quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O verdadeiro feitio moral de Santa Bernadette

Santa Bernadette
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








Sobre a vida Santa Bernadette Soubirous, Virgem, a quem Nossa Senhora apareceu, em Lourdes, o conceituado hagiógrafo Rorbacher diz o seguinte:

“Bernadette Soubirous era uma criança em tudo igual às outras. Nela só se destacavam a expressão do olhar de invulgar inocência”.

“Na primeira aparição, Bernadette só pode fazer o Sinal da Cruz depois que Nossa Senhora o fez. Mas segundo numerosas testemunhas, depois dessa visão, em toda a vida de Bernadette, seu Sinal da Cruz era inigualável e realmente inesquecível. Um sinal inimitável, pois a vidente o aprendera com a Santíssima Virgem.”

“Uma ocasião, no convento, insistiam com a Irmã Bernarda para que dissesse como era o vestido com o qual Nossa Senhora lhe aparecia. Uma das religiosas dizia que era desta fazenda, outra, daquela. Respondeu-lhe Bernadette:

“`Eu não disse que o vestido era disso ou daquilo. Era de um pano que nunca vi. Ademais, se querem saber tanta coisa, fazei Nossa Senhora voltar outra vez e vede bem'.

“Grande era sua humildade. Quando alguém a procurou certa vez para que dissesse algumas palavras de edificação às noviças, respondeu sorrindo: `Ai, nada sei. O que se pode arrancar de uma pedra, minha Irmã?'

“Perguntou-lhe sua superiora se não se sentia orgulhosa por ter sido escolhida por Maria para lhe ser a confidente.

“Respondeu: `Que idéia a senhora faz de mim? A Santíssima Virgem escolheu-me porque eu era a mais ignorante. Se Ela achasse uma outra mais ignorante do que eu, ter-lhe-ia escolhido certamente.'”

“Os contínuos sofrimentos e vômitos de sangue aniquilavam lentamente a vidente. Seu aspecto físico demonstrava esse aniquilamento e a santa, ao lado disso, buscava apagar-se no convento.

“Conseguiu-o de tal maneira que uma postulante, ao entrar para o convento, declarou que queria conhecer Bernadette, Justamente quando ela passava no momento, a mostraram dizendo: “Bernadette, é isto” (“Bernadette, c'est ça”).

Santa Bernadette, jovem camponesa de Lourdes
Santa Bernadette era uma camponesa de uma zona dos Pirineus meio espanholada e que constitui uma síntese entre a Espanha e a França. Ela tinha mais cara de francesa até do que de espanhola.

O rosto é ligeiramente dado para o quadrado, traços regulares e bem feitos, um olhar preto, grande, e com uma fixidez hispânica que o olhar francês não tem.

O olhar francês é muito rápido e passa de um lado para outro. Ela tem um olhar espanhol que crava as verrumas e que olha mesmo. Ela possuía um nariz espanhol, que é um traço de coerência de toda a fisionomia.

O feitio de espírito dela era taxativo. Era de dizer as coisas no duro. Era ela uma pessoa educada com muita simplicidade, tinha muita elevação de alma, mas o que ela pensava, ela dizia mesmo.

O todo dela era de um degagé completo: como quem no fundo não pretende ser nada. Ela era humilde diante de todo mundo, mas no serviço de Nossa Senhora. Por exemplo: ela ia para as aparições e podia se envaidecer, porque imagine uma multidão enorme ali reunida para vê-la falar com Nossa Senhora!

Quanto mais pequena é a cidade da gente, mais a gente dá importância a ela. É mais fácil um paulistano falar mal de São Paulo, do que um birigüense falar mal de Birigüi.

Então, compreende-se o que seria para Santa Bernadette, Lourdes inteira estar ali. Era uma coisa colossal.

Santa Bernadette, foto após as apariçõesMas, ela não se envaidecia, não dava importância nenhuma, continuava a ter toda a naturalidade diante de todo mundo. Chamada pela polícia para tratar das suas revelações, ela se portava em relação aos policiais com desassombro e naturalidade extraordinários.

