo, zombar da fé dos peregrinos.
Um deles quis desempenhar o papel de cego, e foi levado aos pés de uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes pelas mãos dos outros dois companheiros.
O pretenso milagre consistia nisto: o moço, chegando à gruta com os olhos vendados, devia esfregá-los com a água da fonte e gritar: "Estou curado! Enxergo perfeitamente!"
Mas o efeito foi muito diferente do que se esperava.
Havia ali muitos peregrinos de fora.
Cercaram os moços embusteiros, que fingiam implorar com lágrimas o auxílio da Virgem em favor do pobre cego.
Pode-se enganar aos homens, a Deus nunca.
A primeira ablução feita com intenção perversa fez com que o moço ficasse cego verdadeira e completamente.
Chorou, gritou, chamou por sua mãe. O pavor estampara-se no seu rosto, com todos os pormenores.
Suplicou-se a Nossa Senhora em favor do infeliz, mas debalde. O moço enlouqueceu e foi levado sem demora para uma casa de saúde.
(Fonte: "Maria ensinada à mocidade" - Livraria Francisco Alves, Rio, 1915)
No anoitecer em São João d’El Rei, o imponderável das ruas evoca um Brasil que deveria ter sido, um Brasil que não podemos admitir que nunca venha a ser.
Traz uma saudade de um Brasil tão diferente disso que hoje presenciamos, que até parece um sonho.
Mas não é um mero sonho, é uma promessa:
É a promessa da Providência Divina, que chamou o Brasil para uma missão especial.
Qual é essa missão providencial?
O que diz essa promessa?
Ei-la:
“Talvez não fosse ousado afirmar que Deus colocou os povos de sua eleição em panoramas adequados à realização dos grandes destinos a que os chama.
“E não há quem, viajando por nosso Brasil, não experimente a confusa impressão de que Deus destinou para teatro de grandes feitos este País, cujas montanhas trágicas e misteriosas penedias parecem convidar o homem às supremas afoitezas do heroísmo cristão, cujas verdejantes planícies parecem querer inspirar o surto de novas escolas artísticas e literárias, de novas formas e tipos de belezas, e na orla de cujo litoral os mares parecem cantar a glória futura de um dos maiores povos da Terra.
“Quando nosso poeta cantava que "nossa terra tem palmeiras onde canta o sabiá, e as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá”, percebeu, talvez confusamente, que a Providência depositou na natureza brasileira a promessa de um porvir igual ao dos maiores povos da Terra.
“E hoje, que o Brasil emerge de sua adolescência para a maturidade, e titubeia nas mãos da velha Europa o cetro da cultura cristã que o totalitarismo quereria destruir, aos olhos de todos se patenteia que os países católicos da América são na realidade o grande celeiro da Igreja e da Civilização, o terreno fecundo onde poderão reflorir, com brilho maior do que nunca, as plantas que a barbárie devasta no velho mundo.
“A América inteira é uma constelação de povos irmãos. Nessa constelação, inútil é dizer que as dimensões materiais do Brasil são uma figura da magnitude de seu papel providencial.
“Tempo houve em que a História do mundo se pôde intitular Gesta Dei per francos. Dia virá em que se escreverá a Gesta Dei per brasilienses — as ações de Deus pelos brasileiros.
“A missão providencial do Brasil consiste em crescer dentro de suas próprias fronteiras, em desdobrar aqui os esplendores de uma civilização genuinamente católica, apostólica, romana, em iluminar amorosamente todo o mundo com o facho desta grande luz, que será verdadeiramente o lumen Christi que a Igreja irradia.
“Nossa índole meiga e hospitaleira, a pluralidade das raças que aqui vivem em fraternal harmonia, o concurso providencial dos imigrantes que tão intimamente se inseriram na vida nacional, e mais do que tudo as normas do Santo Evangelho, jamais farão de nossos anseios de grandeza um pretexto para jacobinismos tacanhos, para racismos estultos, para imperialismos criminosos.
“Dái a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
“Se algum dia o Brasil for grande, sê-lo-á para bem do mundo inteiro.
“Explorai, senhores do poder temporal, as riquezas de nossa terra.
“Estruturai todas as nossas instituições civis segundo as máximas da Igreja, que são a essência da civilização cristã.
“Auxiliai a Santa Igreja de Deus, quanto em vós estiver, e plasmai a alma nacional na vida da graça, para a glória do Céu.
“Fazei do Brasil uma pátria próspera, organizada e pujante, enquanto a Igreja fará do povo brasileiro um dos maiores povos da História.
“Na harmonia desta mesma obra está a predestinação de uma íntima cooperação entre dois poderes.
