quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Nossa Senhora não estará batendo
nas portas de minha alma?

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Quantas vezes Nossa Senhora bateu nas portas de minha alma?

Provavelmente não foi num momento só, mas foi numa série de ocasiões.

Também provavelmente não foi apenas num momento definido, mas em momentos indefinidos, em que eu não estava prestando bem atenção, ou não estava esperando, etc.

Mas Nossa Senhora convidou minha alma a aceitar a graça, como a mãe que puxa a criancinha que não entende bem; várias vezes, muitas vezes, até que eu me dei conta de que a Igreja Católica era divina.

Mas, percebendo-a divina, amei-a muitíssimo!

E nesse momento eu compreendi implicitamente a invencibilidade dela.

E, no implícito do implícito, Ela patenteou que não poderia ser destruída, nem podia perder essa batalha colossal que fazem hoje contra Ela.

Daí Nossa Senhora comunica a certeza de que terá de vir uma vitória tão grande da Igreja, maior do que é atualmente a desgraça.

Essa mensagem palpita em Lourdes: Nossa Senhora, Mãe da Igreja, vencerá. Vencerá o caos que a gente sente em volta e talvez até dentro.


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quarta-feira, 19 de julho de 2023

Paradoxo em Lourdes: muitos milagres reconhecidos pela ciência e poucas proclamações canônicas

Alice Couteault: um dos milagres estudados e aprovados
Alice Couteault: um dos milagres reconhecidos
e canonicamente aprovados
Luis Dufaur
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Até 1998, 6.772 casos foram julgados “inexplicáveis”. Mas só 68 foram reconhecidos oficialmente pela Igreja.

O mais recente reconhecimento aconteceu em 11 de fevereiro de 2018, na pessoa da irmã Bernadette Moriau, da diocese de Beauvais, França, curada em 11 de julho de 2008.

Tais cifras são como “a árvore que oculta a floresta que há por trás”, segundo um ditado francês.

Com efeito, muitas pessoas não sabem que existe o Bureau Médico, não se apresentam e nenhuma apuração pode ter lugar.

Muitas outras não conservam, ou não tiveram a documentação médica que serve para documentar o milagre ou, ainda, não podem voltar nos anos seguintes para os exames indispensáveis.

Um número ainda maior é objeto de curas que os beneficiados têm certeza de serem sobrenaturais. Mas as doenças não têm características ou proporções para serem apresentadas ao Bureau.

Por exemplo, mau funcionamento de órgãos, distúrbios neuro-vegetativos ou psiquiátricos.

Maior ainda é o número de males de tipo espiritual ou moral, casos que não são suscetíveis de análise médica.

Ainda mais vasto é o leque dos favorecidos com graças que resolvem problemas de índole familiar, afetiva, profissional, econômica etc., que não entram no âmbito da medicina.

A crise da Igreja e a “pusilanimidade” freiam muitos reconhecimentos

Pode-se perguntar: havendo mais de seis mil casos certificados como inexplicáveis, por que apenas 70 foram reconhecidos pela Igreja?

Em 1862 — isto é, quatro anos após as aparições — foram proclamados sete milagres, mas depois houve silêncio até 1907.

Esse período foi marcado por governos ateus ou anticlericais na Franca. O Prof. Yves Chiron no livro “Enquête sur les miracles de Lourdes” (“Inquérito sobre os milagres de Lourdes”, Ed. Perrin, Paris, col. Synthèses historiques, 2008) julga que os bispos naquela circunstância histórica deixaram-se levar pela “pusilanimidade”.

Tinham medo de “ofender” governos que impulsionavam a Revolução anticristã declarando publicamente a veracidade dos milagres.

São Pio X estimulou os bispos a reconhecerem os milagres
São Pio X estimulou os bispos a reconhecerem os milagres
Tal situação cessou com São Pio X.

Este Papa, consciente do dever de todo Vigário de Cristo, deu mais uma prova de sua prudência e determinação.

Incitou corajosamente os Bispos franceses a reconhecerem os milagres, de preferência em cerimônia de grande aparato e edificação para os fiéis.

