quarta-feira, 25 de abril de 2018

Paradoxo em Lourdes: muitos milagres reconhecidos pela ciência e poucas proclamações canônicas

Alice Couteault: um dos milagres estudados e aprovados
Alice Couteault: um dos milagres reconhecidos
e canonicamente aprovados
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Até 1998, 6.772 casos foram julgados “inexplicáveis”. Mas só 68 foram reconhecidos oficialmente pela Igreja.

O mais recente reconhecimento aconteceu em 11 de fevereiro de 2018, na pessoa da irmã Bernadette Moriau, da diocese de Beauvais, França, curada em 11 de julho de 2008.

Tais cifras são como “a árvore que oculta a floresta que há por trás”, segundo um ditado francês.

Com efeito, muitas pessoas não sabem que existe o Bureau Médico, não se apresentam e nenhuma apuração pode ter lugar.

Muitas outras não conservam, ou não tiveram a documentação médica que serve para documentar o milagre ou, ainda, não podem voltar nos anos seguintes para os exames indispensáveis.

Um número ainda maior é objeto de curas que os beneficiados têm certeza de serem sobrenaturais. Mas as doenças não têm características ou proporções para serem apresentadas ao Bureau.

Por exemplo, mau funcionamento de órgãos, distúrbios neuro-vegetativos ou psiquiátricos.

Maior ainda é o número de males de tipo espiritual ou moral, casos que não são suscetíveis de análise médica.

Ainda mais vasto é o leque dos favorecidos com graças que resolvem problemas de índole familiar, afetiva, profissional, econômica etc., que não entram no âmbito da medicina.



A crise da Igreja e a “pusilanimidade” freiam muitos reconhecimentos

Pode-se perguntar: havendo mais de seis mil casos certificados como inexplicáveis, por que apenas 70 foram reconhecidos pela Igreja?

Em 1862 — isto é, quatro anos após as aparições — foram proclamados sete milagres, mas depois houve silêncio até 1907.

Esse período foi marcado por governos ateus ou anticlericais na Franca. O Prof. Yves Chiron no livro “Enquête sur les miracles de Lourdes” (“Inquérito sobre os milagres de Lourdes”, Ed. Perrin, Paris, col. Synthèses historiques, 2008) julga que os bispos naquela circunstância histórica deixaram-se levar pela “pusilanimidade”.

Tinham medo de “ofender” governos que impulsionavam a Revolução anticristã declarando publicamente a veracidade dos milagres.

São Pio X estimulou os bispos a reconhecerem os milagres
São Pio X estimulou os bispos a reconhecerem os milagres
Tal situação cessou com São Pio X.

Este Papa, consciente do dever de todo Vigário de Cristo, deu mais uma prova de sua prudência e determinação.

Incitou corajosamente os Bispos franceses a reconhecerem os milagres, de preferência em cerimônia de grande aparato e edificação para os fiéis.

Foi assim que entre 1907 e 1913 ocorreram 33 proclamações, a metade de todas as havidas em quase 150 anos de milagres.

Porém, com a morte do Pontífice santo, o “desinteresse dos Bispos” provocou um novo “silêncio da Igreja”, segundo Chiron.

A omissão abrandou-se um pouco no fim do espantoso cortejo de catástrofes, com dezenas de milhões de mortes, da Segunda Guerra Mundial.

A partir de 1946 houve reconhecimentos eclesiásticos, embora a conta-gotas. Mas cessaram em 1965, ano de encerramento do Concílio Vaticano II.

“Bom número de Bispos tem podido julgar as proclamações de milagres como 'inaptas pastoralmente', considerando o espírito dos tempos pós-conciliares”, conclui o Prof. Chiron.

Entretanto, merecem menção duas felizes exceções: uma em 1976 e outra em 1978. Depois, o deserto de proclamações continuou até 1999, quando o Bispo de Angoulême (França) reconheceu canonicamente o caráter autêntico de uma cura.

E ainda mais recentemente duas na Itália e uma na França. Sem dúvida muito pouco considerando os milhares de processos científicos declarando que as curas foram inexplicáveis segundo as ciências humanas.

Chiron registra uma tendência, entre altos eclesiásticos, de tratar a palavra milagre como se fosse proibida. Em seu lugar, utilizam-se fórmulas pouco claras para o comum dos fiéis ou que diminuem a importância da cura milagrosa.


Leia na coluna da esquerda, um por um, todos os milagres reconhecidos.



Acompanhe online o que está acontecendo agora na própria gruta de Lourdes pela Webcam do santuário. 



2 comentários:

  1. É realmente muito triste esta situação,porque a Igreja poderia edificar muita gente por meio da divulgação e "exploração" dessas graças...
    Felizmente Lourdes segue como um lugar extraordinário de cura,onde a Imaculada acolhe seus filhos.Amém!

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  2. Eu recebi uma grande graça na Gruta de Lurdes na minha Cidade Porto Alegre Rio Grande do Sul, eu nasci cega com catarata congênita, e na época os médicos do hospital santa Luzia não puderam fazer nada por mim, e cresci cega até 5 aos 6 anos de idade, mas eu lembro que minha mãe e minha avó, me levaram caminhando vários dias seguidos até a gruta de Lurdes, eu era muito pequena mas lembro das longas caminhadas e todos os dias minha mãe e minha avó lavavam meus olhos com a água da gruta, e diante da virgem apos alguns dias eu fui curada e sem nenhum tipo de cirurgia física, uma porque na época não existiam tratamento para essa doença, e hoje enxergo perfeitamente bem, e tenho testemunhos sobre meus olhos recentemente tomei um antibiótico que desencadeou um glaucoma e tive atendimento com medicações e cirurgia com raio lazer e os médicos ficaram impressionados pela marca de cirurgia em meu olho direito e me questionaram sobre o porque dessa marca cirúrgica e com o Glaucoma minha córnea inflamou e a cirurgia que nunca fiz mostrou pra minha família a grandiosidade desse milagre concedido a minha humilde pessoa, e se não fosse o uso indevido dessa medicação receitada por uma medica eu jamais poderia convencer minha própria família sobre a doença e cura de uma cegueira de nascença, e que Deus abençoe minha ma~e e minha avo por terem tido muita fé na Nossa senhora de Lurdes.

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