“Deus jamais é tão bem servido como quando César se porta como seu filho.
“Senhores, em nome dos católicos do Brasil, eu vo-lo afianço: César jamais é tão grande como quando é filho de Deus.
“Nessa colaboração está o segredo de nosso progresso, e nela vossa parte é verdadeiramente magnífica.
“Trabalhai, senhores, trabalhai neste sentido.
“Tereis a cooperação entusiástica de todos os nossos recursos, de todos os nossos corações, de todo o nosso fervor.
“E quando algum dia Deus vos chamar à vida eterna, tereis a suprema ventura de contemplar um Brasil imensamente grande e profundamente cristão, sobre o qual o Cristo do Corcovado, com seus braços abertos, poderá dizer aquilo que é o supremo título de glória de um povo cristão.
“Executai um programa de governo, que consista em procurar antes o reino de Deus e sua justiça, pois todas as coisas serão dadas por acréscimo.
“Em um Brasil imensamente rico, vereis florescer um povo imensamente rico, vereis florescer um povo imensamente grande, porque dele se poderá dizer:
“Bem-aventurado este povo sóbrio e desapegado, embora no esplendor de sua riqueza, porque dele é o reino dos céus.
“Bem-aventurado este povo generoso e acolhedor, que ama a paz mais do que as riquezas, porque ele possui a terra.
“Bem-aventurado este povo de coração sensível ao amor e às dores do Homem-Deus, às dores e ao amor de seu próximo, porque nisto mesmo encontrará sua consolação.
“Bem-aventurado este povo varonil e forte, intrépido e corajoso, faminto e sedento das virtudes heróicas e totais, porque será saciado em seu apetite de santidade e grandeza sobrenatural.
“Bem-aventurado este povo misericordioso, porque ele alcançará misericórdia.
“Bem-aventurado este povo casto e limpo de coração.
“Bem aventurada a inviolável pureza de suas famílias cristãs, porque verá a Deus.
“Bem-aventurado este povo pacífico, de idealismo isento de jacobismos e racismos, porque será chamado filho de Deus.
“Bem-aventurado este povo que leva seu amor à Igreja a ponto de lutar e sofrer por Ela, porque dele é o reino dos céus.”
(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, discurso no IV Congresso Eucarístico Nacional — 7 de setembro de 1942, “O Legionário” de 7-9-1942).
“Santíssima Virgem de Lourdes, que a ninguém desamparas nem desprezas, olhai-me com olhos de piedade.
“Alcançai-me de teu Filho o perdão de meus pecados para que com devoto afeto celebre tua Santa e Imaculada Conceição, em tua milagrosa imagem de Lourdes.
“Que eu receba depois o presente da bem-aventurança do mesmo Jesus de quem sois Mãe. Amém.”
Se não houvesse os milagres de Lourdes, todo mundo diria: se ao menos houvesse milagres eu acreditaria. Milagres só havia antigamente, naquele tempo, mas se houvesse milagres hoje, eu seria o primeiro a ficar entusiasmado!
E muito católico amolecido diria: é verdade. Por que Deus não faz um milagre para ele? Ele está dizendo que se converteria...
Bem, Nossa Senhora há cem anos vem operando milagres em Lourdes.
Esses milagres são examinados com a maior severidade.
Com uma severidade tão grande que alguns até sustentam que é exagerada e que dos milagres que acontecem, apenas uma pequena parte é comprovada como milagre.
Mas o exagero aqui tem a vantagem de provar que se trata de milagre mesmo.
E o que faz esta gente diante do argumento do milagre?
Prova-se com radiografias, com exames de laboratórios, com as provas mais seguras que há, prova-se que houve milagres em Lourdes, a resposta é: é... e ficam quietos.
Porque?
São assim, não se entregam, não retrocedem diante de nenhuma espécie de argumento.
Eu li um livro de um sacerdote “progressista”, “pra frente”, sobre Lourdes que sustenta que numa ciência médica e biológica evoluída, pode admitir a idéia da cura como tampouco nenhuma prova das aparições.
Isto assim, dito numa palavra: ele destrói todas as provas que existem, sem nenhum raciocínio.
Então, qual é a prova de que a Nossa Senhora apareceu para a Bernadette em Lourdes?
Os senhores podem chamar esses padre “modernos” e discutir com eles como quiserem, eles não mudam de ideia.
E até alguém vendo o padre não mudar de ideia, ele pode ficar achando que ele tem razão porque nunca se fala diferente de um padre.
Esta dureza face às manifestações mais fulgurantes do sobrenatural como acontece nos milagres de Lourdes, explica porque Nossa Senhora acenou com o inferno ao pastorzinhos de Fátima.