Foi assim que entre 1907 e 1913 ocorreram 33 proclamações, a metade de todas as havidas em quase 150 anos de milagres.

Porém, com a morte do Pontífice santo, o “desinteresse dos Bispos” provocou um novo “silêncio da Igreja”, segundo Chiron.

A omissão abrandou-se um pouco no fim do espantoso cortejo de catástrofes, com dezenas de milhões de mortes, da Segunda Guerra Mundial.

A partir de 1946 houve reconhecimentos eclesiásticos, embora a conta-gotas. Mas cessaram em 1965, ano de encerramento do Concílio Vaticano II.

“Bom número de Bispos tem podido julgar as proclamações de milagres como 'inaptas pastoralmente', considerando o espírito dos tempos pós-conciliares”, conclui o Prof. Chiron.

Entretanto, merecem menção duas felizes exceções: uma em 1976 e outra em 1978. Depois, o deserto de proclamações continuou até 1999, quando o Bispo de Angoulême (França) reconheceu canonicamente o caráter autêntico de uma cura.

E ainda mais recentemente duas na Itália e uma na França. Sem dúvida muito pouco considerando os milhares de processos científicos declarando que as curas foram inexplicáveis segundo as ciências humanas.

Chiron registra uma tendência, entre altos eclesiásticos, de tratar a palavra milagre como se fosse proibida. Em seu lugar, utilizam-se fórmulas pouco claras para o comum dos fiéis ou que diminuem a importância da cura milagrosa.


Leia na coluna da esquerda, um por um, todos os milagres reconhecidos.



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quarta-feira, 5 de julho de 2023

Milionário atribuiu seu sucesso
a Nossa Senhora de Lourdes

O Padre Nicola Ventriglia Omi, mostra fotos de Michele Ferrero no Santuário de Lourdes
O Padre Nicola Ventriglia Omi, mostra fotos de Michele Ferrero
no Santuário de Lourdes
Luis Dufaur
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No dia de São Valentim, faleceu o mais bem-sucedido empresário de doces e bombons da Itália.

Nascido em 1924, Michele Ferrero possuía uma fortuna calculada em 20,5 bilhões de euros, a maior do país e a quarta da Europa.

Embora megamilionário, Ferrero era muito diferente do “jet-set”: um ativo devoto de Nossa Senhora de Lourdes, a quem atribuía a vertiginosa ascensão de sua empresa, segundo a Fundação Cari Filii.

Esse filho de chocolateiros da pequena cidade de Alba não se fez rico com malabarismos ou manobras confusas.

Ele continuou com a tradição familiar, aplicando muito trabalho e inteligência, mas depositando suas esperanças em Nossa Senhora.

Em 1964, melhorando uma fórmula de seu pai, Ferrero criou Nutella. Lançou também o ovo de chocolate Kinder e as linhas Ferrero Rocher e Mon Cheri.

Sua empresa vendia o equivalente a oito bilhões de euros por ano, sendo superada somente pela Nestlé, que possui um leque muito mais vasto de produtos, no setor dos doces.

Na entrada de cada uma de suas 20 fábricas existentes no mundo ele mandou colocar uma coluna com uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes.

Segundo o insuspeito quotidiano britânico The Guardian, a marca Rocher é uma alusão à pedra da Gruta de Massabielle, onde Nossa Senhora apareceu para Santa Bernadette.

Michele Ferrero: “o sucesso da Ferrero é mérito da Virgem de Lourdes.
Sem ela, nós pouco podemos”
Michele foi um exemplo vivo de que ninguém é ruim por ser rico, e que a riqueza é dada por Deus para fazer o bem.

Michele organizava todo ano uma peregrinação de seus empregados franceses ao Santuário de Lourdes, onde ele próprio costumava presidir a procissão das velas no final do dia.

E levava altos diretores de sua holding para participarem do ato religioso, invocando a intercessão de Santa Bernadette ante Nossa Senhora.

“As estratégias do grupo se debatiam entre terços e orações”, garante Giuseppe Rossetto, prefeito da cidade de Alba durante dez anos.