Entretanto, em relação aos pais e às pessoas respeitáveis, como o vigário dela e sua superiora religiosa, era um modelo de respeito e obediência.

Aí está bem o espírito de verdadeira ultramontana, da verdadeira católica, da verdadeira santa, que não liga para as pompas deste mundo; que não dá importância a ser tida em grande ou pequena conta e que por causa disso calca tudo aos pés.

Porque se eu dou importância a que me aplaudam, acabo não tendo liberdade de me mover a não ser na medida em que aplaudirem. Eu danço conforme tocam.

Para eu ter sobranceria, é preciso não ligar ao mundo. Gostou? Gostou. Não gostou? Gostasse. Eu sou assim e faço assim porque cumpro meu dever, porque a Santa Igreja Católica manda. Você achou feio? Fique achando, porque a coisa é exatamente assim: essa era esta atitude de Santa Bernadette Soubirous.

Mas, diante das autoridades legítimas, o sumo de obediência e respeito, porque um há princípio sobrenatural em jogo. Para os fatores meramente humanos, zero. Para aquilo que tem uma raiz religiosa e que vem de Deus, todo o respeito devido.

Santa Bernadette, religiosa em NeversSanta Bernadette Soubirous converteu inúmeras pessoas durante as visões por causa do Sinal da Cruz. Ela tomou um amor ao sofrimento, um amor à cruz de Cristo, de onde algo da unção de Nossa Senhora passava por ela quando ela fazia o Sinal da Cruz.

A vida inteira foi para todos uma edificação ver como ela fazia o Sinal da Cruz, que tantas vezes a gente faz sem dar importância.

Quando começava a visão, ela se transfigurava. E ela, simples camponesa, tornava-se de uma majestade que impressionava todo mundo.

Uma senhora da sociedade que a viu durante a revelação, disse que nunca viu uma moça da aristocracia que tivesse o porte e a figura de Santa Bernadette durante as revelações. Porque ela estava tratando com a Rainha do Céu e da Terra algo de régio esta Rainha comunicava a alma dela um estado de virtude.

Muita gente vendo isto percebia que Nossa Senhora estava falando com ela. Não porque visse Nossa Senhora, mas porque via nela um espelho de Nossa Senhora. E ela era uma espécie de Speculum Mariae, na ocasião das revelações.

As virtudes de Nossa Senhora se comunicam aos seus devotos, e os seus devotos inalam aquilo que está em Nossa Senhora. Há uma comunicação de Nossa Senhora a seus devotos que é admirável.

Santa Bernadette, religiosa
Santa Bernadette tinha uma nota de comicidade e de polemismo que às vezes chegava até o pontiagudo e que indica o temperamento borbulhante dela. Por exemplo seu dito: “Se quiserem saber tanto sobre Nossa Senhora, tratem de ver que Ela apareça”. Ela tinha muitos ditos engraçados assim. A superiora dela várias vezes burilou, poliu e no fim ela deixou.

Nossa Senhora escolheu-a porque era ela a mais ignorante de Lourdes. Ela era uma boa menina, mas não era uma santa antes das revelações. Nossa Senhora a escolheu, porque um dos argumentos extraordinários para confirmar as revelações era a ignorância dela.

Santa Bernadette era muito baixinha, viva, mas passava facilmente desapercebida.

A Santa Bernadette Nossa Senhora revelou um segredo e sobre este segredo ela nunca disse nada. Então, três grandes aparições mariais, as três com segredos: Nossa Senhora da Salette: segredo; Nossa Senhora de Lourdes: segredo; e Nossa Senhora de Fátima: segredo.

Peçamos a Santa Bernadette que nos obtenha uma grande devoção a Nossa Senhora; que faça com que cada vez mais se dê essa comunicação das virtudes de Nossa Senhora para nós.

Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, conferência de 15/4/1966, sem revisão do autor.


Acompanhe online o que está acontecendo agora na própria gruta de Lourdes pela Webcam do santuário.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Lourdes, a cura e a confiança

Piscina de Lourdes
Piscina de Lourdes
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
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Todos ouviram falar de Lourdes, na França, o santuário famoso onde se curam doentes.