E mostrou o inferno e a irmã Lúcia e os bem-aventurados Francisco e Jacinta viram caírem nele incontáveis almas.
Os videntes de Fátima ficaram horrorizados
vendo quantas almas vão para o inferno
Compreende-se assim melhor a razão de ser do inferno: a dureza dos corações que negam a verdade a mais evidente.
Então não espanta que Deus não tenha outra opção senão mandar para o inferno. Porque se recusa sem cessar a evidência da Fé, do milagre, e quer ser assim, então seja assim por toda a eternidade.
O lugar, para esses, é no inferno.
A recusa dos milagres de Lourdes justifica o dogma do inferno, maravilhosamente.
Essa obstinação invencível tem como corolário normal e correspondente, a perenidade das penas do inferno.
(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 3/2/65. Texto não revisto pelo autor)
Reprodução da Gruta de Lourdes nos jardins do Vaticano
Nos jardins do Vaticano existe uma reprodução da Gruta de Lourdes.
Ela foi ali instalada mediante uma doação do bispo de Tarbes – diocese onde está Lourdes –, D. Francisco Xavier Schoepfer, ao Papa S.S. Leão XIII.
As duas personalidades religiosas estão retratadas em medalhões na fachada da Gruta, que foi desenhada pelo arquiteto dos Sagrados Palácios Apostólicos, Costantino Schneider.
Em 1° de junho de 1902 a gruta foi visitada pela primeira vez pelo Papa, na presença de numerosos Cardeais, Bispos e do público.
A construção foi financiada por uma coleta especial promovida pelos Missionários da Imaculada em todo o mundo católico.
Imagem na reprodução da Gruta de Lourdes nos jardins do Vaticano
Em 1902, havia 23 anos que Santa Bernadette deixara esta terra.
Ela morreu como freira da Caridade e da Educação Cristã no ano de 1879, em Nevers, com a idade de 35 anos.
Porém, a inauguração solene só aconteceu no pontificado de São Pio X, em 28 de março de 1905.
São Pio X, que no mundo se chamava Giuseppe Melchiorre Sarto, foi eleito em 4 de agosto 1903. Em 1912, ele determinou que a diocese de Tarbes mudasse de nome para Tarbes-Lourdes.
São Pio X teve muita influência na promoção da devoção a Nossa Senhora de Lourdes e estimulou vivamente os bispos a reconhecerem os milagres que estavam pendentes de aprovação eclesiástica.
Muitos bispos tinham medo de desafiar o laicismo cristofóbico da época e deixavam engavetados processos em que a ciência reconhecia não haver explicação humana para as curas havidas.
Bernadette Soubirous foi beatificada em 1925 e canonizada em 1933. Naquele ano, o Papa Pio XI decidiu demolir uma das partes secundárias da Gruta no Vaticano, a qual havia suscitado críticas estéticas e estava em mau estado.
O altar veio de Lourdes
Em 1960, D. Théas, bispo de Tarbes e Lourdes, doou ao Papa o altar que havia sido feito para a Gruta de Lourdes por ocasião do cinquentenário das aparições.
A simplicidade da cópia da Gruta de Lourdes nos jardins do Vaticano evoca a despretensão da própria gruta de Massabielle.
Ao lado da gruta vaticana foi montada uma fonte recordando o pedido feito por Nossa Senhora a Santa Bernadette de ir à fonte de Lourdes para se lavar e beber dela.
No dia 31 de maio de cada ano, o Papa dirige a palavra aos fiéis que participaram da procissão de encerramento do mês mariano junto a esta reprodução da Gruta de Lourdes.
Não muito antes da aparição de Nossa Senhora em Lourdes, o bem-aventurado Papa Pio IX proclamou o dogma da Imaculada Conceição.
"Eu sou a Imaculada Conceição": plavras de Nossa Senhora em Lourdes, pronunciadas no dialeto da região de Santa Bernadette
Essa proclamação aconteceu em 8 de dezembro de 1854.
O glorioso Papa visou em primeiro lugar a afirmação de um dogma de grande importância para o progresso da mariologia dentro da Igreja;
Em segundo lugar ele queria com a afirmação desse dogma, tão profundamente anti-igualitário, esmagar o ceticismo do século.
Beato Pio IX, papa que previamente proclamou o dogma da Imaculada Conceição atraíndo sobre si o ódio anti-cristão
É curioso que exatamente os milagres de Lourdes são de natureza a esmagar o ceticismo .