“O sucesso da Ferrero é mérito da Virgem de Lourdes.

Sem ela, nós pouco podemos”,
defendeu o multibilionário em uma de suas raríssimas declarações públicas, pois era muito reservado: não concedia entrevistas e há muito poucas fotos dele na mídia ou na Internet.

Giacomo, seu segundo filho, garantirá a continuidade do grupo familiar, que emprega 36.000 pessoas em todo o mundo.

Na Itália as greves são frequentes, mas elas não existiam em suas fábricas.O fato impressionava.

Michele Ferrero criou em 1983 uma Fundação que leva o nome de sua mulher e de seus filhos.

Ela proporciona bolsas para estudantes, serviço de saúde, aposentadoria, conferências, exposições e concertos.

Sempre sob o sinal harmonizador emanado d’Aquela a cujos pés ele deve agora eternamente encontrar-se e sobre a qual canta uma antífona: “Eu moro no mais alto dos céus e meu trono está sobre uma coluna de nuvens”: Nossa Senhora de Lourdes.



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quarta-feira, 21 de junho de 2023

Nossa Senhora de Lourdes não nos abandona
nem nas piores situações

Nossa Senhora de La Salette
Luis Dufaur
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Não é admissível supor que Nossa Senhora nos abandone, sobretudo quando os tempos estão muito complicados.

É preciso confiar de todo jeito. Quaisquer que sejam as dificuldades nesse tempo, Ela não nos abandonará.

Pelo contrário, nós seremos protegidos por Ela de modo inesperado, de modo milagroso se for preciso.

Nós devemos nos habituar a viver a vida prática com todo o espírito de Fé.

E, ao mesmo tempo, a conviver com a esperança do milagre como se fosse uma coisa que não é para de vez em quando acontecer. Porque a atmosfera de Lourdes nos ensina que o milagre é fato frequente de todos os dias.

É preciso conservar a calma motivada por essa crença no milagre.

Então é preciso conservar essa calma custe o que custar, para por esta forma nós ouvirmos a voz do Espírito Santo nas nossas almas.

Porque a voz da graça se faz ouvir na alma tranquila. Na alma agitada não se faz ouvir.

A alma tranquila pode estar sumamente aflita, mas não agitada. O exemplo arquiperfeito da alma tranquila, porém não agitada, era o Coração Sacratíssimo de Jesus durante a agonia no Horto.

Nosso Senhor tinha uma noção tão viva do que ia acontecer com Ele que, com a devida adoração, chegou a suar sangue, de pânico diante da dor que vinha.

Os médicos dizem que o fenômeno é conhecido cientificamente, que certas angústias muito grandes fazem a pessoa derramar sangue pela pele.

Tem lá uma explicação científica que eu entendi mais ou menos, mas que é admitida por todos os cientistas.

Mas Nosso Senhor não perdeu a calma. Pelo contrário, estava tranquilo, tudo quanto Ele disse era inteiramente lúcido, nenhuma vez se nota n’Ele um vaivém, mas uma coerência de atitudes verdadeiramente sobrenatural.

Segundo o Evangelho, Ele coepit pavere et taedere contristari et moestus esse (1. Marc. 14, 33. Mat. 26, 37.) – começou a ter tédio e pavor, e ficar triste, abatido, mas não agitado.

Daí veio o pedido filial, tranquilo, d’Ele ao Padre Eterno, que é parecido com o pedido que um Filho faz a uma muito boa Mãe.

Ele disse: “Pater, si fieri potest transeat a me cálix iste. – Meu Pai, se é possível afaste-se de mim este cálice” (Mat 26,11).

Primeiro com a linguagem da aflição, depois com a linguagem da força: “Mas faça-se a vossa vontade e não a minha”. Se quiserdes, livrai-me, mas se não quiserdes, matai-me. Vós e Eu ninguém separará.

Essa é ou não é a linguagem da tranquilidade?