Descem trens inteiros com doentes.

Vêm famílias, amigos juntos e carregam os doentes até a gruta.

Chegam ao Bureau de exame médico, fazem exame para ver se estão doentes mesmo.

Alguns são doentes imaginários e outros são doentes mesmo.

Mas todos eles podem tomar o banho na água da Gruta que Nossa Senhora pediu.

Vamos dizer que, em cada dez mil que tomam banho naquela água, um se cura.

Que certeza tem a pessoa que é ela que vai se curar?

Provável não é, porque uma porção não se cura.

Piscinas de Lourdes, setor feminino
Piscinas de Lourdes, setor feminino
Depois há o seguinte: às vezes, na hora de entrar na água, a pessoa que entra recebe um chamado interior:

“Meu filho, você seria curado agora. Quer continuar doente, para que a cura seja dada a outro, a quem Eu quero curar?”

É muito bonito, mas o indivíduo não foi a Lourdes para que outro fosse curado.

Ele foi à Lourdes para curar a si próprio. Se a graça pede, ele concorda, e é outro que é curado, que ele não sabe quem é.

Piscinas de Lourdes, setor masculino
Piscinas de Lourdes, setor masculino
É uma coisa linda. Que certeza a pessoa tem, depois que desceu do trem e está na gruta, perto da água, que na hora de imergir a graça não vai pedir: “Desista da tua cura”?

Para se ter certeza de que vai ser o curado, é preciso ter um movimento interior da graça – a graça confiança é isso.

Caso contrário, não tem razão.

Acreditar como? De onde vem essa certeza? Vem do mundo da lua? Não pode ser.

A Igreja é sede de sabedoria, não pode pedir às pessoas um ato de convicção numa coisa que não tem razão para estar convicto.

Uma das piscinas de Lourdes
Uma das piscinas de Lourdes
Mas vem uma moção da graça que diz interiormente: “Meu filho é você!”

E a gente acredita nesse movimento da graça. E porque a gente aceita esse movimento, a gente crê. Essa é a confiança.

Se a pessoa duvidar, aquela promessa interior não se realiza.

Mas, se não duvidar, merece a realização da promessa interior.


A gruta de Lourdes




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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Santa Bernadete fugia dos que queriam vê-la

Capela do convento. Aqui pode se ver o corpo de Santa Bernadete.
Capela do convento de Nevers onde pode se venera o corpo de Santa Bernadette.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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sócio do IPCO,
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No hospital de Lourdes como pupila e mais tarde no convento de Saint-Gildard em Nevers, como religiosa, Santa Bernadete trabalhou na enfermaria.

O trabalho lhe aprazia, pois atendia a seu profundo desejo de se consagrar aos mais pobres e desvalidos.

Tanto no hospital de Lourdes quanto no convento de Nevers a Santa não pôde evitar inteiramente as visitas mais categorizadas que queriam conhecê-la.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sínodo da Família: as trevas tentam envolver a família cristã glorificada em Lourdes

A Sagrada Família: modelo arquetípico e perfeito da família hoje atacada. Nicolás Rodríguez Juárez (Mexico, 1667-1734). Los Angeles County Museum of Art
A Sagrada Família: modelo arquetípico e perfeito da família hoje atacada.
Nicolás Rodríguez Juárez (Mexico, 1667-1734). Los Angeles County Museum of Art



A atmosfera que cercou o dogma da Imaculada Conceição e as graças que vieram com Lourdes pouco mais ou menos até nossos dias é contraditada por muita coisa que se pode ver hoje. Aliás, muito infelizmente.

A família está sendo atacada, desmoralizada, achincalhada com formas perversas de “casamento” e de uniões mal chamadas de “família”.

E até no Sínodo da Família que deveria defender a pureza do lar e da unidade matrimonial, altas vozes propõem fórmulas que degradam esse reduto sagrado que só a família bem constituída pode erigir e manter.

Em Lourdes, Nossa Senhora veio confirmar para Santa Bernadette, e por meio dela à Igreja toda: “Eu sou a Imaculada Conceição”.