E a própria aparição de Lourdes veio como uma confirmação do dogma, uma vez que Nossa Senhora declarou que Ela era a Imaculada Conceição.
Foi um prêmio e uma confirmação da veracidade do dogma.
Face à impiedade revolucionária do século, o Beato Pio IX fez o contrário de dar a carne para a fera. Ele enfrentou o pecado, o laicismo, o espírito de revolta igualitário e sensual.
Então, a Providência interveio dando uma série estupenda de milagres.
Os milagres de Lourdes, debaixo desse ponto de vista, confirmam a estratégia do santo Papa.
Essa estratégia foi a seguinte: a impiedade a gente enfrenta, não se faz gentilezas, nem se recua, mas se enfrenta.
Há, portanto, uma dupla confirmação em Lourdes: a confirmação do dogma e a aprovação da oportunidade.
Quando se medita a respeito de Lourdes é apropriado refletir no caráter anti-revolucionário autêntico do B. Pio IX.
Assim agindo, ele atraiu as boas graças de Nossa Senhora e o início do maravilhoso cortejo de milagres que chega até nossos dias.
(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 8.12.63. Sem revisão do autor)
Uma das primeiras fotos da Gruta.
É de se observar que a imagem atual ainda não havia sido instalada,
e muitas pedras originais ainda não haviam sido removidas
Todavia, naquele 11 de fevereiro a luta pela vida continuou implacável.
O pai, Francisco, deitou-se entre esgotado e deprimido.
O frio em Lourdes corta a pele como uma navalha e não havia lenha na lareira.
Bernadette prontificou-se a colher gravetos num bosque vizinho. Iria junto com umas amigas que também tinham necessidade.
Louise, a mãe, não queria pois a saúde de Bernadette, que padecia de asma, andava fraca.
Porém, a necessidade e a insistência da filha levaram-na a aceitar. Aliás, Louise, ainda venderia uma parte daqueles gravetos e conseguiria fazer mais uma pobre sopa quente para o marido e os filhos naquela noite.
Bernadette foi, como sempre, levando seu terço no bolso. A mãe fez questão que voltasse para assistir às vésperas na igreja.
As meninas partiram com a ingênua alegria das almas sofridas, despretensiosas, generosas e sacrificadas.
Elas discutiram um pouco onde achar os melhores gravetos sem contrariar os proprietários dos bosques. Disputaram um pouquinho sobre o caminho a percorrer. Afinal puseram-se de acordo. Bernadette saiu na frente indicando a estrada.
Ouçamo-la contar ela própria o que então sucedeu.
“A primeira vez que fui à gruta, era quinta-feira, 11 de fevereiro. Fui para recolher galhos secos com outras duas jovens.
“Quando estávamos no moinho, eu lhes perguntei se queriam ver onde a água do canal se encontrava com o Gave. Elas me responderam que sim. De lá, seguimos o canal e nos encontramos diante de uma gruta, não podendo mais prosseguir.
“Minhas duas companheiras se colocaram em condição de atravessar a água que estava diante da gruta. Elas a atravessaram e começaram a chorar. Perguntei-lhes por que choravam, e disseram-me que a água estava gelada.
“Pedi que me ajudassem a jogar pedras na água, para ver se podia passar sem tirar meus sapatos, mas disseram-me que devia fazer como elas, se quisesse. Fui um pouco mais longe, para ver se podia passar sem tirar meus sapatos, mas não poderia”.
Esta preocupação se explica porque Bernadette sofria de asma, e a mãe não queria que tomasse friagem. Prossegue o relato:
“Então, regressei diante da gruta e comecei a tirar os sapatos. Tinha acabado de tirar a primeira meia, quando ouvi um barulho como se fosse uma ventania.
“Então girei a cabeça para o lado do gramado, do lado oposto da gruta. Vi que as árvores não se moviam, então continuei a tirar meus sapatos.
“Ouvi mais uma vez o mesmo barulho. Assim que levantei a cabeça, olhando a gruta, vi uma Dama vestida de branco.
“Tinha um vestido branco, um véu branco, um cinto azul e uma rosa em cada pé, da cor da corda do seu terço.
“Eu pensava ser vítima de uma ilusão. Esfreguei os olhos, porém olhei de novo e vi sempre a mesma Dama. Coloquei a mão no bolso, para pegar o meu terço. Queria fazer o sinal da cruz, mas em vão. Não pude levar a mão até a testa, a mão caía.
“Então o medo tomou conta de mim, era mais forte que eu. Todavia, não fugi. A Dama tomou o terço que segurava entre as mãos e fez o sinal da cruz. Minha mão tremia, porém tentei uma segunda vez, e consegui. Assim que fiz o sinal da cruz, desapareceu o grande medo que sentia, e fiquei tranqüila.