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quarta-feira, 7 de junho de 2023

UMA VISITA HOJE A LOURDES


Luis Dufaur
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É difícil descrever quão grata, sutil, sobrenatural, inesquecível e grandiosa é a acolhida que aguarda o peregrino que se aproxima da Gruta de Lourdes!

De dia ou de noite, grupos de romeiros ― grandes ou pequenos segundo a ocasião ―, doentes e sãos, de todas as idades, raças, povos e línguas afluem por ruas e acessos diversos, prelibando a doce e inefável bênção que faz de Lourdes o maior pólo de atração marial da Terra.

Cruzando o rio Gave, entra-se na esplanada do Santuário pelo portão de São Miguel.

Sobre a ponte, uma impressão acode ao espírito: dir-se-ia que as pessoas são outras.

Elas avançam com passo calmo e decidido, sereno e confiante, cheias de fé.

É como se esse charme misterioso de Lourdes reavivasse nelas sobrenaturalmente, também o amor da compostura, do alinho, da dignidade e do respeito.

Ao pé da letra, o movimento não cessa nas 24 horas do dia.

Pode-se chegar na mais alta madrugada, e sempre se encontrará gente.

No auge do inverno, o vento que sopra dos cumes dos Pirineus torna impossível qualquer presença ante a Gruta.

Mas, apertados uns junto aos outros, os fiéis se concentram nela, e ali ficam rezando dia e noite, dia e noite.

A cacofonia da vida moderna, com seus desgostos e tragédias, a agitação desgastante das cidades, o ritmo frenético, as “torcidas” angustiadas, as contradições e desapontamentos com os outros, instilam, quotidianamente, a deprimente ideia de que os homens em geral não têm conserto.

E quanto esta ideia tem de verdadeiro!

Porém, em Lourdes tem-se um antegozo de como será a humanidade regenerada pelo triunfo do Coração Sapiencial e Imaculado de Maria prometido em Fátima, após os castigos previstos por Ela naquelas aparições.

Descobre-se que, pela participação no espírito de Nossa Senhora, é possível uma harmonia e uma sublimidade no relacionamento, um entrelaçamento hierárquico, paterno e filial, nobre e bondoso, que nesta Terra pareceria impossível encontrar.

Em torno da Gruta de Lourdes há como uma campânula sobrenatural, que filtra as influências da Revolução gnóstica e igualitária que tudo polui e degrada em nossa época.

E suavemente faz brotar nas pessoas um fundo bom que habitualmente geme esmagado.

É uma ação profunda e discreta da qual só Nossa Senhora detém o segredo.


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quarta-feira, 24 de maio de 2023

Ganhou o Prêmio Nobel de Medicina, é agnóstico, mas diz que em Lourdes “existe algo inexplicável”

Dr. Luc Montagnier, do Instituto Pasteur de Paris  Prêmio Nobel de Medicina em 2008
Dr. Luc Montagnier, do Instituto Pasteur de Paris
Prêmio Nobel de Medicina em 2008
Luis Dufaur
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O bacteriólogo Luc Montagnier, Prêmio Nobel de Medicina de 2008, fez declarações cujo impacto perduram até hoje.

Foi no primeiro colóquio científico internacional organizado pelo Santuário de Lourdes nos dias 8 e 9 de junho de 2012, segundo informou em seu tempo o jornal “La Croix” de Paris.

Entrevistado naquela ocasião por “La Croix”, o biólogo que é agnóstico declarado, reconheceu que nos milagres de Lourdes “existe algo inexplicável”.

A guisa de esclarecimento do que ele não consegue explicar, disse: “pode se imaginar que as doenças podem ser curadas de uma forma diversa da que a medicina conhece no momento presente”.

Essa forma que a medicina não compreende e que maravilha aos estudiosos é o que se chama “milagre”. Mas, o agnóstico professor pena a tirar esta última consequência, entretanto, tão sensata, até linguisticamente.

Não é o primeiro cientista que tenta achar alguma causa material. Neste blog temos citado muitos deles que analisaram a água em épocas diversas e de pontos de vista diferentes.

Prêmio Nobel de Medicina: em Lourdes "existe algo inexplicável"
Prêmio Nobel de Medicina: em Lourdes:
"existe algo inexplicável"
Montagnier veio assim a atualizar as investigações físico-químicas sobre a “água milagrosa” de Lourdes, acrescentando sua grande autoridade em virologia.

O Prêmio Nobel reconheceu na entrevista que a medicina não tem dados para explicar os milagres de Lourdes.

Ele disse: “alguns fenômenos inexplicáveis podem acontecer. Doentes que estavam desenganados passam a viver muitos anos. Eu não tenho explicação neste momento”.

O cientista ficou surpreso constatando a ausência de elementos científicos que expliquem essas curas que entretanto são — eis o paradoxo — cientificamente verificadas: “no entanto sabemos muito pouco. As recuperações milagrosas de Lourdes são muito raras, mas são reconhecidas”.

“Eu tento achar explicações racionais para toda cura e eu sei que tal vez não conseguirei. Há coisas que permanecem sem explicação até o dia de hoje e tal vez serão explicáveis”, pela ciência, obviamente, acrescentou Montagnier.

Montagnier afirma não excluir nada, diferentemente de outros colegas seus.

Mas, tenta acenar com alguma causa nas propriedades do elemento água: “através de estudos com alguns colegas, deparei-me com o fato de a água possuir algumas propriedades extraordinárias (…) tal vez também a de Lourdes.

Só a água de Lourdes, que é natural, faz milagres. Por quê?
Só a água de Lourdes, que é natural, faz milagres. Por quê?
“Neste momento, não disponho de dados específicos, mas sei que a água pode manter estruturas que ficarão impressas no DNA e pode transferir a informação genética. Tentarei adaptar os meus conhecimentos com o fenômeno de Lourdes”.

Sendo assim, por quê a água de outros mananciais, tão natural como a de Lourdes, não faz “milagres” análogos aos que a ciência constatou em Lourdes?

Não cabe à ciência declarar que tal cura foi ou não “milagrosa”. Isso é tarefa da autoridade eclesiástica, portanto tarefa religiosa.

Mas a ciência age em seu campo reconhecendo, ou não, se tal cura se explica, ou não, segundo os conhecimentos e procedimentos científicos aceitos. E o egrégio Prêmio Nobel acabou reconhecendo a inexplicabilidade das curas da “água milagrosa” de Lourdes.

A água de Lourdes é água natural potável e boa. E mais nada. A causa dos milagres é a graça divina. E Deus quis dispensar graças de cura por meio da intercessão de Nossa Senhora e da água natural da Gruta de Lourdes.

Ele enviou sua Mãe Santíssima que apareceu a Santa Bernadette. E Nossa Senhora mandou beber e se lavar com a água da Gruta, em sinal de penitência, submissão, reconhecimento e louvor da Imaculada Conceição.

Trata-se da fonte que flui na Gruta das Aparições (video embaixo), que a própria Santa Bernadette Soubirous encontrou escavando a terra, seguindo as orientações da Santíssima Virgem Maria.

Vídeo: A fonte da "água milagrosa" de Lourdes


Por sinal, a água da gruta não é o único instrumento das curas em Lourdes.

Dos 70 milagres canonicamente reconhecidos (ver lista completa na coluna da esquerda), 48 estão diretamente relacionados com a água de Lourdes.

Mas, os outros 21 aconteceram em outras circunstâncias, notadamente durante a Bênção do Santíssimo aos doentes na basílica, ou no pátio, do Santuário.


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quarta-feira, 10 de maio de 2023

Em Lourdes a voz da eternidade fala inefáveis

Luis Dufaur
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Entra o empresário italiano bem trajado; ajoelha-se uma chinesinha maravilhada; desfila uma delegação de poloneses ainda marcados pela tragédia comunista; cantam os espanhóis; o casal inglês inclina-se reverente; a mulher de ébano beija o chão emocionada; a família americana não sabe onde pôr todas as velas que trouxe.

Ajoelhados, em pé ou sentados nos bancos, ficam em silêncio, olhando para essa gruta que é porta do Céu, com o ar de inocência e de paz de sua primeira comunhão.