“A canção de Bernadette”:
Um filme inesquecível
com toda a vida de Sta. Bernadete
Completo em português
“Coloquei-me de joelhos. Rezei o terço, tendo sempre ante meus olhos aquela bela Dama. A visão fazia escorrer o terço, mas não movia os lábios.
“Quando acabei o meu terço, com o dedo Ela fez-me sinal para me aproximar, mas não ousei. Fiquei sempre no mesmo lugar. Então desapareceu imprevistamente.
“Comecei a tirar a outra meia para atravessar aquele pouco de água que se encontrava diante da gruta, para alcançar as minhas companheiras e regressarmos. No caminho de volta, perguntei às minhas companheiras se não haviam visto algo.
“— Não.
“Perguntei-lhes mais uma vez, e disseram-me que não tinham visto nada. Eu lhes roguei que não falassem nada a ninguém. Então elas me interrogaram:
“— E tu viste algo?
“Eu lhes disse que não.
“— Se não viste nada, eu também não.
“Pensava que tinha me enganado. Mas retornando a casa, na estrada me perguntavam o que tinha visto. Voltavam sempre àquele assunto. Eu não queria lhes dizer, mas insistiram tanto, que decidi dizê-lo, mas na condição de que não contassem para ninguém.
“Prometeram-me que manteriam o segredo. Mas assim que chegaram às suas casas, a primeira coisa que contaram foi que eu tinha visto uma Dama vestida de branco. Esta foi a primeira vez”.
A última vez que Santa Bernadette viu a Nossa Senhora na gruta de Lourdes foi no dia 16 de julho de 1858, festa de Nossa Senhora do Carmo, ou do Monte Carmelo.
Trata-se de mais antiga devoção a Nossa Senhora, pois originou-se no Antigo Testamento.
Por isso, na Missa desta festa, em lugar da Epístola, a Igreja mandava ler o seguinte trecho do Antigo Testamento:
"Eu sou a mãe do amor formoso, e do temor, e do conhecimento, e da santa esperança. Em mim há toda a graça do caminho e da verdade, em mim toda a esperança da vida e da virtude. Passai-vos a mim todos os que me cobiçais, encheivos dos meus frutos; porque o meu espírito é mais doce do que o mel, e a minha herança vence em doçura o mel e o favo" (Ecl 24, 24-27)
Naquele dia, Santa Bernadette voltou a sentir um apelo interior de Nossa Senhora para ir à Gruta.
Apenas tinha começado a reçar o terço, que as mãos de Bernadette se afastaram em sinal de jubilosa surpresa.
Ela ficou rezando o terço um bom tempo.
A aparição foi silenciosa. No caminho de volta, a Santa disse:
A Gruta, aliás, estava fechada com cercas e o governo proibia
comparecer.
Mas, a Santa foi disimuladamente acompanhada de poucas
mulheres. Ficaram do outro lado do rio Gave.
- "Eu não via os tapumes, nem o rio Gave. Me parecia estar na gruta, sem que houvesse maior distância que as outras vezes. Eu só via a Santíssima Virgem", contou ela.
Também na última aparição de Fátima, em 13 de outubro de 1917, Nossa Senhora quis aparecer vestida como Nossa Senhora do Carmo.
O fato sublinha a continuidade entre Lourdes e Fátima. Existirá, além do mais, alguma conexão com a continuidade dos "filhos dos profetas" de Santo Elias?
No convento de Saint-Gildard, Nevers, onde era freira, Santa Bernadette passou suas ultimas horas de vida, longas e dolorosas, numa cadeira...
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Sinos da Basílica de LourdesTodos os sinos da BasílicaAve-Maria de Lourdes
Santa Bernadette Soubirous, corpo incorrupto - CLIQUE NA FOTO
INSCREVA-SE
O milagre da conversão do emir islâmico de Lourdes
Em 778, Carlos Magno, o invencível Imperador cristão, com seus francos cercou a fortaleza de Lourdes e tentou conquistá-la pela fome. Ela estava nas mãos de Mirad, um emir muçulmano. O rochedo era virtualmente inconquistável, salvo pela fome.
Quando a cidadela ia cair aconteceu um estranho prodígio: uma águia trouxe um peixe fresco no bico. O astuto emir enviou o peixe a Carlos Magno para fazer crer que a fortaleza tinha viveres para resistir por muito tempo...
O santo bispo de Puy percebeu a cilada do demônio. E decidiu subir ele próprio ao rochedo para falar com o indômito e desafiante líder do Islã...