Coisa paradoxal: o tempo lá parece não passar. É como se por um instante tivéssemos ingressado na eternidade.

Desvenda-se ante o peregrino uma paleta infinda de atrativos celestes, sublimes e temperantes, mudando sempre deliciosamente de matizes, que seduz, atrai, e ao mesmo tempo vai curando as chagas da alma e também do corpo.

A multidão passa, tocando suas mãos por toda a extensão da Gruta, beijando compungida o úmido granito, agradecida por essa restauração interior inefável.

Mais de 7.000 curas foram declaradas, oficialmente, inexplicáveis pela Medicina.

Muitíssimas outras curas físicas e morais foram operadas por Nossa Senhora, mas não registradas em virtude da natureza do problema, por falta de processo médico ou circunstâncias diversas.

Entretanto, quantos e quantos doentes também por aqui passaram e não foram curados, mas nunca se ouviu dizer que algum deles se tenha declarado enganado, decepcionado ou desesperado.

Pelo contrário, quando podem, voltam esperançados.

É que essa ação de Nossa Senhora no mais fundo da alma tem um não sei quê de restaurador, que vale mais do que a própria cura física, e deixa a todos encantados, cheios da sensação de terem sido largamente atendidos.


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quarta-feira, 26 de abril de 2023

A traslação miraculosa de Nossa Senhora do Bom Conselho


Luis Dufaur
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Numa pequena localidade da Itália a graça faz germinar, em substituição a um velho culto pagão, uma terna devoção a Nossa Senhora sob o título do Bom Conselho.

A imagem desceu miraculosamente na cidade de Genazzano no fim da tarde do dia 25 de abril de 1467.

Sua festa se comemora no dia 26 de abril.

Naqueles anos, um rei valoroso após épica gesta caiu sob a espada dos invasores muçulmanos. Não houve quem o substituísse à altura e o reino se encontrava em triste declínio.

Declínio político e militar, por certo, mas também e principalmente declínio religioso.

Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, Genazzano
Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, Genazzano
Os católicos albaneses oferecem ao Islã a resistência ineficaz de um povo tornado tíbio. Com isto, a vitória das hostes de Mafoma resulta inevitável.

Dois homens fiéis à Virgem se sentem perplexos, e vão ao santuário nacional da Albânia, em Scútari.

Eles implorararam à imagem dEla que ali se venera um bom conselho: o que fazer?

Permanecer na nação dominada pelos turcos, a fim de ali servir à Santíssima Virgem, ou deixar a pátria rumo a plagas em que possam viver sem grave perigo para a fé?

O bom conselho implorado lhes foi concedido sob a forma mais estupenda e inesperada.

A imagem deixa Scútari, e em pós dela partem os nossos dois albaneses.

A confirmar a autenticidade e o acerto deste conselho, a sagrada Efígie baixa maravilhosamente no local de Genazzano.

Daí para diante, a história da Madona transladada de Scútari não foi senão uma sucessão de triunfos morais.

Quer em Genazzano, quer em outras cidades onde reproduções do quadro albanês foram expostas à veneração dos fiéis, se multiplicaram incontáveis as graças de toda ordem.

E entre elas o atendimento frequente das pessoas que, desejosas de um bom conselho, acorrem à Virgem, implorando a graça de uma luz para sua perplexidade.

Nossa Senhora do Bom Conselho, Colégio São Luís, SPEntre essas imagens, importa lembrar a que se encontra na cidade de São Paulo.

E início na  Capela do Colégio São Luís, dos RR. PP. Jesuítas, e depois na menor capela moderna do mesmo colégio.

A causa foi o modo pelo qual chegou a nosso País é verdadeiramente digno de especial atenção. (foto ao lado)




(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, "Catolicismo", Abril-Maio de 1968)




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quarta-feira, 19 de abril de 2023

Santa Bernadette e a coragem de dizer as verdades

Luis Dufaur
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Santa Bernadette Soubirous era uma camponesa de uma zona dos Pirineus meio espanholada. Essa zona constitui, debaixo de certo ponto de vista, uma síntese entre a Espanha e a França.

Ela tinha pouco cara de espanhola; muito mais cara de francesa até do que de espanhola.

Suas fotografias mostram um rosto ligeiramente dado para o quadrado, traços regulares e bem feitos, um olhar preto, grande, e com uma certa fixidez hispânica que o olhar francês não tem, que crava as verrumas e que olha mesmo, é radiográfico; e também um certo nariz espanhol, que é um traço de coerência de toda a fisionomia. Isto o que ela tinha muito acentuadamente.

O feitio de espírito dela era taxativo. Era de dizer as coisas no duro.

Era ela uma pessoa educada com muita simplicidade, tinha muita elevação de alma, mas não teve essa educação que ensina a não dizer tudo quanto a gente pensa. E isso foi bom para ela

O que ela pensava, ela dizia mesmo.

O todo dela era de um dégagé completo: como quem no fundo não pretende ser nada.

Era humildade diante de todo mundo, mas no serviço de Nossa Senhora não se dobrava ao juízo de ninguém.

Por exemplo: ela ia para a gruta para as aparições. Ela podia se envaidecer porque ela não era ninguém. Mas imagine uma multidão enorme ali reunida para vê-la falar com Nossa Senhora.

É uma coisa engraçada: quanto menor é a cidade da gente, mais a gente dá importância a ela.

É mais fácil para um paulistano falar mal de São Paulo do que um birigüense falar mal de Birigüi.

Aquilo tem mais vida, mais encaixe para cada um do que a imensa Babel, onde se é um grão de areia solto.

Na Birigüi, cada birigüense é uma célula de um tecido. Em São Paulo nós somos um grão de areia numa duna enorme de areia em que cada grão pesa em cima dos outros, e que cada tufão leva para muito longe.

Então, compreende-se que para Santa Bernadette o fato da Lourdes inteira estar ali era uma coisa colossal.

Mas ela não se envaidecia, não dava importância nenhuma, continuava a ter toda a naturalidade diante de todo mundo.



(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de conferência de 15.4.1966. Sem revisão do autor)



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sábado, 8 de abril de 2023

Domingo de Páscoa: Ressurreição triunfal de Nosso Senhor. Que venha o triunfo da Igreja!

Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta. Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta.
Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Luis Dufaur
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Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso,

Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém.

O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

Páscoa da Ressurreição. Albacete, Espanha.
Páscoa da Ressurreição. Albacete, Espanha.
Quando as cidades eram pouco ruidosas, ouvia-se o bimbalhar dos sinos ao meio- dia.

Comemorava-se a Ressurreição.

Nas ruas, os moleques malhavam bonecos de Judas.

Aleluia cantava-se por toda parte.

As pessoas cumprimentavam-se, distribuíam ovos de Páscoa.

As igrejas enchiam-se, a liturgia apresentava enorme pompa.

A dor do Calvário cedia ante a imensa alegria da Páscoa.

A alegria verdadeira, que não é filha do vício, mas fruto abençoado da virtude.

Quando Deus volta a sua Face para os homens, tudo se torna fácil, suave, alegre, brilhante.

Pelo contrário, quando Ele desvia sua Face, os homens atraem épocas de castigo.

É como o sol que desaparece.

Em que estado estamos nós, o mundo todo?

Ó Senhor Jesus, voltai para nós a vossa Face divina e olhai-nos com bondade.

Ressurreição, composição gráfica. Imagem de Albacete, Espanha
Ressurreição, composição gráfica. Imagem de Albacete, Espanha
Nesse momento a graça há de nos iluminar, e sentir-nos-emos outros.

Que pelos méritos de vossa Ressurreição se congreguem os bons.

Que o Divino Espírito Santo lhes comunique força e valor para derrotar os inimigos da vossa Igreja.

Que Ele renove as almas, restaure as instituições, as nações e a Civilização Cristã.

Nós Vo-lo pedimos por meio de Nossa Senhora, Medianeira Onipotente e Co-redentora do gênero humano.


Vídeo: Domingo de Ressurreição em Cartagena (Espanha)


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